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Apocalipse

O LIVRO DE DANIEL – RESUMO

O LIVRO DE DANIEL

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Por: Helio Clemente

 

O livro de Daniel é formado por duas partes, a primeira parte é essencialmente narrativa e tem um propósito didático, orientado a demonstrar que a sabedoria e o poder de Deus estão infinitamente acima de toda possibilidade e compreensão humanas.

Daniel, um dos jovens judeus levados para a Babilônia, uma vez na Babilônia, Daniel e os seus três companheiros, Hananias, Misael e Azarias (respectivamente chamados por Nabucodonosor de Beltessazar, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego), são educados de maneira especial, Daniel aprende o idioma e a literatura do Império Neobabilônico e logo se destaca pela sua sabedoria extraordinária e pela firmeza das suas convicções. Ele e os seus amigos, fiéis ao Deus de Israel, se negam a aceitar qualquer tipo de favor que os leve a quebrar as prescrições rituais do Judaísmo.

Essa estrita fidelidade aos seus princípios religiosos os obrigam a enfrentar riscos de morte, dos quais são livrados pela mão do Senhor. Quanto à sabedoria de Daniel, esta se evidencia quando Deus lhe concede que descubra e interprete os sonhos de Nabucodonosor e também que, na presença de outro rei, Belsazar, decifre o escrito feito na parede por uma mão misteriosa.

A segunda parte contém uma série de visões simbólicas em linguagem apocalíptica que ampliam e desenvolvem certas noções já esboçadas na primeira seção. A primeira visão, de quatro animais monstruosos que sobem do mar representam os grandes impérios que sucessivamente dominam o mundo, mas o Senhor, posteriormente, os deixará sem poder e destruirá por completo. Conforme João Calvino, estas visões de Daniel devem ser interpretadas em relação a um futuro recente, que termina com a destruição do templo de Jerusalém pelos romanos no ano 70 d.C.

1 – Histórias de Daniel e dos seus companheiros:

Daniel 1,3-4: “Disse o rei a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda a sabedoria, doutos em ciência, versados no conhecimento e que fossem competentes para assistirem no palácio do rei e lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus”.

Daniel 2,1: “No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, teve este um sonho; o seu espírito se perturbou, e passou-se-lhe o sono”.

Daniel 2,19: “Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; Daniel bendisse o Deus do céu”.

Daniel 4,34-35: “Mas ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos ao céu, tornou-me a vir o entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?”

Daniel 5,25-28: “Esta, pois, é a escritura que se traçou: MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Esta é a interpretação daquilo: MENE: Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. TEQUEL: Pesado foste na balança e achado em falta. PERES: Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas”.

2 – Visões apocalípticas (conforme comentários de João Calvino):

a – Os quatro animais:

Daniel 7,2-3: “Falou Daniel e disse: Eu estava olhando, durante a minha visão da noite, e eis que os quatro ventos do céu agitavam o mar Grande. Quatro animais, grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar”.

Os quatro animais simbolizam quatro impérios, o primeiro é o babilônico, o segundo os persas, o terceiro o império macedônico e o quarto o império romano.

Este quarto animal, que simboliza o império romano, tinha dez chifres: estes chifres simbolizam a divisão em províncias, cada uma com um governador e muito poder.

O chifre pequeno: este chifre pequeno são os césares romanos, começando com Júlio César, pois antes disto os imperadores eram cônsules totalmente sujeitos ao senado.

A destruição do império romano – 7,11: “Então, estive olhando, por causa da voz das insolentes palavras que o chifre proferia; estive olhando e vi que o animal foi morto, e o seu corpo desfeito e entregue para ser queimado”.

A visão do Filho do Homem – 7,13-14: “Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem, e dirigiu-se ao Ancião de Dias, e o fizeram chegar até ele. Foi-lhe dado domínio, e glória, e o reino, para que os povos, nações e homens de todas as línguas o servissem; o seu domínio é domínio eterno, que não passará, e o seu reino jamais será destruído”.

b – O carneiro e o bode:

8,3-4: “Então, levantei os olhos e vi, e eis que, diante do rio, estava um carneiro, o qual tinha dois chifres, e os dois chifres eram altos, mas um, mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte, e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir, nem havia quem pudesse livrar-se do seu poder; ele, porém, fazia segundo a sua vontade e, assim, se engrandecia”.

O carneiro é o império persa, e os dois chifres os impérios babilônicos e persa que se uniram em um só reino. As marradas do carneiro eram os países conquistados em todas as direções e nenhum deles podia resistir ao império persa.

8,5-6: “Estando eu observando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; este bode tinha um chifre notável entre os olhos; dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, o qual eu tinha visto diante do rio; e correu contra ele com todo o seu furioso poder”.

O bode é Alexandre, que derrotou o império babilônico/persa rápida e furiosamente. O chifre único do bode é o império grego, do qual Alexandre foi feito General Supremo. Após sua morte – “o grande chifre foi arrancado” – surgiram em seu lugar quatro outros chifres, que são os quatro generais de Alexandre que dividiram entre si o seu império.

O chifre pequeno que teve origem nos quatro chifres é Antíoco Epifânio, este chifre é chamado de pequeno não por causa do poder de Antíoco, mas pelo seu caráter desprezível. Antíoco perseguiu duramente a igreja de Israel com arrogância inusitada e com todas as forças e artifícios ao seu alcance para perverter a religião.

3 – Oração de Daniel:

9,18: “Inclina, ó Deus meu, os ouvidos e ouve; abre os olhos e olha para a nossa desolação e para a cidade que é chamada pelo teu nome, porque não lançamos as nossas súplicas perante a tua face fiados em nossas justiças, mas em tuas muitas misericórdias”.

Nesta oração pelo povo de Israel, Daniel reconhece a todos como pecadores que não merecem o amor de Deus, e pede pela misericórdia de Deus sem consideração da justiça própria do povo e de cada um deles, incluindo a si mesmo nesta situação.

4 – O mensageiro do céu:

9,24: “Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo e sobre a tua santa cidade, para fazer cessar a transgressão, para dar fim aos pecados, para expiar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, para selar a visão e a profecia e para ungir o Santo dos Santos”.

Esta promessa refere-se a algo mais excelente do que tudo o que havia até então, segundo Calvino a previsão aqui referida é o advento de Cristo.

9,25-26: “Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar e para edificar Jerusalém, até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessenta e duas semanas; as praças e as circunvalações se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido e já não estará; e o povo de um príncipe que há de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será num dilúvio, e até ao fim haverá guerra; desolações são determinadas”.

Desde a saída da ordem para restaurar… até ao Ungido, refere-se ao período do édito de libertação dos judeus da babilônia até o batismo de Cristo.

As sete semanas: Ciro permitiu aos judeus reconstruir o templo, os fundamentos foram lançados, mas quando Ciro saiu para guerrear contra a Citia, os judeus tiveram que paralisar a construção por 46 anos, somados aos três anos em que foram lançados os fundamentos temos 49 anos, as sete semanas.

As sessenta e duas semanas: Ao final do reinado de Ciro até o batismo de Cristo decorreram 480 anos, as sessenta e duas semanas, com alguma aproximação, que Calvino considera normal nas profecias.

No capítulo onze as profecias anteriores são repetidas de forma abreviada.

7 – Deus preserva sua igreja:

12,1: “Nesse tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe, o defensor dos filhos do teu povo, e haverá tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até àquele tempo; mas, naquele tempo, será salvo o teu povo, todo aquele que for achado inscrito no livro”.

Ainda segundo Calvino, esta profecia refere-se à perseguição que a igreja de Deus sofre em todos os tempos, e o segundo período refere-se à salvação dos eleitos de Deus.

12,2: “Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno”.

Aqui o anjo estende a preservação dos filhos de Deus, desde o início da pregação do evangelho até a ressurreição final.

6 – O tempo do fim:

12,7: “Ouvi o homem vestido de linho, que estava sobre as águas do rio, quando levantou a mão direita e a esquerda ao céu e jurou, por aquele que vive eternamente, que isso seria depois de um tempo, dois tempos e metade de um tempo. E, quando se acabar a destruição do poder do povo santo, estas coisas todas se cumprirão”.

Um tempo, dois tempos e meio tempo, estas palavras se referem a um longo tempo, indefinido e a finalidade é que o povo de Deus tenha paciência e esperança na tribulação que fatalmente virá sobre a igreja de Deus.

12,10: “Muitos serão purificados, embranquecidos e provados; mas os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão”.

Aqui vemos novamente a separação dos eleitos, que serão purificados, e dos réprobos, que procederão perversamente.

12,11: “Depois do tempo em que o sacrifício diário for tirado, e posta a abominação desoladora, haverá ainda mil duzentos e noventa dias”.

O tempo em que o sacrifício for tirado: o início da pregação do evangelho, a partir deste período não haveria mais necessidade do sacrifício diário, pois o sacrifício de Cristo é único e eterno. 1290 dias é também tomado por Calvino como um tempo metafórico, um longo período de perseguição e tribulação que deve ser suportado com paciência.

12,12: “Bem-aventurado o que espera e chega até mil trezentos e trinta e cinco dias”.

Novamente conforme Calvino, este período de tempo se refere ao mesmo período do verso anterior, também exortando os cristãos a terem paciência na tribulação e confiar unicamente em Cristo para a salvação e perseverança na fé.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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