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Literatura clássica

O Processo – KAFKA

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SINOPSE

O Processo´ nasceu num período importante da vida de Kafka. Entre 1914 e 1915, o contato com o hebraísmo oriental, a ruptura na relação com Felice Bauer e a opção pela solidão da escrita, sua única arma contra o mundo estabelecido. Nascido claramente de motivações autobiográficas, o romance as transcende, toca problemáticas universais, torna-se uma metáfora do destino do homem. A angústia da transgressão à ordem, familiar e social, e a consciência da vacuidade opressiva desta mesma ordem são a gê nese da obra. Talvez por isso a leitura de ´O processo´ não seja fácil. É sofrida, é uma leitura que se faz com ânsia, na qual estamos sempre à espera da resolução de uma história cujo percurso é inelutável, e do qual nos escapa o sentido. No processo kafkiano, é limitada qualquer possibilidade de avanço. Ninguém nos impede, ninguém nos obriga, mas nos sentimos absorvidos pelo labirinto asfixiante e claustrofóbico. O seu processo é um auto-processo interior celebrado segundo as normas de uma incompreensível lei inspirada na religião e na sociedade (e é um processo interior sobretudo porque a vida exterior de Josef K. poderia não mudar fora do estado de detenção). Por isso assume as proporções distorcidas de uma alucinação, de uma obsessão.

Posfácio da primeira edição
A profunda e singular atitude de Franz Kafka em relação à sua obra e à
publicação dos seus escritos não destoa em nada das suas restantes
manifestações. Não se pode, seriamente, atribuir uma importância exagerada aos problemas que ela lhe levantou; contudo, deve-se tê-los sempre presentes quando da edição póstuma das suas obras. As palavras seguintes têm como objectivo dar, ainda que de uma maneira aproximada, a possibilidade de se fazer um juízo sobre esse assunto:
Quase tudo quanto Kafka publicou foi-lhe tirado por mim à custa de astúcia
e persuasão. Não quer isto dizer que, repetidas vezes durante longos períodos da sua vida, escrever (Kafka dizia sempre “garatujar”) não tenha sido para ele motivo de muita felicidade. Quem, na pequena roda de amigos? pôde ouvi-lo ler a sua própria prosa com aquele fogo arrebatador e aquele ritmo cuja vida actor algum jamais conseguirá alcançar, sentiu imediatamente que por detrás desta obra se erguiam a paixão e o indomável prazer de criar. O repúdio que, apesar disso, sentiu por ela, assenta, em primeiro lugar, em certas experiências tristes que o levaram à sabotagem de si mesmo e portanto ao nulismo para com a sua própria obra, mas também, independentemente disso, no facto de ele nela pôr (sem nunca o dizer) o mais elevado critério religioso a que, no entanto, arrancado a confusões de toda a ordem, não pôde corresponder.
Que a sua obra, apesar disso, tivesse podido ser uma forte ajuda para os
muitos que aspiram à fé, à natureza, à perfeita saúde moral, nada disso tinha qualquer importância para este homem que, com uma inexorável gravidade, procurava para si próprio o caminho certo e que se aconselhava a si antes de aconselhar os outros.
Interpreto assim a atitude negativa de Kafka para com a sua própria obra.
Falava muitas vezes nas “Mãos falsas que se estendem a uma pessoa enquanto escreve” e dizia que o que já escrevera e publicara o desorientava no seu trabalho subsequente. Antes que um livro seu aparecesse era preciso vencer muitas resistências. Não obstante, os seus belos livros já concluídos e, por vezes, o efeito que eles produziam causavam-lhe verdadeira alegria, havendo alturas em que encarava a sua pessoa e a sua própria obra com olhares mais benevolentes, nunca completamente despidos de ironia, embora de uma ironia amável, de uma ironia por detrás da qual se ocultava o imenso patético do homem sem compromisso que forceja por atingir o mais elevado dos objectivos.
Não se encontrou qualquer testamento no espólio literário de Franz Kafka.
Na sua secretária encontrou-se, entre muitos outros papéis, um bilhete escrito a tinta com a minha direcção. O bilhete tem o seguinte texto:

Querido Max,
Este é o meu último pedido: tudo quanto em forma de diários, manuscritos,
cartas, minhas e de outros? desenhos, etc, for encontrado nas coisas que deixo (portanto na estante, no armário, na secretária, em casa, no escritório ou seja onde for) deve ser queimado integralmente e sem ser lido, assim como todos os escritos ou desenhos que tu ou outras pessoas, a quem em meu nome os pedirás, tenham em seu poder. As pessoas que não queiram entregar-te quaisquer cartas que possuam, devem, pelo menos, comprometer-se a queimá-las.
Teu Franz Kafka
Numa busca mais meticulosa encontrei outra folha, escrita a lápis,
amarelecida e, sem qualquer dúvida, mais antiga. Dizia:
Querido Max
Talvez desta feita já não me levante; a Julgar pela febre pulmonar que tive
este mês, é muito provável que me sobrevenha uma pneumonia e não é o facto de o escrever que a afugentará, embora isso tenha um certo poder. Caso essa hipótese se confirme, é esta a minha última vontade em relação aos meus escritos:
De tudo quanto escrevi? apenas podem ser conservados os livros: “Urteil”,
“Heizer”, “Verwandlung”, “Strafkolonie”, “Landarzt” e a novela
“Hungerkünstler”. (A meia dúzia de exemplares da “Betrachtung” podem ficar, não quero dar a ninguém o trabalho de os amachucar, embora daí nada deva voltar a ser impresso). Quando digo que aqueles cinco livros e a novela podem ser conservados, não quero dizer com isso que deseje que voltem a ser impressos e sejam transmitidos à posteridade; pelo contrário, se acabarem por se perder, tal facto irá ao encontro dos meus desejos. Simplesmente, uma vez que eles existem, quem quiser conservá-los pode fazê-lo, não o impeço. Por outro lado, todos os meus escritos, sem excepção (aparecidos em revistas ou sob a forma de manuscritos ou cartas), tanto os que possas apanhar à mão como os que consigas obter por meio de pedidos aos possuidores (conheces sem dúvida a maior parte deles, trata-se especialmente de…, não esqueças sobretudo uma meia dúzia de cadernos que… tem)  tudo isto deve ser queimado, sem excepção e de preferência sem ser lido (contudo, não me oponho a que lhes dês uma vista de olhos, embora gostasse mais que o não fizesses, em todo o caso ninguém mais o
deve fazer)  tudo isto deve ser integralmente queimado e o mais depressa
possível, é isso que te peço.
Franz

Se, contudo, perante estas disposições tão categóricas, me recuso a levar a
cabo o acto erostrático que o meu amigo me pede, é porque disponho da mais concludente das razões.
Algumas delas estão fora de qualquer debate público. Todavia, as que posso
apresentar chegam, penso, para fazer compreender a minha resolução,.
Eis a razão principal: quando em 1921 mudei de profissão, disse ao meu
amigo que tinha feito um testamento no qual lhe pedia que destruísse
determinadas coisas, examinasse outras, etc.
A isto respondeu-me Kafka, ao mesmo tempo que me mostrava o bilhete
que mais tarde se encontrou na sua secretária: “O meu testamento será
extremamente simples, peço-te que queimes tudo.” Lembro-me ainda
perfeitamente da resposta que nessa altura lhe dei: “Digo-te já que se me exigires a seno tal coisa não executarei o teu pedido.”
Toda a conversa se desenrolou naquele tom de gracejo que era usual entre
nós, embora por detrás dele, escondida, houvesse a gravidade que cada um de nós pressupunha existir no outro. Convencido de que a minha recusa fora dita a sério, deveria Franz ter escolhido outro executor testamentário, se a sua própria disposição tivesse sido, não só incondicional, mas também a consequência de uma última resolução tomada com toda a gravidade.
Não lhe agradeço ter-me arrojado para este difícil caso de consciência que
ele forçosamente tinha de prever, pois conhecia a veneração fanática que eu manifestava por todas as suas palavras e que, durante os vinte anos da nossa amizade, jamais ensombrada, foi o motivo (entre outros) que me levou a nunca atirar fora, quer o mais insignificante bilhete, quer qualquer postal ilustrado que dele recebesse.
Que as minhas palavras “não lhe agradeço” não sejam mal interpretadas!
Que peso tem um caso de consciência, ainda que difícil, em face da infinita
felicidade que devo ao amigo que foi o verdadeiro eixo de toda a minha
existência intelectual.
Outras razões: ele próprio não cumpriu a ordem dada na folha escrita a
lápis, pois, mais tarde, deu expressamente autorização para que fossem
reproduzidas num jornal partes da “Betrachtung” e publicadas mais três novelas que reunira ao “Hungerkünstler” e entregara às edições “Die Schmiede”. Ambas as disposições têm a sua origem numa altura mais recuada em que as tendências autocríticas do meu amigo tinham atingido o auge. No seu último ano de vida, porém, toda a sua existência tornara uma direcção inesperada, nova, feliz e positiva, que desmentia o seu milismo e o ódio que a si próprio votava. De resto, a resolução que tomei de publicar o seu espólio literário é facilitada, não só pela recordação de todas as lutas encarniçadas a que a publicação das suas obra me obrigou, mas também pelo facto de muitas vezes ter conseguido o meu objectivo à força de mendigar. E, não obstante, ele depois aceitava reconciliado a publicação da obra e ficava relativamente satisfeito. Por fim, numa edição póstuma, é deixada de lado uma série de motivos como, por exemplo, que a publicação podia prejudicar trabalhos subsequentes e evocava a sombra de certos períodos tristes da sua vida. Que para Kafka a não publicação das suas obras estava intimamente ligada ao problema da sua maneira de viver (problema esse que, para nossa imensa dor, já não nos preocupa) é o que se conclui de diversas conversas e da seguinte carta que me escreveu:
“[…] Os romances não acompanharão esta carta. Porquê trazer à baila
canseiras já passadas? Pela única razão de ainda não os ter queimado? Tenho esperanças de o fazer, se eu em breve vier. Qual a finalidade de conservar tais trabalhos que “até” artisticamente são outros tantos fracassos? Para ter esperanças de compor um todo com estes pedacinhos, uma espécie de tribunal de apelação a cuja porta eu poderia bater quando tivesse necessidade? Sei que isso não é possível, que daí não vem qualquer auxílio. Portanto, que vou fazer a essas coisas? Permitir que me prejudiquem, uma vez que não me podem auxiliar, como não deixará de acontecer se o que suponho se confirmar?”
Sinto com toda a clareza que subsistem razões capazes de levar pessoas particularmente escrupulosas a não publicar os escritos mencionados. Mas considero meu dever resistir a essa sedução, muito insinuante, que o escrúpulo exerce. Naturalmente, nenhum dos argumentos aduzidos determinou decisivamente a minha atitude, isso fê-lo única e exclusivamente o facto de o espólio literário de Kafka conter, não só os mais valiosos tesouros, mas também o melhor da sua obra. Tenho de confessar lealmente que esse facto, o valor literário e ético dos escritos, teria bastado (mesmo que eu não tivesse qualquer objecção a levantar à força das últimas disposições de Kafka) para determinar a minha resolução com um rigor perante o qual eu seria incapaz de opor fosse o que fosse.
Infelizmente, Franz Kafka foi, em parte, o executor do seu próprio testamento. Achei em sua casa dez grandes cadernos dos quais apenas restavam as capas, pois as folhas haviam sido totalmente destruídas. Além disso (segundo informações fidedignas), queimou diversos blocos de papel. Em sua casa encontrou-se unicamente um caderno (continha cerca de cem aforismos sobre questões religiosas), um ensaio autobiográfico, que por enquanto ainda não foi dado à estampa, e um monte de papéis em desalinho que, presente-mente, ando a pôr em ordem. Espero que nesses papéis haja várias novelas completas ou quase.
Além disso, entregaram-me uma novela (incompleta) e um livro de esboços. A parte mais preciosa do legado é constituída pelas obras que, a tempo, foram arrancadas à ira do autor e postas a salvo. São três romances. “Der Heizer”, uma novela já publicada que constitui o primeiro capítulo de um romance passado na América e de que existe também o capítulo final, de modo que não deve apresentar lacunas consideráveis. Este romance encontra-se na posse de uma amiga do falecido; os outros dois  “Das Schloss” e “Der Prozess” (O Processo)  trouxe-os eu em 1920 e 1923 pua minha casa, o que para mim é hoje motivo de grande consolo. Essas obras chegam para demonstrar que a verdadeira importância de Franz Kafka, que, até hoje, com certa razão, foi considerado um especialista, um mestre da novela curta, reside na grande forma épica.
Mas a irradiação da personalidade mágica de Kafka não fica esgotada com
estas quatro obras, que devem dar cerca de quatro volumes de uma edição
póstuma. Se, por enquanto, não se pode pensar numa edição das cartas, que têm todas a mesma naturalidade e intensidade da sua obra literária, isso não quer dizer que não se meterá ombros à tarefa de recolher no pequeno círculo dos seus amigos tudo o que das manifestações do espírito deste homem único a memória conserva. Para citar apenas um exemplo: quantas obras, que, para minha amarga desilusão, já não se encontraram em casa de Kafka, não mas leu o meu amigo, total ou parcialmente, ou não me apresentou ele na sua estrutura! Quantos pensamentos profundos, inesquecíveis e originais, não me revelou ele. Dentro das possibilidades da minha memória e das minhas forças não permitirei que se perca seja o que for.
Em Junho de 1920, fiquei com o manuscrito de “O Processo” E pu-lo imediatamente em ordem. Não tinha título, mas Kafka em conversa intitulara-o sempre “O Processo”. A divisão em capítulos e os títulos destes são de Kafka. A ordem deles é produto do meu critério. Contudo, como o meu amigo me havia lido uma grande parte do romance, pôde o meu sentimento apoiar-se, quando da colocação em ordem dos papéis, na lembrança da leitura. Franz Kafka considerava o romance inacabado. Antes do capítulo final devia ainda descrever algumas fases do misterioso processo. Mas como este, segundo opiniões oralmente expressas pelo autor, jamais devia atingir a suprema instância, o romance era, em certo sentido, inacabável, isto é, infinitamente prolongável. Em todo o caso, os capítulos completos juntamente com o capítulo final  por meio desta a obra fica arredondada  revelam, com a maior das evidências, tanto o sentido como a forma da obra, e quem não souber que o autor pensava continuar ainda a trabalhar no seu romance (a interrupção deve-se a uma alteração da atmosfera da sua vida) mal se aperceberá das suas lacunas.
O trabalho que tive com o grande monte de papéis que aquela altura era a forma sob a qual o romance se apresentava imitou-se a separar os capítulos
completos dos incompletos. Deixo estes para o volume final da edição póstuma; não contêm nada de essencial para o desenrolar da acção. Um desses fragmentos foi introduzido pelo próprio autor no livro “Ein Landarzt” sob o título “Ein Traum”. Os capítulos completos estão aqui reunidos e ordenados. Só inclui um dos incompletos, de resto manifestamente quase terminado, com uma pequena alteração de quatro linhas: é o capítulo VIII. Claro está que não modifiquei nada no texto. Limitei-me a completar as numerosas abreviaturas (por exemplo: em
vez de F. B. escrevi “Fräulein Bürstner”, em vez de T. “Titorelli”) e a corrigir
alguns pequenos erros que, sem dúvida alguma, apenas ficaram no manuscrito por o autor não o ter revisto definitivamente.
M. B.

Posfácio da segunda edição
O sentido desta edição  a segunda  e as normas a que ela se submete,
são, respectivamente, diferentes do que se verificava na primeira, agora histórica.
Nessa, o objectivo era revelar um mundo obstinado, estranho e incompleto; por conseguinte, evitou-se tudo quanto acentuava o carácter fragmentário e tornava difícil a sua compreensão através da leitura. Agora, como de ano para ano esta obra se abre cada vez mais e como, sobretudo, a ciência, a teologia, a psicologia e a filologia se debruçaram sobre ela, deve preparar-se, na medida do possível, uma edição crítica contendo diversas lições.
É extremamente difícil estudar o aspecto filológico da obra de Kafka. Pois,
apesar de a linguagem de Kafka só conhecer padrão aferidor no alemão de Kleist e de J. P. Hebel, a leve influência sobre ela exercida pelo vocabulário e pela cadência próprios de Praga e da Áustria, deu-lhe um encanto especial e
insubstituível. Assim, na presente edição, tentou-se aproximar a pontuação, a maneira de escrever e a sintaxe ao que, nestes aspectos, o alemão corrente apresenta, embora tais modificações só se tenham verificado na medida em que pareceram compatíveis com a musicalidade peculiar do autor. A última instância deste processo não cabia, pois, à gramática, mas sim à leitura, repetida e em voz alta, dos parágrafos e frases até que a justeza destes surgisse com toda a evidência. Uma vez que o manuscrito na sua forma primitiva não era destinado à impressão e que o autor não o havia submetido a uma última revisão, não existe uma segurança absoluta no que se refere às passagens riscadas: muitas, depois de nova revisão, teriam sido de novo aceites. Contudo, a intenção do autor foi completamente respeitada no contexto do romance; todas as partes riscadas representando um enriquecimento, tanto de forma como de fundo, foram apresentadas em apêndice e completadas pelos capítulos que, por demasiado fragmentários, tiveram de ser eliminados da primeira edição.
Ao contrário do que se passou nessa, Manteve-se na segunda edição,
respelhando-se o original, não só a ordem das palavras como também o emprego de um vocábulo duas e três vezes na mesma frase e, em principio, em toda a parte onde não se tinha a certeza de que tal acontecera por engano do autor.
Corrigiram-se apenas os erros evidentes registados no manuscrito.
O “Capitulo VIII” da primeira edição fora concluído com uma ligeira
alteração na ordem de quatro linhas. Na presente edição, tornou-se a pôr as referidas linhas no seu lugar, e assim o capítulo é apresentado, como no original, incompleto.
M. B.

Posfácio da terceira edição
Uma ulterior revisão do manuscrito mostrou-me não ser impossível que
Kafka tenha concebido o episódio, que aqui é intitulado “Capítulo V”, como
formando o “Capítulo H”. Na verdade, Kafka atribuiu títulos aos capítulos mas não os numerou. A ordenação deles foi realizada por mim de acordo com o encadeamento das acções com indicações especiais, como sejam a repetição das palavras finais de um capítulo na página em que o novo capítulo começa. Esta deve ter sido a forma primitiva. Mais tarde, Kafka separou os diferentes capítulos e juntou, de cada vez, as últimas palavras referidas, numa cópia recheada de abreviaturas e muitas vezes também na sua própria estenografia, no fim do capítulo. Tal repetição demonstra, pelo menos, que os capítulos assim assinalados se seguiam na sua forma primitiva. Se o autor manteria ou não tal concatenação, é algo sobre que nunca deixará de pairar a dúvida.
Telavive, 1946
M. B.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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