Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

ESTATÍSTICAS

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até julho de 2019:
1.110.412
Total de páginas visitadas até julho 2019:
3.029.139

Mais Baixados

Comentários Bíblicos

OSÉIAS 4,6

OSÉIAS 4,6: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.

Apresentamos abaixo o comentário de João Calvino a respeito deste verso em referência. Esta análise se faz urgente e necessária, visto que os mesmos motivos apresentados por Calvino persistem nos dias de hoje.

Os ministros religiosos recusam ao povo o conhecimento do verdadeiro Deus, com a plena concordância dos membros de suas igrejas que não querem ser advertidos, mas querem ser agradados e preservados em suas doutrinas humanistas, cultuando um deus de sua imaginação conforme os desejos de seu coração: O evangelismo utilitário.

Romanos 1,25: “Pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!”.

A grande verdade é que o crescimento astronômico das modernas denominações evangélicas seguiu-se à translação das promessas de Cristo: Esquecendo o mundo do porvir trouxeram-nas ao mundo material, é isto que os modernos religiosos procuram hoje em suas igrejas – bem estar e prosperidade em lugar do conhecimento de Deus.

COMENTÁRIO – OSÉIAS 4,6 – JOÃO CALVINO:

Aqui o Profeta, evidentemente, toca na ociosidade dos sacerdotes, a quem o Senhor, como é bem conhecido, pusera sobre o povo. Pois, conquanto isto não pudesse servir para desculpar o povo ou atenuar sua culpa — que os sacerdotes fossem negligentes —, todavia, o Profeta, com justiça, invectiva contra esse por não haver desempenhado a obrigação designada por Deus.

Contudo, o que é dito não se aplica só aos sacerdotes; pois Deus, ao mesmo tempo, indiretamente censura a cegueira voluntária do povo. Pois como sucedeu isso, que a instrução pura não predominasse entre os israelitas, senão que o povo particularmente desejasse que aquela não predominasse?

A ignorância deles então, como dizem, era crassa; como é o caso de muitos homens ímpios hoje, que não só amam as trevas, mas ainda a estabelecemem todo o seu derredor, para que tenham alguma escusa para a sua ignorância.

Deus aqui, então, em primeiro lugar, ataca os clérigos, mas também inclui o povo todo; pois o ensinamento não vogava, como deveria vogar, entre esse. O Senhor também vitupera os israelitas pela ingratidão; pois acendera no meio deles a luz da sabedoria celestial; visto como a lei, como é bem sabido, devia ter sido suficiente para dirigir os homens no caminho reto.

Foi pois como se Deus mesmo refulgisse de fato do céu, quando lhes deu sua lei. Como, então, os israelitas pereceram pela ignorância? Precisamente porque cerraram seus olhos à luz celestial, porque não condescenderam em se tornarem educáveis de modo a aprenderem a sabedoria do Pai eterno.

Por isso, vemos que a culpa do povo, como foi bem dito, não é aqui mitigada, mas que Deus, ao contrário, queixa-se de que esse malignamente suprimira o ensino da lei: pois ela era idônea para guiá-los. O povo perecia sem conhecimento porque queria perecer.

Porém, o Profeta anuncia vingança sobre os sacerdotes e também sobre o povo todo: Porque o conhecimento tens tu rejeitado, ele diz, eu também a ti rejeitarei, para que o sacerdócio, tu não desempenhes mais para mim. Isso é especificamente endereçado aos sacerdotes: o Senhor os acusa de haverem rejeitado o conhecimento.

Mas o conhecimento, como diz Malaquias, era para ser buscado dos lábios deles; e Moisés também toca no mesmo ponto em Deuteronômio.

Malaquias 2,7: “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da sua boca devem os homens procurar a instrução, porque ele é mensageiro do SENHOR dos Exércitos”.

Deuteronômio 4,8-10: “E que grande nação há que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que eu hoje vos proponho? Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos”.

Era, pois, uma maldade extrema nos sacerdotes, como se desejassem subverter a ordem sagrada de Deus, quando procuravam a glória e a dignidade do ofício sem o ofício em si mesmo.

Tu te esqueceste da lei de teu Deus, eu também me esquecerei de teus filhos. Ora, tal culpa era indubitavelmente a que dizia respeito a todo povo;ninguém estava isento desse pecado e tal esquecimento era apropriadamente imputado ao povo inteiro. Pois como aconteceu que os sacerdotes, de modo remisso, houvessem sacudido de seus ombros o ônus de instruir o povo? Precisamente porque o povo não estava disposto a ter seus ouvidos molestados: pois os ímpios reclamam que os servos de Deus são importunos quando, diariamente, bradam contra os vícios deles.

Consequentemente, o povo prazerosamente entrou em trégua com seus mestres, para que não desempenhassem o ofício deles: assim, o oblívio (esquecimento) da lei de Deus furtivamente se introduziu.

Então, assim como o Profeta anunciara sobre os sacerdotes a punição, também ele agora assegura a todo o povo que Deus traria um julgamento horrível sobre cada um deles, de modo que abandonaria a raça de Abraão: Eu me esquecerei, ele diz, de teus filhos. Por que isso? O Senhor fizera uma aliança com Abraão, a qual tinha de continuar e ser confirmada à posteridade dele: eles se afastaram da autêntica fé, viraram filhos bastardos; então Deus verdadeiramente atesta aqui que tinha uma causa justa pela qual não mais contaria esse povo degenerado entre os filhos de Abraão.

Como assim? “Pois vós tendes olvidado minha lei”, diz ele:

“Tivesses lembrado dela, eu também teria mantido meu pacto convosco, mas não mais me lembrarei dele, pois vós o tendes violado. Vossos filhos, por isso, não merecem estar sob uma tal aliança, visto que povo sois vós”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

comente

Clique aqui para enviar um comentário