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Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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Cristologia

LIBERDADE CRISTÃ

LIBERDADE CRISTÃ

Por: Helio Clemente

Excerto – retirado do curso de Teologia Sistemática

A liberdade cristã

A morte de Jesus foi vicária (assumida voluntariamente) e sacrificial (substitutiva), todos os eleitos foram redimidos pela morte de Jesus e nada mais é necessário além de receber a justificação pela exclusiva graça de Deus. Cristo libertou seu povo da maldição da lei, pois pela lei vem o conhecimento do pecado, pela graça a salvação.

É certo que todo aquele que cumpre rigorosamente toda a lei de forma perfeita será justificado pelas obras da lei, mas nenhum homem jamais será capaz de cumprir rigorosamente a lei, pois todo aquele que tropeça em um ponto, tropeça em toda a lei. Somente Cristo, em sua vida de perfeita obediência cumpriu, em lugar dos eleitos, toda a obediência que Adão não fora capaz de cumprir, libertando, desta forma, todo o seu povo da maldição da lei.

Efésios 2,5: “Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos”.

O homem natural é inimigo de Deus, mesmo sendo religioso acredita mais em sua justiça própria que na justiça perfeita de Cristo (tome-se como exemplo os fariseus), quando o homem recebe a justificação ele recebe também o Espírito, nisso consiste o novo nascimento, a transformação do homem através da ação do Espírito, mudando a sua mente e seu coração para que a partir daquele momento ele receba o arrependimento para a vida e a fé em Cristo, que são os dons de Deus que acompanham este novo nascimento.

João 3,6-8: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Por esta mudança, o homem, que era inimigo da cruz de Cristo, passa a desejar, de forma natural, o evangelho a os mandamentos de Cristo, sentindo grande prazer em se submeter à soberania de Deus e ao senhorio de Cristo.

Por outro lado, julgue cada um a si mesmo, não há porque recusar todos os prazeres e coisas criadas por Deus para deleite dos homens: as coisas belas para serem apreciadas, as coisas saborosas para serem degustadas, as coisas refinadas para serem usadas, que sejam sem malícia ou ostentação. Por outro lado, não há porque se entregar a coisas, mesmo aparentemente inocentes, que, todavia, militam contra a consciência.

1 Coríntios 10,23: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”.

Nisto consiste a liberdade cristã, não que o homem esteja livre dos mandamentos ou que tenha a capacidade de cumpri-los, mas que sentirá prazer em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para servir ao evangelho, sabendo que Deus é quem efetua nele tanto o querer como o realizar conforme o beneplácito de sua vontade soberana.   

João 8,36: “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”.

Calvino – Institutas, Volume III: “E de fato é assim. Nossa liberdade não nos foi dada contra nosso próximo fraco, de quem o amor nos constitui servos em todas as coisas; ela nos foi dada, sim, para que, tendo paz com Deus em nossas almas, em paz também vivamos entre os homens. Mas com respeito a fazermos escândalo aos fariseus, aprendemos das palavras do Senhor, com as quais ele ordena que não se deve levá-los em consideração, porque são cegos, guias de cegos. Os discípulos chamaram-lhe a atenção de que estes se haviam ofendido com seu discurso. Então lhes responde que eles deveriam ser ignorados, tampouco se deveria dar atenção que se escandalizassem”.

Mateus 15,12-14: “Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco”.

Para terminar este breve estudo sobre a liberdade, é importante que seja colocado com muita firmeza que esta liberdade cristã significa, acima de todas as coisas, que a consciência jamais se sujeite aos preceitos e tradições humanas em detrimento da Escritura, somente a Escritura é a norma de fé e vida do cristão e nada pode sobrepor-se a ela, nem as leis do país onde vive nem as tradições ou conveniências dos homens ou da igreja.

Calvino – Institutas, Livro III: As funções da liberdade cristã:

1 – “A primeira função da liberdade cristã, que as consciências dos fiéis, enquanto buscam diante de Deus confiança de sua justificação, se erguem acima da lei e esquecem toda justiça provinda dela. Ora, como já foi demonstrado em outro lugar, uma vez que a lei a ninguém faz justo, ou somos excluídos de toda esperança de justificação, ou temos de ser libertados dela, de tal sorte que não haja nenhuma consideração pelas obras humanas”.

2 – “A segunda função da liberdade cristã, que depende da primeira, é que as consciências guardem a lei não como se coagidas pela necessidade da lei, mas, ao contrário, livres do jugo da própria lei, obedeçam espontaneamente à vontade de Deus”.

3 – “A terceira função da doutrina da liberdade cristã é que não tenhamos por obrigação diante de Deus nenhuma das coisas externas que de si são indiferentes; de modo que seja permitido usá-las ou deixar de usá-las, indiferentemente”.

Esta terceira função, tratada por Calvino, é de extrema importância; os crentes não podem e não devem ser constrangidos por coisas que não são proibidas ou previstas na Escritura, tais como: Comida, vestuário, cabelos, prática de esportes e atividades afins, profissões militares ou policiais, uso de armas para defesa própria, namoro, bebida com moderação, cinema, internet e muitos outros.

Vemos hoje na igreja evangélica muito das obras supererrogatórias da igreja católica, mas, cabe a cada um estabelecer o limite às suas atividades conforme a Escritura. Para isto, voltamos sempre ao ponto inicial, sem o conhecimento da Palavra ninguém consegue estabelecer limites para suas atividades, o conhecimento é o fundamento da liberdade cristã, a ponto de Jesus estabelecer que a vida eterna é o conhecimento de Deus.

O conhecimento é o fundamento da liberdade cristã:

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Calvino comenta de maneira um tanto irônica sobre este aspecto da liberdade cristã, mas de forma extremamente didática, como se pode ver abaixo:

Calvino – Institutas, Livro III: “Se alguém começa a duvidar se porventura lhe é lícito usar linho nos lençóis, camisas, lenços, guardanapos, depois não estará seguro se pode usar cânhamo; e por fim começará inclusive a duvidar se é lícito usar estopa; pois consigo revolverá se porventura pode jantar sem guardanapos, ou se pode prescindir de lenços. Se a alguém parecer ilícito alimento um pouco mais refinado, por fim nem pão ordinário e iguarias comuns comerá tranquilo diante de Deus, enquanto vem à mente que pode sustentar o corpo com víveres ainda mais baratos. Se nutre escrúpulo de beber vinho mais suave, a seguir nem vinho estragado beberá com boa paz de consciência; por fim, nem ousará tocar em água mais doce e mais limpa que outras. Finalmente, chegará a tal ponto que, como se diz, julgará ser ilícito caminhar por sobre uma palha atravessada no caminho”.

Romanos 14,14: “Eu sei e estou persuadido, no Senhor Jesus, de que nenhuma coisa é de si mesma impura, salvo para aquele que assim a considera; para esse é impura”.

Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XX, Seção I – Liberdade em Cristo:

A liberdade que Cristo, sob o evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição da lei moral (1) e em serem livres do poder deste mundo, do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado (2), do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário (3).

1 – Tito 2,14: “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.

2 – Gálatas 1,4: “O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”.

3 – Hebreus 10,22: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”.

Comentários do autor a este capítulo da CFW:

Liberdade em Cristo

Esta liberdade cristã, não significa que o homem adquire a capacidade de exercer o seu livre-arbítrio para agir em concordância com a lei de Deus. A livre agência do homem será sempre voltada para sua natureza depravada, somente a presença e operação contínua do Espírito de Deus torna o homem capaz de pensar e agir conforme os preceitos divinos.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

A lei restringe as ações dos homens e indica o castigo, não existe intenção salvífica na lei, mas apenas de coerção e punição. Já o crente, justificado pela graça, é liberto de todos os seus pecados e da maldição da lei, visto que esta foi plenamente cumprida em e por Cristo, sendo extinta a culpa pelos pecados passados, presentes e futuros do seu povo eleito. Nisso consiste a liberdade cristã.

Romanos 8,33-34: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

Calvino – Institutas, Livro III: “Além disso, o conhecimento desta liberdade nos é sumamente necessário, o qual, se estiver ausente, nossa consciência não desfrutará de nenhum descanso, e não haverá fim para as superstições. Muitos hoje nos têm por néscios visto que defendemos ser lícito comer carne, e porque afirmamos que é livre observar certos dias e o uso de vestes e outras coisas afins; mas isto encerra maior importância do que vulgarmente se crê”.

O grande problema da moderna igreja evangélica é que ela aprendeu com a igreja romana que proibir é bem mais fácil que ensinar. O retorno a Roma está em andamento.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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