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Igreja

O BATISMO E O PECADO

O BATISMO E O PECADO – CALVINO

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Transcrição e comentários: Helio Clemente

 

Já vi muitos comentaristas e teólogos afirmarem que Calvino era sacramentalista, ou seja, atribuía a salvação aos sacramentos. Nada mais falso, Calvino foi um teólogo dos mais consistentes, senão o mais consistente, a respeito da doutrina da predestinação. Veja abaixo o que ele diz a respeito do batismo e da salvação.

CALVINO – INSTITUTAS:

O BATISMO NÃO NOS LAVA DO PECADO ORIGINAL E DA CORRUPÇÃO DAÍ RESULTANTE, NEM NOS RESTAURA AO ESTADO DE PUREZA E RETIDÃO ANTERIORES À QUEDA, SENDO APENAS SÍMBOLO DA JUSTIFICAÇÃO, DA REMISSÃO E DA RESTAURAÇÃO OPERADAS POR CRISTO.

Já ficou evidente quão falso é o que outrora alguns ensinaram, o que em outros ainda persiste: Que pelo batismo somos livrados e eximidos do pecado original e da corrupção que de Adão foi propagada a toda a posteridade, e restituídos à mesma retidão e pureza de natureza que Adão teria obtido, se houvesse permanecido naquela integridade em que fora primeiro criado. Pois tal gênero de doutores nunca entendeu o que seja o pecado original; o que seja a retidão original; o que seja a graça do batismo.

Antes, porém, já se discutiu que o pecado original é a depravação e corrupção de nossa natureza, a qual, antes de tudo, nos faz culpáveis à ira de Deus, então também em nós enseja as obras que a Escritura chama “obras da carne”.

Gálatas 5,19-21: “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam”.

 Portanto, estas duas coisas devem ser distintamente observadas, a saber: primeiro, que, assim viciados e corrompidos em todas as partes de nossa natureza, e que só em virtude dessa corrupção com justiça já estamos condenados e tidos como réus diante de Deus, a quem nada é aceitável, senão a justiça, a inocência, a pureza.

E até mesmo as crianças, também elas próprias, trazem consigo, desde o ventre da mãe, sua condenação, as quais, embora não hajam ainda manifestado os frutos de sua iniqüidade, contudo já trazem dentro de si encerrada sua semente. De fato, sua natureza toda é uma como que sementeira de pecado. Por isso, não pode senão ser odiosa e abominável a Deus.

Aos fiéis se lhes assegura que, pelo batismo, lhes é removida e lançada para

longe deles esta condenação, uma vez que, como foi dito, com este sinal o Senhor nos promete ter sido feita plena e integral remissão, não só da culpa que se nos deveria imputar, mas também da pena que deveria ser paga em função da culpa.

Apreendem também a justiça, mas tal como o povo de Deus pode obter nesta vida, isto é, apenas por imputação, porque, em sua misericórdia, o Senhor os tem por justos e inocentes.

A DESPEITO DO BATISMO, E DEPOIS DELE, O PECADO AINDA SUBSISTIRÁ EM NOSSA NATUREZA AO LONGO DE TODO NOSSA VIDA TERRENA, RAZÃO POR QUE CONTRA ELE DEVEMOS LUTAR ATÉ O FIM.

A outra coisa é que esta depravação nunca cessa em nós; pelo contrário, gera continuamente novos frutos, a saber, essas obras da carne que já descrevemos previamente, exatamente como uma fornalha acesa expele continuamente chama e faíscas, ou uma fonte que mana água sem fim. Ora, a concupiscência nunca se finda e se extingue inteiramente nos homens, até que, pela morte liberados do corpo da morte, se despojem completamente de si mesmos.

O batismo, na verdade, nos promete ter sido afogado nosso ego e a mortificação de nosso pecado; entretanto, não a um tal grau que não mais exista, ou que não nos cause dificuldade, mas somente que não mais nos sobrepuje. Porque, por todo o tempo que passarmos enclausurados neste cárcere de nosso corpo, em nós residirão remanescentes do pecado; mas, se em fé mantivermos a promessa a nós dada por Deus no batismo, sobre nós não dominarão, nem reinarão.

[Ex 14.27, 28]

Mas, ninguém se engane; ninguém se lisonjeie em seu mal, quando ouve que em nós sempre habita o pecado. Apenas lhes é dito que não dormitem tranquilamente em seus pecados aqueles que, de outra sorte, são demasiadamente propensos a pecar; mas, apenas para que não titubeiem e percam o ânimo os que são premidos e afligidos por sua carne.

Antes, que reflitam se ainda estão no caminho e creiam que já alcançaram bastante progresso, quando tiverem sentido de sua concupiscência que um mínimo vai decrescendo dia após dia, até que tenham atingido esse destino

a que tendem, isto é, ao término final de sua carne, que se consumará no findar desta vida mortal.

Entrementes, não cessem não só de lutar arduamente e de animar-se a avanço, mas também de estimular-se à plena vitória. Com efeito, também deve animar-lhes ver que depois do esforço, ainda lhes restam grandes dificuldades.

Devemos ter sempre em mente que somos batizados para mortificação de nossa carne, a qual em nós começa desde o batismo, e que continuamos diariamente, mas que se haverá de consumar quando migrarmos desta vida para o Senhor.

Romanos 7,24: “Desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?”.

O BATISMO NÃO É UM MEIO DE SE ALCANÇAR O PERDÃO DOS PECADOS, MAS UMA CONFIRMAÇÃO DE NOSSA FÉ, POLARIZADA NO SENSO DA DIVINA MISERICÓRDIA E PROMESSA ATUALIZADAS EM CRISTO.

Prova disto é o centurião Cornélio, que já previamente agraciado com a remissão dos pecados, que já antes fora agraciado com as graças visíveis do Espírito Santo, foi batizado [At 10.48], não buscando no batismo uma remissão mais ampla, antes uma exercitação mais segura da fé, aliás, do penhor, buscando o aumento da confiança.

Atos 10,47: “Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?”.

(Veja no verso acima que Cornélio e sua família já haviam recebido Espírito Santo antes de serem batizados)

Talvez alguém objete: Por que, pois, Ananias dizia a Paulo que lavasse seus pecados pelo batismo, se pela virtude do próprio batismo os pecados não são lavados?

Atos 22,16: “E agora, por que te demoras? Levanta-te, recebe o batismo e lava os teus pecados, invocando o nome dele”.

Respondo: o que ele diz é que recebemos, obtemos e adquirimos o que, consoante o senso de nossa fé, nos é exibido pelo Senhor, seja quando primeiro atesta isto, seja quando é atestado, mais e mais seguramente o confirma.

Daí, Ananias só quis dizer isto: “Para que estejas certo, ó Saulo, de que teus pecados já foram perdoados eu te batizo; como o Senhor, no batismo, promete a remissão dos pecados, recebe-a e fica tranquilo.”

Entretanto, não tenho a intenção de minimizar a eficácia do batismo, dizendo que a coisa significada e a verdade não estão unidas no batismo, até onde Deus opera através de meios externos.

Não obstante, afirmo que deste sacramento, como de todos os demais, nada obtemos senão até onde o recebemos em virtude da fé.

Se não há fé, ela será uma evidência de nossa ingratidão, de sorte que seremos pronunciados culpados diante de Deus, porque fomos incrédulos para com a promessa ali dada. Mas, até onde o batismo é o símbolo de nossa própria confissão de fé, nele devemos testificar que nossa confiança está na misericórdia de Deus e nossa pureza na remissão dos pecados, a qual nos foi adquirida por intermédio de Jesus Cristo; e que nós ingressamos na Igreja de Deus para que vivamos unânimes com todos os fiéis em um consenso único de fé e amor. Paulo teve em vista este último pontoquando diz que todos nós fomos batizados em um só Espírito, para que sejamos um só corpo.

1 Coríntios 12,13: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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