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HISTÓRIA DA BÍBLIA EM PORTUGUÊS

Breve história da bíblia em português

Por: Helio Clemente

As primeiras traduções da bíblia para a língua portuguesa foram derivadas da Vulgata, a bíblia católica em latim traduzida do grego por Jerônimo no século IV DC a partir da Septuaginta, a tradução em grego do Antigo Testamento feita pelos judeus de Alexandria entre o primeiro e segundo séculos da era cristã. Essas primeiras versões em português foram realizadas em Portugal nos séculos XIII a XV.

O Texto Recebido (Textus Receptus): A base do Textus Receptus, Novo Testamento em língua grega, foi preparada por Erasmo de Rotterdam, baseada em manuscritos do século XII, e publicada em 1516. Posteriormente, baseado em Erasmo e em maior quantidade de manuscritos, Robert Stephens produziu a partir de 1546 os textos gregos do Novo Testamento e a edição de 1550 ficou conhecida como “Textus Receptus” ou Texto Recebido.

A bíblia como é conhecida hoje na língua portuguesa, teve sua história ligada diretamente à vida de João Ferreira de Almeida, nascido em Portugal no ano de 1628. João Ferreira de Almeida era católico romano e se converteu à igreja reformada em 1642, já em 1.644, com apenas dezesseis anos de idade, ele produziu sua primeira versão de partes do Novo Testamento traduzidas do espanhol para o português.

Para apresentar uma tradução realmente séria, aprendeu as línguas grega e hebraica, publicando sua primeira tradução do Novo Testamento diretamente do grego (Textus Receptus) no ano de 1681. Almeida faleceu em Agosto de 1691. Muito tempo decorreu até que a primeira bíblia completa em português, com a tradução de João Ferreira de Almeida fosse publicada, isto aconteceu somente em 1.819 na Inglaterra.

No final do século XIX foi fundada a primeira Sociedade Bíblica na Inglaterra, no Brasil, a Sociedade Bíblica Brasileira foi fundada em 1948, logo em seguida, em 1949, a bíblia passou a ser distribuída diretamente no Brasil através da Sociedade Bíblica do Brasil.

O Texto Crítico: Neste trabalho Westcot & Hort defendem o abandono da ortodoxia, ou seja, defendem a tradução dos textos bíblicos como qualquer outro livro, negando a inspiração divina; introduzem o princípio de tradução por equivalência dinâmica, onde o autor substitui um trecho original por uma idéia própria e consideram os manuscritos do Códice Sinaítico e Códice Vaticanus mais antigos e superiores ao Textus Receptus (Erasmo de Rotterdam) utilizado nas versões de João Ferreira de Almeida.

O Códice Sinaítico foi descoberto no século XIX em fragmentos perdidos em um mosteiro aos pés do Monte Sinai e enviados à Rússia, sendo posteriormente vendidos à Inglaterra, estes fragmentos são atribuídos aos séculos IV e V de nossa era.

O Códice Vaticanus foi escrito no idioma grego, com base na Vulgata, a versão em latim do Velho Testamento grego, descoberta na biblioteca do Vaticano e considerada como anterior ao Códice Sinaítico, sendo datada no século IV de nossa era.

O maior problema com relação ao Texto Crítico é que reinterpreta e diminui passagens doutrinárias básicas e pode gerar dúvidas quanto à divindade de Jesus Cristo, além de suprimir o nome de Cristo em várias passagens e suprimir a palavra “inferno” no Velho Testamento.

No ano de 1.978 foi publicada em língua inglesa uma nova versão da bíblia, baseada no Texto Crítico e nos métodos interpretativos de Westcot & Hort, a New International Version. Nos anos 90, foi apresentada ao público brasileiro a tradução portuguesa desta nova bíblia, a Nova Versão Internacional – NVI.

A bíblia no Brasil:

1.943: As Sociedades Bíblicas Unidas iniciaram um trabalho de revisão que seria publicado alguns anos depois com o nome de: “Almeida Corrigida”.

1.959: A Sociedade Bíblica do Brasil publicou a versão: “Almeida Revista e Atualizada”.

1.966: A Sociedade Bíblica do Brasil publicou a versão: “Almeida Revista e Corrigida”.

1.967: A Imprensa Bíblica Brasileira publicou a versão: “Almeida Revisada de Acordo com os Melhores Textos”, baseada totalmente no Texto Crítico e com uso abusivo de variantes.

1.990: A Editora Vida publicou a versão: “Almeida Edição Contemporânea” que segue por muitas vezes o Texto Crítico.

1.994: A Sociedade Bíblica Trinitariana editou a versão: “Almeida Corrigida e Revisada Fiel ao Texto Original” bastante próxima à Almeida Revista e Corrigida, totalmente baseada no Texto Recebido.

As bíblias protestantes modernas, baseadas no Texto Crítico e também no terrível princípio de tradução por equivalência dinâmica (interpretação pessoal dos textos) não são recomendadas para o uso comum: “A Bíblia Viva”, “Bíblia na Linguagem de Hoje” e a NVI – “Nova Versão Internacional”. Estas versões podem ser utilizadas, com muito critério, para comparação de textos paralelos.

Estas outras, não devem ser usadas de forma alguma: “Bíblia Jerusalém”, “Vozes” e “Novo Mundo”, não somente são baseadas no Texto Crítico, como adotam princípios de interpretação espúrios e distorcidos.

Uso corrente: A SBB, como é conhecida, é atualmente a segunda maior sociedade Bíblica do mundo, atrás somente dos Estados Unidos e distribuiu mais de vinte e cinco milhões de exemplares da bíblia em 2.006. A versão padrão adotada pela SBB é a “Almeida Revista e Atualizada” – RA, as bíblias de estudo Almeida e Genebra utilizam esta versão, a bíblia com o léxico em hebraico e grego do Dr. Strongs também utiliza esta versão, os materiais multimídia como a “Bíblia Online” e “Biblioteca Digital Libronix” também utilizam esta versão como básica.

Este material relacionado é precioso para os estudiosos da bíblia no Brasil e a linguagem da RA alcançou um equilíbrio notável na preservação do texto original e a exposição em linguagem contemporânea.

Conclusão: Não existe um versão perfeita, os interessados em estudar seriamente a bíblia devem ter várias versões à sua disposição para consulta e comparação, todavia, é de grande importância a adoção de um texto único para ser utilizado na igreja local, a grande disponibilidade de material de estudo, conforme exposto acima, faz da bíblia Almeida Revista e Atualizada uma versão consistente, útil e agradável para ser adotada como padrão no Brasil.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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