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PASTORAIS

Prefácio à Edição em Português

Ser pastor significa conduzir o rebanho, esforçando-se por prover-lhe o alimento e por oferecer-lhe a proteção contra os perigos. Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou esta palavra para descrever sua própria obra, sendo sempre, Ele mesmo, o sumo Pastor e Bispo sob quem os homens são chamados a pastorear “o rebanho de Deus”. É preciso apascentar as ovelhas, apartar os bodes, afugentar os lobos, e postar-se alerta em relação ao salteador e ao mercenário. Ao dar pastores à sua Igreja, Cristo, através do ministério da Palavra exercido por eles, equipa todo o seu povo para os ministérios variados. Isto será de grande benefício para aqueles que exercem o seu ministério com fidelidade, assim como para aqueles que o recebem.
Um tema urgente e importante é a recuperação do ministério pastoral reformado. Uma das áreas grandemente responsáveis pelo atual enfraquecimento do testemunho evangélico tem a ver com este aspecto. Temos hoje grande necessidade de referência pastoral, e talvez até de modelos pastorais em igrejas locais. Precisamos urgentemente resgatar um entendimento bíblico aplicado ao ministério pastoral.
João Calvino é um dos principais responsáveis pela restauração do presbiterato, o que lhe custou muitas lutas. Essa ação de Calvino foi decisiva para remover o pó que, em camadas sucessivas, encobria o ministério pastoral. Para o reformador, a vida da Igreja é ordenada de cima, visto que a Cabeça dela é o Senhor Jesus Cristo. Por determinação do Pai, de uma maneira suprema e soberana, nEle está investido o poder de chamar, instituir, ordenar e governar a Igreja. E Cristo atua por intermédio do Espírito Santo, distribuindo os dons. A igreja, organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste de oficiais e membros. Calvino encontrou as tarefas do pastor em toda a Bíblia. Especificamente, ele observou que “o ensino e o exemplo do Novo Testamento estabelecem a natureza e a obra do pastora- do no chamado e no ensino dos apóstolos”. Isso, afirmou ele, faz com que a determinação da obra ministerial na igreja seja um aspecto importante da teologia.
Para Calvino, onde a Palavra de Deus não é honrada, não há igreja. E a Bíblia é a Palavra de Deus inspirada e revelada em linguagem humana e confirmada ao cristão pelo testemunho interior do Espírito Santo. O Senhor Jesus Cristo, o redentor, – foco central dos escritos e pregação de João Calvino – é revelado nas Escrituras Sagradas. E, à medida que Deus revelou a si mesmo em Jesus Cristo, torna-se crucial reverenciar e interpretar, corretamente, o único meio através do qual se pode obter o pleno e definitivo acesso a Deus – as Escrituras. Pelo fato de Jesus Cristo ser conhecido somente através dos registros bíblicos, assegura-se, assim, a centralidade e a indispensabilidade das Escrituras, tanto para o teólogo quanto para os fiéis.
Calvino dedicou-se laboriosamente a comentar as Escrituras Sagradas. O seu volume de comentários nas Pastorais é o nosso particular interesse aqui. Lançado anteriormente em português por Edições Parácletos, este volume é reeditado pela Editora Fiel, valendo-se da esmerada tradução de Valter Graciano Martins, e acrescido agora das notas publicadas na edição da Baker Book House, que contém citações que remetem aos originais no idioma francês, para o texto bíblico latino e para alguns desenvolvimentos presentes nos sermões de Calvino. Nos comentários, o maior exegeta do século XVI recorre a seu excelente conhecimento do grego e a seu treinamento profundo na filosofia humanista. Ao transmitir-nos este legado, Calvino reve- la ainda a sua dívida para com os exegetas clássicos dos tempos patrísticos. A despeito de tudo isto, todo o trabalho exegético é marcado por um lado pela brevidade e, por outro, pela clareza deste “estudioso pobre e tímido”, como descreveu a si mesmo. Além disso, como alguém já tem salientado, cumpre lembrar que os comentários de Calvino não foram “escritos numa torre de marfim, mas contra um contexto tumultuado”.
As quatro cartas comentadas por Calvino nesse volume foram dirigi- das a pessoas, enquanto que as outras cartas paulinas foram destinadas a igrejas. São quatro cartas, incontestavelmente, bastante pessoais. Além das Epístolas a Timóteo e a Tito, soma este volume o comentário sobre a única carta pertencente à correspondência privada de Paulo que se tem encontrado: Filemom. Apesar de muito breve, é um texto de grande encanto e beleza, e que tem atraído a atenção de respeitados comentadores. Muito íntima, é uma epístola que nos leva para bem perto do coração de Paulo. Ela exibe uma terna ilustração de como o evangelho opera nos co- rações e frutifica em boas obras.
Entretanto, ainda que à primeira vista sejam privadas e pessoais, as chamadas Epístolas Pastorais têm um significado e uma importância que vão muito além da mera referência pessoal. Em sua introdução à Primeira Epístola a Timóteo, Calvino chega a dizer: “Em minha opinião, esta epístola foi escrita mais por causa de outros do que por causa de Timóteo mesmo”. Na introdução à Epístola a Tito ele infere que “esta não é tanto uma carta específica dirigida a Tito, mas uma epístola pública destinada aos cretenses”. Em harmonia com a erudição bíblica moderna, ele as via como cartas públicas sobre a ordem da igreja, identificando, com clareza, o significado eclesiástico destas epístolas. Tertuliano já dissera que Paulo escreveu “duas cartas a Timóteo e uma a Tito, com respeito ao estado da Igreja {de ecclesiastico statu)”. E um título que estas epístolas receberam fora o de Cartas Pontifícias, visto que pontifex é sacerdote, o que exerce diretiva religiosa. Não obstante a sua inadequação, tal título já chamava a atenção para o aspecto do governo eclesiástico. Tomás de Aquino, escrevendo acerca da Primeira Epístola a Timóteo, menciona-a como se fosse “uma regra pastoral que o Apóstolo deu a Timóteo”. Em sua introdução à Segunda Epístola, ele escreve: “Na primeira Carta a Timóteo, são dadas instruções acerca da ordem eclesiástica; na segunda refere-se ao cuidado pastoral”. Assim, estas três cartas, que formam um grupo distinto na coletânea de escritos paulinos, receberam o título que se popularizou desde a obra de Paul Anton em 1726, a saber, o de “As Epístolas Pastorais”. Nas três epístolas dirigidas a jovens ministros, a supervisão do rebanho é uma preocupação constante, revelando o grande interesse apostólico pelos deveres dos que são chamados para apascentar o rebanho de Deus.
Nas Epístolas Pastorais o apóstolo faz a sua despedida final, profunda- mente comovedora. Nelas lançamos o nosso último olhar para o operoso apóstolo da bimilenar cristandade, prestes a pôr de lado as armas, deixar o campo de batalha e ir receber a coroa de glória do vencedor em Cristo. Mesmo vergando ao peso da solidão, e ciente da proximidade da morte, ouvimos o seu brado de vitória: “Quanto a mim, estou sendo já oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom com- bate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Tm 4.6-8).
Devido ao seu supremo interesse ético muito prático, as Epístolas Pastorais são vitais para as igrejas e seus pastores. Elas são o manual inspirado para a ordem eclesiástica, contendo preciosas preocupações e passagens clássicas sobre a natureza da fé cristã e sua pureza. Sua supre- ma glória reside no fato de que elas continuamente relembram-nos que “a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando- nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente, aguardando a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus, o qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zelo- so de boas obras” (Tt 2.11-14).
Ora, se encontramos nas Pastorais as derradeiras palavras do após- tolo de Cristo aos ministros e obreiros cristãos, coloquemo-nos, pastores e igrejas, debaixo da instrução de Paulo, e valhamo-nos da exposição tão excelentemente ministrada por João Calvino.
Pr. Gilson Santos Igreja Batista da Graça São José dos Campos – SP, dezembro de 2008

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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