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Literatura clássica

O HOMEM INVISÍVEL – H. G. WELLS

Quem não gostaria de experimentar as sensações de ser invisível? Subtrair-se ao olhar de seus semelhantes, que delícia! Ser livre para bisbilhotar sem ser pressentido, desvendar segredos e presenciar atos e fatos que normalmente se ocultam a todos, que perspectiva sedutora! A idéia de ser invisível acarreta uma noção de extrema liberdade, de livre-arbítrio, e traz consigo a de impunidade, pois o indivíduo se furtaria não só à vista dos homens como à lei e à justiça.
O Homem Invisível, de H. G. Wells, mostra, porém, como essa liberdade e essa impunidade são ilusórias. Griffin, o físico que inventa um meio de se tornar invisível, deixando-se embriagar pela noção do incrível poder de que dispõe, percebe de imediato o outro lado da questão: em pleno inverno, só pode andar nu para não se denunciar, o que lhe provoca espirros e gripe; vê-se obrigado a usar permanentemente máscara e roupas para “existir” e comunicar-se com o mundo; não consegue, e em grande parte devido a seu gênio irascível, estar em boas relações com ninguém, o que lhe frustra as
ambições de ser “reconhecido” como gênio e como uma pessoa especial. Ao invés disso, é caçado como um marginal da pior espécie, um inimigo público, o símbolo da maldade e da estranheza que o homem comum enxerga em tudo aquilo que não compreende.
E ele próprio, por fim, parece aceitar e desejar essa marginalidade. Mais ainda: ciente de que a invisibilidade é uma força, um poder de que se acha investido, sonha com um reinado de Terror sobre as pequenas aldeias que atravessa. Todavia, tendo se acumpliciado com um vagabundo ao qual confia os livros em que estão escritos os seus trabalhos e a fórmula secreta, em código, de como se fazer invisível, vê-se roubado e recorre a um antigo
companheiro de faculdade, a quem conta seu segredo, e que o atraiçoa chamando a polícia. Na perseguição que se segue, o Homem Invisível é morto, e seu corpo vai aos poucos aparecendo aos olhos de todos.
Não se trata de um romance escrito apenas para entretenimento. H. G. Wells não se limita a desenvolver uma história, seu propósito é fazer o leitor refletir. O fim trágico de Griffin, quando dispunha de um invento revolucionário que poderia ser utilizado em favor de todos, revela a incompreensão desse mesmo invento não só de parte do público mas também do próprio inventor, que pretendia usá-lo em proveito exclusivamente pessoal. Em vez da glória e do poder, Griffin obtém apenas o ódio, o medo e a repugnância. E como todo ser de exceção, é visto com
temor e desconfiança.
Aliás, o leitor habitual de Wells já deve ter percebido que em seus romances de antecipação, desde A Máquina do Tempo, Wells coloca o problema da dificuldade ou mesmo da total incomunicação do ser dito excepcional com seus semelhantes. Em 0 Homem Invisível esta incomunicação atinge o limite da rejeição total com a perseguição e morte do inventor. E o fato de caracterizar Griffin como um albino contribui naturalmente para reforçar essa idéia. Griffin já era, antes de sua descoberta, um ser de exceção, um marginal dentro da sociedade, estigmatizado pelo seu mal incurável.
O que provavelmente o fez tão irritadiço e certamente colaborou para a sua ruína.

MESTRES DO HORROR E DA FANTASIA
H.G.WELLS

De repente, o estranho ergueu as mãos enluvadas e cerradas, bateu com os pés no chão e gritou:
— Pare! — com tal violência que silenciou-a instantaneamente.
— A senhora não sabe — disse ele — quem sou
e o que sou. Vou lhe mostrar. Por Deus! Vou lhe mostrar. — Colocou então a mão espalmada sobre o rosto e retirou-a. O centro de seu rosto tornou-se uma cavidade negra. — Tome — disse. Adiantou-se e entregou à sra. Hall algo que ela, de olhos fixos no rosto metamorfoseado, aceitou automaticamente. Então, quando viu o que era, deu um grito agudo, deixou-o cair e recuou, cambaleando. O nariz — era o nariz do estranho! rosado e brilhante — rolou para o chão.
Depois tirou os óculos e todos os presentes arquejaram convulsivamente. Tirou o chapéu e, com um gesto brusco, puxou as suíças e as ataduras. Por um momento estas resistiram. O súbito arrepio de um pressentimento terrível percorreu o bar. — Oh, meu Deus! — exclamou alguém. Então, elas se soltaram.
Francisco Alves
qualidade há mais de um século

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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