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O Temor de Jonas

As únicas informações que temos sobre Jonas é que ele era um profeta de Israel, filho de Amitai, também desconhecido, e natural de Gate-Hefer, que predisse a vitória de Jeroboão II sobre a Síria.

2 Reis 14,25: “Restabeleceu ele os limites de Israel, desde a entrada de Hamate até ao mar da Planície, segundo a palavra do SENHOR, Deus de Israel, a qual falara por intermédio de seu servo Jonas, filho de Amitai, o profeta, o qual era de Gate-Hefer”.

O livro de Jonas: Este livro consiste em uma espécie de relato biográfico, relata as aventuras protagonizadas pelo profeta, que, contra a sua vontade é enviado por Deus para cumprir em Nínive a árdua tarefa de anunciar aos seus habitantes que, ao final de quarenta dias, a cidade seria destruída caso não se arrependessem.

A narrativa apresenta Nínive como paradigma do pecado, aos olhos de Deus, a maldade, ali, cresceu a ponto de já ter sido decretado o seu castigo iminente.

Jonas 1,1-2: “Veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim”.

Jonas: Podemos fazer uma comparação entre Jonas e outros profetas do Antigo Testamento que também relutaram em aceitar a missão que Deus lhes confiava: Moisés, Elias, Jeremias e outros, recorrendo a possíveis razões de incompetência, debilidade ou temor, tentaram eximir-se da responsabilidade que Deus colocava sobre os seus ombros.

Jeremias 1,6: “Então, lhe disse eu: ah! SENHOR Deus! Eis que não sei falar, porque não passo de uma criança”.

Mas Jonas foi o profeta que, com maior tenacidade, manteve a sua recusa, pois ele não pretendia anunciar a mensagem de Deus na Assíria, ele sabia que os seus moradores poderiam se arrepender dos seus pecados, e não queria que fossem salvos, pois os Assírios eram os maiores inimigos de Israel.

Ele também tinha medo que os Assírios, sabendo ser ele judeu, o matassem, por isso desobedeceu e busca na fuga a maneira de escapar de sua responsabilidade, ao invés de seguir o caminho por terra em direção à Assíria, embarca em um navio rumo a Társis.

Jonas 1,3: “Jonas se dispôs, mas para fugir da presença do SENHOR, para Társis; e, tendo descido a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem e embarcou nele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR”.

Mas, ninguém foge do chamado de Deus, o navio em que Jonas embarcou foi fustigado por tempestade e ondas gigantescas varriam o convés do navio que já estava prestes a naufragar.

Os marinheiros perceberam que a tormenta fora de época tinha origem sobrenatural e tiraram a sorte para ver a quem cabia o desastre – coube a Jonas, que foi atirado ao mar.

Jonas 1, 11-12: “Disseram-lhe: Que te faremos, para que o mar se nos acalme? Porque o mar se ia tornando cada vez mais tempestuoso. Respondeu-lhes: Tomai-me e lançai-me ao mar, e o mar se aquietará, porque eu sei que, por minha causa, vos sobreveio esta grande tempestade”.

Jonas, que não tivera medo de confessar a sua nacionalidade e a sua fé, e que até mesmo não tivera dúvida em oferecer a sua vida para que outros se salvassem. Temia, no entanto, perder o seu prestígio de profeta e ficar mal aos olhos do povo de Israel, e preferia a morte a continuar vivendo depois do que considerava o fracasso da sua missão.

Este é o desespero todos os que se preocupam com a honra e glória entre os homens e fogem da presença do Senhor. Mas Deus mantém seu plano para Jonas, e assim que ele caiu ao mar, um grande peixe o engoliu.

Jonas 1,17: “Deparou o SENHOR um grande peixe, para que tragasse a Jonas; e esteve Jonas três dias e três noites no ventre do peixe”.

No ventre do peixe, Jonas lembra-se do seu Deus e ora.

Jonas 2,1: “Então, Jonas, do ventre do peixe, orou ao SENHOR, seu Deus”.

Ele estava apavorado no ventre do peixe e achava que ia morrer, e ali, naquele momento de desespero ele se lembra de toda sua vida, do seu relacionamento com Deus e finalmente reconhece que se entregar a sua própria vontade nada mais é que idolatria, pois a vontade de Deus é soberana na salvação e condenação do homem, e ele clama:

Jonas 2,8-9: “Os que se entregam à idolatria vã abandonam aquele que lhes é misericordioso. Mas, com a voz do agradecimento, eu te oferecerei sacrifício; o que votei pagarei. Ao SENHOR pertence a salvação!”

Jonas não trazia consigo nenhum amuleto, nenhuma imagem, nenhum símbolo, mas reconhece em si a idolatria, o que tinha feito ele cair em si?

A idolatria se constitui em qualquer coisa que coloquemos em lugar da vontade de Deus, no caso de Jonas e de grande parte dos religiosos, esta idolatria está no seu ego, na sua vontade própria que obscurece os preceitos divinos faz o homem pensar que é senhor de sua vida.

Felizmente isso só existe nos vãos pensamentos daquele que não aceita a soberania de Deus. Mas a meditação de Jonas teve fim, pois o peixe o deixou nas proximidades de Nínive.

Jonas 2,10: “Falou, pois, o SENHOR ao peixe, e este vomitou a Jonas na terra”.

Estando Jonas em terra, veio novamente a ele a Palavra do Senhor ordenando novamente que ele fosse a Nínive proclamar a mensagem de Deus.

Jonas 3,1-2: “Veio a palavra do SENHOR, segunda vez, a Jonas, dizendo: Dispõe-te, vai à grande cidade de Nínive e proclama contra ela a mensagem que eu te digo”.

Quando se viu forçado a ir a Nínive e transmitir a mensagem de que era portador, começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava em toda cidade.

Jonas 3,4: “Começou Jonas a percorrer a cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida.

O Senhor havia mudado o coração de Jonas, ele relata aqui a sua ida a Nínive em obediência à ordem de Deus e descreve quão fielmente cumpriu o dever que lhe fora imposto, obedecendo assim à palavra do Senhor. Por causa disso Jonas veio e passou a percorrer a cidade e a pregar desde o primeiro dia.

Tal disposição prova claramente o quanto ele se esforçou para obedecer ao se desincumbir da sua missão. Se restasse ainda algum temor no seu coração, ele teria inspecionado a cidade para saber onde era menos perigoso.

Vemos agora o quanto estava disposto na sua obediência, essa liberdade mostra que Jonas estava isento de todo medo e dotado de uma ousadia de espírito tão grande que ele se colocava acima de todos os obstáculos, pois tinha sido fortalecido pelo Espírito do Senhor.

Jonas 3,5: “Os ninivitas creram em Deus, e proclamaram um jejum, e vestiram-se de panos de saco, desde o maior até o menor”.

Mas ao mesmo tempo, ficou profundamente desapontado quando viu que as ameaças de destruição não se cumpriram. Doeu-lhe o fato de os ninivitas terem se convertido da sua má conduta, ao passo que os israelitas recusavam-se a ouvir os profetas de Deus.

Jonas 4,1: “Com isso, desgostou-se Jonas extremamente e ficou irado”.

Na figura de Jonas revela-se o israelita típico, para quem a salvação era um privilégio outorgado por Deus exclusivamente ao povo hebreu, mas o desenrolar da narrativa conduz à conclusão oposta de que Deus não faz diferença entre raça, sexo ou condição social das pessoas que foram por Ele destinadas à salvação.

Estes exemplos no livro de Jonas, da permanência no ventre do peixe por três dias e da salvação dos ninivitas constituem prenúncios, no Velho Testamento, da salvação em Cristo, que se estenderia a toda tribo, raça ou nação.

Apocalipse 5,9: “E entoavam novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”.

Jonas então se retira para um monte e fica a observar a cidade à sombra de uma planta, Deus manda um verme, que devore rapidamente a planta, o que causa comoção em Jonas, que fica extremamente aborrecido pela planta.

Jonas 4,9: “Então, perguntou Deus a Jonas: É razoável essa tua ira por causa da planta? Ele respondeu: É razoável a minha ira até à morte”.

Jonas contende com Deus, mas em seguida a isto, ele recebe a reprimenda de Deus, que compara a planta à população de Nínive, onde existiam cento e vinte mil crianças e pessoas sem conhecimento que não mereciam a condenação.

Este final lembra também que Deus ordena ao homem que cuide dos animais e da natureza.

Jonas 4,10-11: “Tornou o SENHOR: Tens compaixão da planta que te não custou trabalho, a qual não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?”.

Este livro tem notável valor simbólico e mostra que Deus domina o mundo inteiro: o céu, o mar, a terra, os animais e os seres humanos, este exemplo dos ninivitas foi relembrado por Jesus no Novo Testamento.

Lucas 11,32: “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas”.

Quando alguns escribas e fariseus lhe pediram que fizesse um sinal sobrenatural, Jesus, relacionando a sua própria morte com a história do profeta, responde-lhes que não daria outro sinal senão o de Jonas: Permanecer três dias no ventre da terra.

Por isso vemos que todas as coisas no Velho Testamento são tipos e simbolismos que apontam unicamente para Cristo, o evangelho é toda a bíblia e o filho de Deus ama a Palavra tanto quanto ama a Deus.

Oração: Concede, ó Deus onipotente, que assim como há em nós tanto temor que nenhum de nós está disposto a ir aonde nos chama, que aprendamos com o exemplo de Jonas, a nos dispor à plena obediência e mesmo que o mundo se oponha, sejamos fortalecidos na confiança no teu poder, para que te obedeçamos e o teu nome seja glorificado em nós, para que nos tornemos participantes da glória à qual nos convidas mediante Cristo, nosso único Senhor. Amém.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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