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Literatura clássica

Novembro de 63 – Stephen king

A vida pode mudar num instante, e dar uma guinada extraordinária. É o que acontece com Jake Epping, um professor de inglês de uma cidade do Maine. Enquanto corrigia as redações dos seus alunos do supletivo, Jake se depara com um texto brutal e fascinante, escrito pelo faxineiro Harry Dunning. Cinquenta anos atrás, Harry sobreviveu à noite em que seu pai massacrou toda a família com uma marreta. Jake fica em choque, mas um segredo ainda mais bizarro surge quando Al, dono da lanchonete da cidade, recruta Jake para assumir a missão que se tornou sua obsessão: deter o assassinato de John Kennedy. Al mostra a Jake como isso pode ser possível: entrando por um portal na despensa da lanchonete, assim chegando ao ano de 1958, o tempo de Eisenhower e Elvis, carrões vermelhos, meias soquete e fumaça de cigarro. Após interferir no massacre da família Dunning, Jake inicia uma nova vida na calorosa cidadezinha de Jodie, no Texas. Mas todas as curvas dessa estrada levam ao solitário e problemático Lee Harvey Oswald. O curso da história está prestes a ser desviado… com consequências imprevisíveis. Em A viagem no tempo nunca foi tão plausível… e aterrorizante.

POSFÁCIO
Meio século se passou desde que John Kennedy foi assassinado em Dallas, mas duas perguntas permanecem: foi realmente Lee Oswald quem puxou o gatilho e, se foi, agiu sozinho? Nada do que escrevi em 22/11/63 responderá a essas perguntas, porque a viagem no tempo é apenas um faz de conta interessante. Mas se você, como eu, gostaria de saber por que essas perguntas permanecem, acho que posso lhe dar uma resposta satisfatória em duas palavras: Karen Carlin. Não apenas uma nota de rodapé da história, mas a nota de rodapé de uma nota de rodapé. Ainda assim…
Jack Ruby possuía uma boate de striptease em Dallas chamada Carousel Club. Carlin, cujo nom du burlesque era Little Lynn, dançava lá. Na noite seguinte ao assassinato, Ruby recebeu um telefonema da srta. Carlin, a quem faltavam 25 dólares para completar o aluguel de dezembro e que precisava desesperadamente de um empréstimo para não ser despejada. Ele ajudaria?
Jack Ruby, que tinha outras coisas em que pensar, lhe mostrou o seu lado grosseiro (na verdade, parece que era o único lado de Sparky Jack, o Jack Faiscante de Dallas, parecia ter).
Ele ficou consternado porque o presidente que reverenciava fora morto na sua cidade natal e comentou várias vezes com amigos e parentes como isso era terrível para a sra. Kennedy e os filhos. Ruby ficou tristíssimo com a ideia de Jackie ter de retornar a Dallas para o julgamento de Oswald. A viúva se tornaria um espetáculo nacional, disse. O seu pesar seria usado para vender tabloides.
A menos, é claro, que Lee Oswald sofresse um caso grave de morte.
No Departamento de Polícia de Dallas, todos conheciam Jack, pelo menos de leve. Ele e a “esposa” — era como ele chamava Sheba, a pequena dachshund — eram visitantes frequentes do DPD. Ele distribuía entradas grátis das suas boates e, quando os policiais apareciam por lá, servia-lhes drinques grátis. Assim, ninguém lhe deu muita atenção quando ele apareceu na delegacia no sábado, 23 de novembro. Quando Oswald foi apresentado à imprensa, proclamou a sua inocência e exibiu o olho roxo, Ruby estava lá. Tinha uma arma (é, outro 38, esse um Colt Cobra) e pretendia realmente matar Oswald com ele. Mas a sala estava lotada; Ruby foi empurrado para os fundos; então, Oswald sumiu.
E Jack Ruby desistiu.
No final da manhã de domingo, ele foi à agência da Western Union a cerca de um quarteirão do DPD e mandou a “Little Lynn” uma ordem de pagamento de 25 dólares. Depois, andou até a delegacia. Achava que Oswald já tinha sido transferido para a Penitenciária do Condado de Dallas e se surpreendeu ao ver uma multidão reunida na frente. Havia repórteres,
camionetes de noticiários e os embasbacados de sempre. A transferência não acontecera na hora marcada.
Ruby estava armado e se esgueirou até a garagem da polícia. Nenhum problema nisso.
Alguns policiais chegaram a dizer oi e Ruby respondeu com oi. Oswald ainda estava lá em cima. Na última hora, pedira aos carcereiros para vestir um suéter porque a camisa estava furada. O atraso para pegar o suéter foi de menos de três minutos, mas bastou; a vida muda de repente. Ruby deu um tiro no abdome de Oswald. Quando uma pilha de policiais caiu em cima
de Sparky Jack, ele conseguiu gritar: “Ei, gente, sou Jack Ruby! Vocês todos me conhecem!”
O assassino morreu no Hospital Parkland pouco depois, sem dar declaração. Graças a uma stripper que precisava de 25 pratas e de um exibicionista que queria vestir um suéter, Oswald nunca foi julgado pelo seu crime e nunca teve oportunidade de confessar. A sua última declaração sobre o seu papel nos fatos de 22/11/63 foi “sou um bode expiatório”. As
discussões resultantes sobre a verdade ou não do que dizia não pararam mais.
No início do romance, Al, o amigo de Jake Epping, calcula em 95 por cento a
probabilidade de Oswald ter sido um atirador solitário. Depois de ler uma pilha quase da minha altura de livros e artigos sobre o assunto, eu calcularia a probabilidade em 98 por cento, talvez até 99 por cento. Afinal, todos os relatos, inclusive os escritos por teóricos da
conspiração, contam a mesma história americana simples: ali estava um perigoso viciadinho em fama que se viu no lugar certo para ter sorte. Era pequena a probabilidade de acontecer exatinho como aconteceu? Era. A probabilidade de ganhar na loteria também é, mas todo dia alguém ganha um prêmio.
Provavelmente as fontes mais úteis que li na preparação para escrever este romance tenham sido Case Closed, de Gerald Posner; Legend, de Edward Jay Epstein (maluquices tipo Robert Ludlum, mas divertidas); A história de Lee Oswald, de Norman Mailer; e Mrs.
Paine’s Garage , de Thomas Mallon. Este último traz uma análise brilhante dos teóricos da conspiração e da sua necessidade de encontrar ordem num fato que foi quase aleatório. O de Mailer também é extraordinário. Ele diz que entrou no projeto (que inclui entrevistas extensas com russos que conheceram Lee e Marina em Minsk) acreditando que Oswald fora vítima de uma conspiração, mas no final passou a acreditar, com relutância, que a velha e enfadonha Comissão Warren estava certa: Oswald agiu sozinho.
É dificílimo para uma pessoa sensata acreditar em outra coisa. A Navalha de Occam: a explicação mais simples geralmente está certa.
Também fiquei profundamente impressionado — e comovido, e abalado — ao reler Morte de um presidente, de William Manchester. Ele está erradíssimo sobre algumas coisas, é dado a voos de prosa rocambolesca (por exemplo, diz que Marina Oswald tinha “olhos de lince”), a sua análise dos motivos de Oswald é superficial e hostil, mas a obra imensa, publicada
apenas quatro anos depois daquela terrível hora do almoço em Dallas, é a mais próxima da época do assassinato, escrita quando a maioria dos participantes ainda estava viva e as suas lembranças, ainda nítidas. Armado com a aprovação condicional de Jacqueline Kennedy ao projeto, todos falaram com Manchester, e, embora o seu relato do que aconteceu depois seja inchado, a narrativa dos fatos de 22/11 é arrepiante e viva, um filme de Zapruder em palavras.
Bom… quase todo mundo falou com ele. Marina Oswald não falou e o consequente tratamento duro que Manchester lhe dá pode ter algo a ver com isso. Marina (ainda viva enquanto escrevo) estava de olho na sua grande oportunidade depois do ato covarde do marido, e quem poderia condená-la? Os que quiserem ler as suas lembranças as encontrarão
em Marina and Lee, de Priscilla Johnson McMillan. Confio pouquíssimo no que ela diz (a menos que corroborada por outras fontes), mas louvo — com certa relutância, é verdade — a sua capacidade de sobrevivência.
Tentei escrever esse livro pela primeira vez lá em 1972. Abandonei o projeto porque a pesquisa que envolveria parecia assustadora demais para um homem que dava aulas em horário integral. Houve outra razão: mesmo nove anos depois do fato, a ferida ainda estava fresca demais. Fico contente de ter esperado. Quando finalmente decidi ir em frente, foi natural para mim pedir ajuda ao meu velho amigo Russ Dorr na pesquisa. Ele foi um sistema de apoio esplêndido para outro livro longo, Sob a redoma, e mais uma vez esteve à altura da situação. Escrevo este posfácio cercado de um monte de material de pesquisa, dos quais os mais valiosos são os vídeos que Russ fez durante as nossas exaustivas (e cansativas) viagens a Dallas e a pilha de trinta centímetros de e-mails que chegaram em resposta às minhas
perguntas sobre tudo, da Série Mundial de 1958 aos aparelhos de escuta de meados do século.
Foi Russ que localizou a casa de Edwin Walker, que por acaso estava na rota da carreata de 22/11 (o passado se harmoniza), e foi Russ que, depois de muito procurar em vários arquivos de Dallas, encontrou o provável endereço em 1963 daquele homem peculiaríssimo, George de Mohrenschildt. E, aliás, onde estava exatamente o sr. Mohrenschildt na noite de 10 de abril de 1963? Provavelmente não no Carousel Club; mas, se tinha um álibi para a tentativa de assassinato do general, não consegui encontrá-lo.
Detesto entediar o leitor com o meu discurso de Oscar — fico irritadíssimo com escritores que fazem isso —, mas mesmo assim preciso tirar o chapéu para algumas outras pessoas. O Grande Número Um é Gary Mack, curador do Museu do Sexto Andar, em Dallas. Ele respondeu a bilhões de perguntas, às vezes duas ou três vezes até que a informação entrasse na minha cabeça-dura. A visita ao Texas School Book Depository foi uma triste necessidade que ele aliviou com o seu humor considerável e o conhecimento enciclopédico.
Também tenho de agradecer a Nicola Longford, diretor-executivo do Museu do Sexto Andar, e a Megan Bryant, diretora de coleções e propriedade intelectual. Brian Collins e Rachel Howell trabalham no Departamento de História da Biblioteca Pública de Dallas e me deram acesso a filmes antigos (alguns muito hilariantes) que mostram como era a cidade entre 1960 e 1963. Susan Richards, pesquisadora da Sociedade Histórica de Dallas, também contribuiu, assim como Amy Brumfield, David Reynolds e a equipe do Adolphus Hotel.
Martin Nobles, antigo morador de Dallas, carregou Russ e mim pela cidade. Ele nos levou ao Texas Theatre, hoje fechado mas ainda em pé, onde Oswald foi capturado, à antiga residência de Edwin Walker, à avenida Greenville (não tão horrível quanto já foi o bairro de bares e bordéis de Fort Worth) e à rua Mercedes, onde o 2.703 não existe mais. A casa realmente foi derrubada por um tornado… embora não em 1963. E mais uma tirada de chapéu para Mike “Silent Mike” McEachern que doou o seu nome com propósitos caritativos.
Quero agradecer a Doris Kearns Goodwin e ao marido Dick Goodwin, ex-ajudante de ordens de Kennedy, por responder às minhas perguntas sobre o que de pior poderia acontecer caso o presidente sobrevivesse. George Wallace como 37º presidente foi ideia deles… mas quanto mais pensava nisso, mais plausível ficava. O romancista Joe Hill, meu filho, destacou
várias consequências da viagem no tempo em que eu não tinha pensado. Ele também imaginou um final novo e melhor. Joe, você é o máximo.
E quero agradecer à minha mulher, a minha primeira leitora preferida e a crítica mais dura e justa. Ardente partidária de Kennedy, ela o viu em pessoa um pouco antes da morte e nunca mais esqueceu. Oposicionista a vida inteira, Tabitha (o que não me surpreende e não deve surpreender o leitor) está do lado dos teóricos da conspiração.
Errei alguma coisa aqui? Pode apostar. Mudei as coisas para se ajustarem ao curso da minha história? Com certeza. Como exemplo, é verdade que Lee e Marina foram a uma festa de boas-vindas dada por George Bouhe, com o comparecimento da maioria dos emigrados russos da área, e é verdade que Lee detestava e se ressentia com esses burgueses de classe média que tinham dado as costas à Mãe Rússia, mas a festa aconteceu três semanas depois do que está no meu livro. E, embora seja verdade que Lee, Marina e a bebê June tenham morado no apartamento de cima da rua West Neely, 214, não faço ideia de quem — ou se alguém — morava no apartamento de baixo. Mas foi esse que visitei (pagando vinte pratas pelo privilégio), e pareceu uma vergonha não usar a planta do lugar. E que lugarzinho desesperador aquele.
No entanto, em geral me ative à verdade.
Alguns reclamarão que fui excessivamente duro com a cidade de Dallas. Peço licença para divergir. No mínimo, a narrativa de Jake Epping na primeira pessoa me permitiu ir bem manso com ela, pelo menos do jeito que era em 1963. No dia em que Kennedy pousou em Love Field, Dallas era um lugar odioso. Bandeiras confederadas eram hasteadas de cabeça para cima; as americanas, de cabeça para baixo. Alguns espectadores no aeroporto levavam placas dizendo AJUDEM JFK A ELIMINAR A DEMOCRACIA. Pouco tempo antes daquele dia de novembro, tanto Adlai Stevenson quanto Lady Bird Johnson, esposa do vice-presidente, foram
submetidos a uma chuva de cusparadas dos eleitores da cidade. Quem cuspiu na sra. Johnson foram donas de casa de classe média.
Hoje está melhor, mas na rua Principal ainda se veem cartazes dizendo NÃO SE PERMITEM ARMAS NO BAR. Isso é um posfácio, não um editorial, mas tenho opiniões arraigadas sobre o assunto, principalmente dado o clima atual do meu país. Quem quiser saber a que ponto pode chegar o extremismo político, que assista ao filme de Zapruder. Observe com atenção o quadro 313, onde a cabeça de Kennedy explode.
Antes de terminar, quero agradecer a mais uma pessoa: ao falecido Jack Finney, que foi um dos maiores fantasistas e contadores de histórias americanos. Além de Os invasores de corpos, ele escreveu Time and Again, que, na humilde opinião deste escritor, é a grande história sobre viagens no tempo. A princípio, quis lhe dedicar este livro, mas em junho do ano passado uma netinha adorável chegou à nossa família e Zelda levou a honra.
Jack, tenho certeza de que você entenderia.
Stephen King
Bangor, Maine

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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