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Escatologia

INTRODUÇÃO – AMILENISMO – LORAINE BOETTNER

AMILENISMO
Loraine Boettner
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
A definição de amilenismo como previamente citada é: “Amilenismo é aquela visão das últimas coisas que sustenta que a Bíblia não prediz um ‘Milênio’ ou período de paz e justiça mundial sobe a Terra antes do fim do mundo” O autor dessa definição, dr. J. G. Vos, observou ainda, à guisa de explicação, que,.
“O amilenismo ensina que haverá um desenvolvimento paralelo e contemporâneo do bem e do mal – o reino de Deus e o reino de Satanás – neste mundo, que continuará até a segunda vinda de Cristo. Na segunda vinda de Cristo a ressurreição e o julgamento acontecerão, seguidos pela ordem eterna das coisas – o Reino absoluto e perfeito de Deus, no qual não haverá pecado, sofrimento nem morte” (Blue Banner Faith and Life, Jan.-Março, 1951).
Os amilenistas não vêem nenhuma evidência bíblica para um Milênio nos princípios do pós- ou pré-milenismo. Alguns amilenistas entendem que o termo relaciona-se com a era cristã ou era da Igreja inteira, isto é, o período entre o primeiro e o segundo advento de Cristo. Outros entendem o mesmo como dizendo respeito a uma parte particular desse período. Ainda outros, mais consistentemente conforme nos parece, aplicam o termo ao estado intermediário. Dessa forma, o termo é algumas vezes usado num sentido amplo, e outras vezes num sentido estrito. No sentido amplo ele nega que os mil anos significam que durante a era da Igreja haverá um período de justiça e paz como defendido pelo pós-milenismo, ou um reinado pessoal de Cristo sobre a Terra com os santos, como mantido pelo pré-milenismo. No sentido estrito alega-se que os mil anos não têm nenhuma referência a algo que aconteça na Terra, mas ao reinado dos santos com Cristo no estado intermediário.

testemunho da história. O nome é deveras novo, mas a visão à qual ele é aplicado é tão antiga quanto o Cristianismo. No mínimo, ela teve tantos defensores quanto o quiliasmo entre os Pais da Igreja do segundo e terceiro séculos, que foi supostamente o auge do quiliasmo. Ela tem sido desde então a visão mais amplamente aceita, sendo a única que é expressa ou implícita nas grandes Confissões históricas da Igreja, e tem sido sempre a visão prevalecente nos círculos Reformados” (Systematic Theology, p. 708).
Embora não necessariamente concordando que o amilenismo seja a única visão expressa ou implícita nas Confissões, nem que tem sido sempre a visão prevalecente nos círculos Reformados – o pós-milenismo tendo sido no mínimo por um tempo considerável a visão prevalecente na teologia Reformada Americana – cremos que essa análise está essencialmente correta.
Similarmente, o dr. John F. Walvoord, um pré-milenista e editor da revista Bibliotheca Sacra, reconhece que, “A escatologia Reformada tem sido predominantemente amilenista. A maioria, se não todos, dos líderes da Reforma Protestante eram amilenistas em sua escatologia, seguindo os ensinos de Agostinho” (Edição de Jan.-Março, 1951).
Com respeito a Agostinho, a verdade é que em seu ensino existem tanto elementos pós-milenistas como amilenistas. Ele é, portanto, reivindicado pelas duas escolas. O dr. Allis deixou isso muito claro, e nos comentários seguintes deu um esboço completo e acurado da escatologia agostiniana. Diz ele:
“A visão que tem sido amplamente sustentada pelos oponentes do milenarismo é associada com o nome de Agostinho. Ele ensinou que o milênio deve ser interpretado espiritualmente e realizado na Igreja Cristã. Ele mantinha que a prisão de Satanás aconteceu durante o começo do ministério do nosso Senhor (Lucas 10:18), que a primeira ressurreição é o novo nascimento do crente (João 5:25), e que o milênio deve corresponder, portanto, ao período inter-advento ou era da Igreja. Isso envolveu a interpretação de Apocalipse 20-:1-6 como uma ‘recapitulação’ dos capítulos precedentes, ao invés de uma descrição de uma nova era seguindo cronologicamente aos eventos apresentados no capítulo 19. Vivendo na primeira metade do primeiro milênio da história da Igreja, Agostinho naturalmente tomou os 1000 anos de Apocalipse 20 literalmente; e esperava que o segundo advento acontecesse no final desse período. Mas visto que ele identificou, de certa forma inconsistentemente, o milênio com o que então restou do sexto quilíade da história humana, ele cria que esse período poderia terminar por volta de 650 d.C., com uma grande erupção do mal, a revolta de Gogue, que seria seguida pela vinda de Cristo em julgamento…
“Deve ser notado que todas as formas da visão agostiniana, pela qual queremos dizer, todas as visões que descobrem o milênio no período inter-advento ou em alguma parte dele, quer seja passada, presente ou futura, pode ser apropriadamente chamada tanto amilenista como pós-milenista. Elas são amilenistas no sentido que todas elas negam que após a presente dispensação terminar pela ressurreição e arrebatamento dos santos, não haverá nenhum reinado de Cristo sobre a Terra com os santos por 1000 anos antes do último julgamento. Mas visto que elas identificam o milênio com toda a era presente do evangelho, ou com alguma parte dela, podem ser chamadas também de pósmilenistas.
Nesse sentido Agostinho foi um pós-milenista. Mas embora isso seja verdade, a palavra ‘pós-milenista’ passou a ser tão identificada com o nome de Whitby que, como usada por muitos escritores sobre o assunto, ela aplica-se exclusivamente àquela visão que considera o milênio como uma era dourada da Igreja que é totalmente futura, e talvez ainda remota, e que precederá o segundo advento” (Prophecy and the Church, pp. 3, 4).
Dissemos que no sentido estrito do termo, o amilenismo sustenta que os mil anos referem-se ao estado intermediário. Essa visão foi apresentada mui claramente por um teólogo alemão, Kliefoth (1874). Ele manteve que Apocalipse 20 segue cronologicamente após Apocalipse 19. Mas, não encontrando o que ele cria ser bíblico para apoiar um milênio sobre a Terra, ele concluiu que o reinado dos santos com Cristo poderia estar relacionado somente ao estado intermediário. Visto que o termo tem sido usado em dois sentidos, certa confusão sempre surgirá. Mas de qualquer forma, temos visto que ele é na realidade um sistema antigo. É evidentemente no sentido estrito que alguns pré-milenistas têm entendido o termo, e.g., Chafer e Gaebelein, referindo-se ao amilenismo de forma desdenhosa como sendo um sistema novo e estranho.

O amilenismo tem sido desenvolvido de uma forma mais completa pelos teólogos holandeses, Drs. Abraham Kuyper, Herman Bavinck, e outros.
No continente da Europa, até o dia presente, ele pode ser chamado justamente de o “Padrão da teologia Reformada e Luterana”. Por outro lado, os principais teólogos americanos do século dezenove e começo do século vinte tem sido pós-milenistas. Em anos comparativamente recentes, particularmente desde 1930, um número considerável de teólogos americanos tem produzido livros acadêmicos apresentando a posição amilenista, como indicado anteriormente neste estudo. Praticamente todos esses livros, contudo, têm se concentrado primariamente com a refutação do prémilenismo, dando um espaço comparativamente pequeno ao desenvolvimento da posição amilenista. Durante esse mesmo período, particularmente desde o aparecimento da Bíblia de Referência Scofield, tem havido um fluxo quase sem fim de livros e artigos pré-milenistas e dispensacionalistas, superando em volume de longe os escritos pós-milenistas e amilenistas.
Hoje, o amilenismo é a visão oficial da conservadora Lutheran Church Missouri Synod, 2 que tem uma membresia de mais de 2.000.000 e patrocina um programa de rádio mundial, Lutheran Hour.3 O amilenismo é também a visão das igualmente conservadoras Christian Reformed Church,4 que patrocina também um grande programa de rádio conhecido como Back To God Hour,5 e Orthodox Presbyterian Church.6
Fonte: The Millennium, Loraine Boettner, pg. 109-112.

 

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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