Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

ESTATÍSTICAS

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até novembro de 2018:
1.040.321
Total de páginas visitadas até novembro 2018:
2.664.026

Mais Baixados

Doutrina da salvação

O PACTO DE DEUS COM OS HOMENS – HELIO

O PACTO DE DEUS COM OS HOMENS

vivendopelapalavra.com

Por: Helio Clemente

 

O pacto de Deus com os homens é estabelecido de forma unilateral na eternidade, sendo consequência da sabedoria e vontade soberana do Criador. Este pacto não tem razão em qualquer necessidade ou carência de Deus, mas é feito exclusivamente em benefício de seus eleitos, e apesar da determinação divina, a responsabilidade do homem é inalienável em toda sua existência terrena.

Rev. Herman Hoeksema: “É então evidente que o pacto de Deus não pode ser apresentado como um mero caminho de salvação, ou como um caminho para a vida, mas como a forma mais alta possível de toda vida e bem-aventurança… O pacto não pode ser apresentado como algo incidental, mas como o mais alto propósito da revelação de Deus ao redor do qual todas as coisas no conselho de Deus se concentram e para o qual todas elas são adaptadas”.

Confissão de Fé de Westminster – Capítulo VII, seção I – Os benefícios do pacto:

Tão grande é a distância entre Deus e a criatura, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como ao seu Criador, nunca poderiam fruir nada dele como bem-aventurança e recompensa, senão pela voluntária condescendência da parte de Deus, a qual foi ele servido significar por meio de um pacto.

Isaías 40,13-14: “Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo, e lhe ensinou sabedoria, e lhe mostrou o caminho de entendimento?”

O protótipo do pacto encontra-se na relação perfeita entre as pessoas da Trindade, a relação pactual entre Deus e o homem foi estabelecida por Deus na eternidade e existe antes da criação do mundo.

O PACTO DE PAZ

Os pactos para redenção e salvação do homem são estabelecidos entre o Deus triúno e as pessoas individuais da Trindade. O Pai é o representante da Trindade ofendida, o Filho provê a aquisição da redenção e o Espírito aplica e opera a salvação: Este é o Pacto de Paz, que precede (em ordem lógica e não temporal) todos os outros.

A aliança da Redenção (Pactum Salutis):

É a aliança realizada entre o Pai e o Filho, o Pai representando a Trindade ofendida, e o Filho representando os pecadores eleitos com vistas à sua redenção. Baseada nesta Aliança da Redenção é estabelecida a Aliança da Graça entre Deus e os pecadores eleitos.

As várias alianças são expostas separadamente em vista das épocas e pessoas diferentes participando de forma direta, mas a aliança de Deus com os homens é eterna e única, baseada sempre na graça de Deus e não na capacidade do homem, toda e qualquer separação teológica das alianças visa somente o melhor entendimento por parte dos homens.

Redenção:

O termo “redenção” quando aplicado à obra de Cristo não significa simplesmente uma liberação, mas neste caso tem o significado de uma liberação por compra. Desta forma, a redenção é uma liberação por resgate, não é uma liberação por autoridade, poder, influência moral, exemplo ou ensinamento, mas, o resgate do pecador pago com o sangue do Eterno Filho de Deus, este foi o preço do resgate.

A posição de Cristo na aliança:

Pela Aliança da Redenção, Cristo se torna o fiador de todas as alianças, que na verdade constituem uma única aliança ministrada de formas diversas conforme a época de sua revelação.

Cristo assumiu na eternidade, antes da fundação do mundo, a responsabilidade pelo cumprimento das obrigações legais de seu povo e da propiciação da ira de Deus em lugar dos pecadores eleitos, sofrendo em si mesmo a punição devida a estes pecadores. É de extrema importância lembrar que Jesus Cristo assumiu a culpa pelos pecados de seu povo, mas não assumiu o pecado em si.

2 Coríntios 5:,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

Todos os cristãos justificados estão livres da culpa e consequente punição do pecado, mas não estão livres do pecado em si mesmo, todos os homens, justificados ou não, continuam pecadores até o fim desta vida terrena.

Nesta situação ele é o representante de todos os que lhe foram dados pelo Pai, sendo que o seu trabalho como fiador de um povo é de redenção incondicional, tanto para os que morreram antes de sua exaltação, como depois. A Aliança da Redenção é eterna, assim como todos os pactos firmados por Deus.

O cumprimento da lei:

A Aliança da Graça não veio destituir a lei, por este motivo, Jesus cumpriu rigorosamente toda a lei que Adão não fora capaz de cumprir, através de uma vida de perfeita obediência, conseguindo desta forma cumprir o pacto da lei em lugar de seu povo, adquirindo para os pecadores eleitos a possibilidade da vida eterna em comunhão com Deus.

A redenção limitada:

O Decreto da Eleição precede em ordem lógica a Aliança da Redenção. Desta forma, a obra de Cristo, apesar de ter validade infinita, é limitada pelo decreto anterior, que é o da eleição, sendo, como consequência, aplicada somente aos eleitos. Da mesma forma, a aliança da graça precede à fé, que passa a ser uma exigência desta aliança, mas em vista da incapacidade do homem, Deus provê todas as condições e circunstâncias a fim de que o seu povo escolhido participe eternamente da aliança.

Assim, ao mesmo tempo em que a fé passa a ser uma exigência da aliança, Deus provê aos seus eleitos a fé necessária à participação segura na aliança como um dom eterno e inalienável, de modo que o crente possa gozar de todos os benefícios provindos da aliança.

A participação do homem na aliança:

A participação na aliança é uma relação legal, estabelecida unilateralmente por Deus no Decreto da Eleição, esta relação, todavia, não se constitui em uma série de normas e exigências a serem cumpridas, mas ela resulta em uma fé eficaz que conduz o pecador a uma comunhão viva e real com Deus. O fato de todos os meios conducentes a isso serem providos por Deus não invalida a condição da aliança, mas ao contrário, por este motivo a aliança se torna eterna e incorruptível por estar livre da infidelidade e inconstância própria do homem.

A aliança e a igreja:

Embora os filhos dos crentes e os religiosos não regenerados participem das atividades litúrgicas e dos trabalhos da igreja, não significa que eles fazem, ou venham um dia a fazer parte da aliança. Não existem, de forma alguma, direitos ou méritos estabelecidos por quaisquer condições que provenham dos homens ou da igreja, somente Deus conhece os seus eleitos e o momento em que serão chamados.

A quebra da aliança:

Não existe possibilidade do pecador eleito, chamado por Deus, romper a aliança, pois o chamado é eficaz e a aliança eterna, aqueles que apostatam da fé em caráter definitivo, nunca foram chamados, nunca foram conhecidos por Deus.

Este verso abaixo, em Hebreus, retrata o destino daqueles que recebem uma iluminação parcial e que trabalham de forma infiel e temporária na obra de Deus (conforme alguns comentaristas este verso também pode estar se referindo à total impossibilidade de alguém que já recebeu a justificação vir a perdê-la).

Hebreus 10,29: “De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?”.

AS REVELAÇÕES DA ALIANÇA

Adão e Eva:

O pacto existe, na verdade, desde a criação do homem, representado por uma relação de amizade entre Deus e o homem, ao expulsar o casal primevo do Éden, Deus faz a primeira revelação formal do pacto, colocando inimizade entre o homem e a serpente e prometendo o redentor (Cristo) na semente da mulher.

Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência
(do demônio) e o seu descendente (Cristo). Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Deus aplica aqui, sua graça regeneradora ao transformar o relacionamento de Eva com Satanás em inimizade. Esta relação de amizade/inimizade estende-se às descendências dos homens. Aqui Deus estabelece claramente dois povos em função desta aliança: Os filhos do demônio e os filhos de Deus.

João 8,44: “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira”.

1 João 3,10: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica justiça não procede de Deus, nem aquele que não ama a seu irmão”.

Noé:

Em Noé, Deus faz a aliança da natureza, prometendo bênçãos temporais que garantem a subsistência do homem na terra. É preciso ver que, como as obras estão debaixo da aliança da graça, também a aliança da natureza é fruto da graça de Deus.

Abraão:

Antes de Abraão não havia uma formalização da aliança, aqui a aliança é estabelecida de maneira formal e representada fisicamente pela ordenança da circuncisão. Esta aliança define um povo separado e a promessa do redentor, que seria da semente de Abraão.

Desta forma pode-se comparar a aliança abraâmica com a criação da igreja: O povo separado por Deus, sendo a circuncisão o equivalente primário do batismo e o redentor, eternamente o mesmo – o Verbo encarnado – através do qual os crentes de todos os tempos podem alcançar a redenção.

Nesta aliança, a fé passa a ser exercida como penhor da aliança por parte do homem. Pode-se ver, desta forma, que a aliança estabelecida com Abraão foi a aliança da graça, onde as bênçãos espirituais são transmitidas aos descendentes espirituais de Abraão, sejam eles judeus ou gentios.

Gênesis 15,5-6: “Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade. Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça”.

O homem é incapaz de exercer o penhor da aliança por sua própria capacidade, criando em si a fé salvadora, por este motivo, Deus provê para o homem todos os meios que conduzem à redenção, infundindo, pelo Espírito, a fé nos seus escolhidos que são justificados e destinados à salvação.

O Pacto de Obras:

A lei moral de Deus foi dada ao homem primeiramente como pacto: Adão recebeu a lei de Deus como o pacto de obras. Por meio deste pacto, Adão e todos os seus descendentes por geração ordinária estão obrigados à obediência pessoal, integral, exata e perpétua; a vida foi prometida mediante a condição do cumprimento do pacto e a morte no caso da violação do pacto.

Gênesis 2,16-17: “E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”.

O primeiro pacto foi o Pacto de Obras e exigiu de Adão o cumprimento da ordem divina, ele foi estabelecido por Deus e trouxe a Adão a obrigação da obediência sem questionamento: Pela obediência foi prometida a vida e pela quebra do pacto a morte.

A ameaça de morte não se referia à morte física, a partir da queda Adão foi excluído da comunhão divina; a vida consistia na comunhão com Deus, e a morte provinda deste ato de desobediência, constitui-se na culpa e na vocação natural ao pecado e ao encerramento da única fonte de vida: A comunhão com Deus.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

O pacto de obras serve para mostrar que todos os homens e mulheres, geneticamente presentes em Adão e Eva, viveriam de acordo com as leis do mundo, conforme a natureza pecaminosa resultante da queda, e por este motivo, desprovidos do desejo e da capacidade para restabelecer a comunhão perdida.

Oséias 6,7: “Mas eles transgrediram a aliança, como Adão; eles se portaram aleivosamente contra mim”.

Este pacto de obras se desenvolve ao longo de toda a história do povo judeu, e se cristaliza na Lei de Deus que foi dada a Moisés, todavia, todas as formas e manifestações do pacto de obras somente mostram a total incapacidade do homem em cumprir a Lei de Deus. Pela lei, o homem só veio a conhecer o pecado, Adão não tinha pecado, somente veio a pecar através do mandamento.

Romanos 3,20-21: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas”.

O estabelecimento da Lei:

A aliança mosaica é fundamentalmente a mesma aliança firmada desde o princípio, sendo a continuidade da aliança com Abraão, agora em forma de um pacto nacional, em forma de lei, que envolve todo o povo hebreu.

Esta aliança foi mal interpretada pelos sacerdotes e pelo povo, resultando em uma religião formal e legalista, apegada aos detalhes e minúcias da lei, quando na verdade, a lei deveria estar completamente subordinada à aliança da graça: O amor a Deus precede todas as normas da lei.

Deuteronômio 11,1: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, e todos os dias guardarás os seus preceitos, os seus estatutos, os seus juízos e os seus mandamentos”.

A lei é aquilo que obriga a consciência e impõe obrigação moral em todas as suas exigências, a lei de Deus impõe obrigação moral e exigência para toda a humanidade.

As leis dos homens são válidas dentro das limitações políticas, históricas e geográficas existentes de forma natural, todavia, em todos os casos a única base das leis é a moralidade que provém da vontade de Deus, pois não existe outra exigência moral que obrigue a consciência inata do homem.

Em qualquer dos casos a lei representa uma série de regras estabelecidas de forma autoritativa por um poder acima de todas as coisas a ele submetidas, afim de ordenar, regular e direcionar o relacionamento das pessoas com este poder estabelecido e entre si mesmas.

Deste modo, o cumprimento da lei, tanto de Deus quanto dos homens, não depende da capacidade, liberdade ou conhecimento das pessoas a ela submetidas, mas à simples existência da lei e de um poder capaz de legislar e julgar os infratores.

Ora, se o homem é obrigado a aceitar a responsabilidade sem questionamento diante da lei civil, porque o homem religioso, em geral, se recusa a aceitar o mesmo fato com relação à lei de Deus, que é em todas as circunstâncias superior à lei dos homens?

Não adianta procurar subterfúgios, negando os efeitos da queda ou a soberania absoluta e cabal de Deus, o fato é um só: A responsabilidade não pressupõe liberdade em nenhuma situação, seja na lei civil, militar, trabalhista, ou, infinitamente com mais razão, na lei de Deus.

Por todos estes motivos, a autoridade da Lei moral tem origem unicamente na soberania de Deus, motivo que a eleva acima de toda e qualquer legislação política, civil, social ou religiosa proveniente de governos, sociedades ou religiões específicas, ou seja:

A tradição, autoridade ou justiça proveniente de homens, governos ou religiões não se sobrepõe em nenhuma hipótese à lei moral preconizada na Escritura:

A obediência do cristão às leis civis, militares, políticas e principalmente religiosas é sempre limitada à lei moral revelada na Escritura.

Atos 5,29: “Então, Pedro e os demais apóstolos afirmaram: Antes, importa obedecer a Deus do que aos homens”.

A lei moral obriga todos a lhe prestar obediência para sempre, tanto as pessoas justificadas como as reprovadas, tanto quanto à matéria nela contida, como pelo respeito à autoridade de Deus que a deu. O cumprimento da lei de Deus não pressupõe a liberdade de escolha do homem, mas a simples existência da lei.

Cristo não desfaz a lei, antes, cumpre de forma perfeita toda a lei moral em lugar dos eleitos.

Mateus 5,18: “Porque em verdade vos digo: até que o céu e a terra passem, nem um i ou um til jamais passará da Lei, até que tudo se cumpra

Os animais irracionais agem por instinto, eles não tem noção de moralidade, bondade ou maldade em seus atos, não conseguem imaginar a presença de um ser superior através das obras da natureza, mas agem por instinto ou necessidade. Em contrapartida ao que é chamado de criação inferior, Deus trouxe o homem ao mundo como uma criatura moral, esta foi a razão do pacto – o estabelecimento da lei moral.

Este pacto de obras, como todos os outros pactos estabelecidos em forma de lei ou obras vieram somente demonstrar a total incapacidade do homem para cumprir a lei de Deus.

Já foi visto anteriormente o significado do pacto de Deus com o homem, o pacto é o princípio da lei de Deus, por esta lei é exigida a perfeita e absoluta obediência do homem.

O estabelecimento da lei nunca visou a salvação, pois no caso de Adão e Eva eles não tinham pecado algum, mas através da lei eles vieram a conhecer o pecado, a praticá-lo e a sofrer o castigo devido, além de propagar os efeitos catastróficos da queda à toda humanidade.

Romanos 3,20: “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”.

Esta lei foi apresentada a Moisés de forma detalhada, porém o princípio da lei é o mesmo eternamente: A perfeita obediência do homem. A lei serviu, desde o início, para mostrar a fragilidade e incompetência do homem, que jamais conseguirá a perfeita obediência; ao longo de todo Velho Testamento ninguém foi justificado por obras da lei.

Podemos ver isto claramente no Velho Testamento, uma vez que todas as propiciações e perdão de pecados eram feitas através de ofertas, sacrifícios e aspersões, nunca através de exigência de obras ou penitências.

Qual então a utilidade da lei? Toda a lei moral e cerimonial aponta para Cristo, para a necessidade de uma nova aliança, onde o próprio Deus proverá a salvação do homem, a finalidade da lei foi conduzir a história do povo de Deus para esta nova aliança da graça.

Gálatas 3,24-25: “De maneira que a lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé. Mas, tendo vindo a fé, já não permanecemos subordinados ao aio”.

Como Deus considera a lei cumprida pelos homens?

O apóstolo Pedro diz em sua primeira carta:

1 Pedro 1,16: “Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”.

Este verso de Pedro traz um decreto de Deus, um decreto impossível de ser cumprido pelo homem quando se encara a santidade como desenvolvimento de qualidades morais perfeitas.

Felizmente, esta santidade é corretamente traduzida do grego com o sentido de separação e não de qualificação moral.

Desta forma a santidade do povo de Deus se torna possível, pois representa um povo separado por Deus, mas não um povo dotado de perfeição moral.

Amós 3,2: “De todas as famílias da terra, somente a vós outros vos escolhi; portanto, eu vos punirei por todas as vossas iniquidades”.

Mas, apesar desta incapacidade moral do homem o decreto continua válido eternamente pela única e suficiente vontade soberana de Deus, os réprobos, incapazes de cumprir a lei serão condenados ao castigo eterno, os eleitos, igualmente incapazes de cumprir a lei, serão justificados pela vida de perfeita obediência de Cristo e separados para Deus que os justifica e adota como filhos em nome de Cristo, que cumpriu a lei rigorosamente em lugar de seu povo.

O Pacto da Graça

O homem é incapaz de cumprir a Lei de Deus. Ninguém jamais foi salvo pelas obras da lei, desta forma aprouve a Deus colocar, em seu devido tempo, uma nova aliança que não dependesse da cooperação do homem, que é falho e mutável em seus propósitos. Este novo concerto mantém todos os compromissos estabelecidos no pacto das obras e na lei mosaica, não apresentando redução dos compromissos, pois Deus é perfeito e eterno, assim o pacto deveria ser cumprido de forma perfeita.

Somente Deus poderia realizar este feito, assim, o Verbo de Deus, a segunda pessoa da Trindade, assumiu a natureza humana através da encarnação e tornou-se perfeito homem e perfeito Deus, capaz de cumprir de forma cabal e definitiva a perfeita obediência em lugar de seu povo, livrando-o da culpa do pecado, e pela sua morte vicária e sacrificial propiciar a ira de Deus que pesava sobre este povo, quitando a dívida de forma absoluta e reatando, desta forma, a comunhão perdida em Adão.

João 19,30: “Quando, pois, Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado! E, inclinando a cabeça, rendeu o espírito”.

O Novo Testamento:

A aliança da graça na dispensação do Novo Testamento vem corrigir o erro em que os judeus incorreram ao criar uma religião formal e legalista totalmente destituída da graça de Deus.

O Novo Testamento traz aos homens a revelação suprema de Deus na encarnação do Verbo – Jesus Cristo – que pela sua vida de perfeita obediência cumpriu todas as formalidades da lei em lugar de seu povo, mas, tendo sempre em primeiro lugar a graça de Deus, que sem ab-rogar a lei, sobrepõe-se às obras da lei.

Além de cumprir rigorosamente todas as normas legais em benefício de seu povo, Cristo também propiciou a ira de Deus pela sua morte vicária e sacrificial, e de tudo teve de Deus a aceitação pela sua ressurreição e exaltação.

A aliança da graça nada mais é que a realização do pacto de obras por Cristo, que se ofereceu em lugar do seu povo, e assim, tornou-se o fiador da nova aliança.

1 Coríntios 15,22: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo”.

O ponto de vista arminiano (o livre-arbítrio), considera que os efeitos da queda ficaram restritos a Adão e afirma que o homem é capaz, por si mesmo, de escolher e conseguir a salvação, ou ainda, de uma forma mais sutil, que a graça de Deus é oferecida indistintamente a todos os homens, sob a condição de desenvolvimento da fé e obediência evangélica por estes mesmos homens. Desta forma, transformam o Pacto da Graça, novamente, em pacto de obras, onde a fé e a obediência substituem as obras da lei na condição de mérito próprio atribuído ao homem.

Efésios 2,5: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, pela graça sois salvos”.

A pá de cal que reduz esta ideia arminiana ao absurdo é o raciocínio lógico: Através do pecado de Adão, o homem, tendo demonstrado sua incapacidade de cumprir o pacto de obras, por esta incapacidade, fica livre deste pacto. Desta forma, o homem consegue obter a liberdade de suas obrigações para com Deus através do pecado, assim sendo, o homem, escravo do pecado, irá pecar mais e mais se tornando completamente incapaz de fazer o bem, e por este motivo tornar-se-ia, por este argumento, completamente livre de toda responsabilidade moral.

Pelo raciocínio arminiano, o pacto da graça é transformado em uma simples continuidade do pacto de obras excluindo a responsabilidade do homem, onde Jesus é visto como um mero exemplo de vida a ser imitado. Esta é uma heresia cruel que surgiu no quinto século da era cristã através de Pelágio, um monge inglês que veio para Roma, e apesar de condenada pela igreja, persistiu em várias forma mais sutis e ressurgiu após a reforma através de Tiago Armínio e seus seguidores, os remonstrantes, persistindo e crescendo assustadoramente até os dias atuais, onde se constitui na maior ameaça à igreja de Cristo.

Todavia, a Escritura revela de forma incontestável que a fé salvífica, resultante do Pacto da Graça, é um dom de Deus que provém da salvação e não constitui mérito humano.

Efésios 2,8-9: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”.

Esta pretensa fé dos arminianos, que se origina no esforço humano, nada representa para a salvação destes falsos religiosos, mas servirá certamente para condená-los e torná-los indesculpáveis perante Deus.

No capítulo sete de Mateus, Jesus faz um paralelo claro entre os eleitos e os réprobos comparando a boa árvore e a má árvore; os bons frutos somente provém da árvore que foi destinada por Deus a produzi-los, e os maus frutos, igualmente, da árvore destinada por Deus para este fim. Uma árvore não pode mudar sua natureza e por consequência a natureza de seus frutos, esta é uma comparação inequívoca aos escolhidos de Deus.

Mateus 7,17-18: “Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons”.

Na sequência deste capítulo, Jesus continua neste assunto, referindo-se ao que aguarda estes crentes vaidosos e cheios de justiça própria no Juízo Final.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

O apóstolo Paulo explica claramente na carta aos Efésios o que são as boas obras do crente, e elas são muito obviamente atribuídas a Deus e não aos homens.

Efésios 2,10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.

A.A. Hodge: “A fé não é uma obra que Cristo condescende, no evangelho, aceitar no lugar da perfeita obediência como base da salvação”.

O pacto é eterno

O pacto de Deus com os homens foi realizado na eternidade, envolvendo todas as pessoas da Trindade conforme a atribuição de cada um na realização deste plano. Na redenção prevista no Pacto da Graça, todos os fatos relativos ao plano de redenção existem de forma imutável e eterna na mente do Pai e do Filho e do Espírito.

Deus determina o plano de redenção: Como seria realizada e aplicada a salvação, uma vez que o homem é incapaz. Desta forma, o Pai é o representante da Trindade ofendida e escolhe os seus eleitos antes da criação do mundo, o Verbo é o redentor dos eleitos e o Espírito é o operador da salvação nos eleitos.

Qualquer adição ou supressão nesta sequência da salvação, seja minimizando os fatos bíblicos, tais como a queda, a divindade de Cristo, a soberania de Deus ou a operação do Espírito, visando conceder ao homem a participação ou cooperação no plano eterno de Deus, constitui-se em abominação e na maioria dos casos na ocorrência do pecado imperdoável, onde é substituída a operação do Espírito pela perseverança do homem.

Os homens vivem em um mundo temporal e não conseguem definir e aceitar as coisas que procedem fora do tempo. Todavia, na eternidade o tempo não existe, lá, tudo está realizado plenamente em um presente único, abrangendo todas as coisas e acontecimentos em todos os tempos, incluindo os acontecimentos no tempo de duração do universo criado e todos os acontecimentos além do tempo de duração deste universo e todas as coisas que não aconteceram, mas teriam sido possíveis de acontecer no universo ou fora dele.

Assim, as determinações eternas de Deus não estão sujeitas a mudança ou variação, permanecendo ao longo do tempo exatamente como determinadas na eternidade.

Tiago 1,17: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”.

Desta forma, a redenção não depende da aceitação, cooperação ou justiça própria do homem, pois os Decretos Eternos, que se realizam no tempo, foram estabelecidos na eternidade e não estão sujeitos a mudanças ou variação. Aliás, nada, no universo criado ou fora dele, está sujeito a variação em seu acontecimento, pois não existe o acaso, todas as coisas foram determinadas por Deus na eternidade e não poderia jamais ser diferente, pois Deus é imutável e onisciente, e assim têm que ser os seus Decretos, pois Deus não pode negar a si mesmo.

2 Timóteo 2,13: “Se somos infiéis, ele permanece fiel, pois de maneira nenhuma pode negar-se a si mesmo”.

O pacto da Graça e a Lei

Resta ainda analisar a relação existente entre o Pacto da Graça e a lei. Pode-se ver pela Confissão de Fé de Westminster que o Pacto da Graça e a lei estão completamente interligados pela presença de Cristo, seja nas promessas e símbolos do Velho Testamento quanto nas afirmações de Jesus no Novo Testamento.

Confissão de Fé de Westminster – Capítulo VII, Seção V – O pacto e a Lei: Este pacto, no tempo da lei, não foi administrado como no tempo do Evangelho (1). Sob a lei foi administrado por promessas, profecias, sacrifícios, pela circuncisão, pelo cordeiro pascal e outros tipos e ordenanças dadas ao povo judeu, todas estas coisas prefigurando Cristo que havia de vir (2); por aquele tempo essas coisas, pela operação do Espírito Santo, foram suficientes e eficazes para instruir e edificar os eleitos na fé do Messias prometido (3), por quem tinham plena remissão dos pecados e a vida eterna: essa dispensação chama-se Velho Testamento (4).

1 – Hebreus 1,1-2: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo”.

2 – Romanos 4,11: “E recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando ainda incircunciso; para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados, a fim de que lhes fosse imputada a justiça”.

3 – Gálatas 3,6-9: “É o caso de Abraão, que creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão”.

4 – Atos 15,10-11: “Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós? Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram”.

A Escritura afirma que todas as pessoas salvas em todos os tempos do mundo, seja na dispensação do Pacto de Obras ou na Nova Dispensação foram salvas pela graça de Deus, através da fé em Cristo. Isto se manifestou no Velho Testamento através de tipos e sombras que prefiguravam a Cristo, sendo que pelas obras da lei ninguém jamais foi ou será salvo.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

comente

Clique aqui para enviar um comentário