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Filosofia

PITÁGORAS

FILOSOFIA – PITÁGORAS

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Baseado no livro História da Filosofia de G. Reale e D. Antisseri

Revisão livre e observações por: Helio Clemente

Pitágoras nasceu em Samos. O apogeu de sua vida ocorre em torno de 530 a.C. e sua morte no inicio do séc. V a.C. Crotona foi a cidade em que Pitágoras mais operou. Mas as doutrinas pitagóricas também tiveram muita difusão em inúmeras outras cidades da Itália meridional e da Sicília: de Sibari a Reggio, de Locri a Metaponto, de Agrigento a Catilínia.

Além de filosófica e religiosa, a influência dos Pitagóricos também foi notável no campo politico. O ideal político pitagórico era uma forma de aristocracia baseada nas novas camadas dedicadas especialmente ao comércio, que haviam alcançado elevado nível nas colônias, antes ainda do que na pátria mãe. Conta-se que os crotonienses, temendo que Pitágoras quisesse tornar-se tirano da cidade, incendiaram o prédio em que ele se reunira com seus discípulos. Segundo algumas fontes, Pitágoras teria morrido nessas circunstâncias; segundo outros, porém, conseguiu fugir, vindo a morrer em Metaponto.

Muitos escritos são atribuídos a Pitágoras, mas os que chegaram até nós com seu nome são falsificações de épocas posteriores. É possível que seu ensinamento tenha sido apenas (ou predominantemente) oral. Podemos dizer muito pouco, talvez pouquíssimo, sobre o pensamento original desse pensador.

As numerosas obras de Pitágoras posteriores não têm credibilidade histórica, porque logo depois de sua morte (e talvez já nos últimos anos de sua vida), aos olhos de seus seguidores, nosso filósofo já perdera os traços humanos; era venerado quase como um deus e sua palavra tinha valor de oráculo. A expressão com que se referiam sua doutrina tornou-se muito

famosa: “ele o disse” (autos ipba; ipse dixit).

Já Aristóteles não tinha esta posição onde emigraram as antigas tribos jônicas e onde se criara uma têmpera cultural diferente. Com efeito, com clara mudança de perspectiva, os Pitagóricos indicaram o número (e os componentes do numero) como o “Principio”, ao invés da agua, do ar ou do fogo.

0 mais claro e famoso texto que resume o pensamento dos Pitagóricos é a seguinte passagem de Aristóteles, que se ocupou muito e a fundo desses filósofos:

Aristóteles: “Os Pitagóricos foram os primeiros que se dedicaram às matemáticas e as fizeram progredir. Nutridos pelas mesmas, acreditaram que os princípios delas fossem os princípios de todas as coisas que existem.

E, uma vez que nas matemáticas os números são, por sua natureza, os princípios primeiros, precisamente nos números eles acreditavam ver, mais que no fogo, na terra e na agua, muitas semelhanças com as coisas que existem e se geram; e, além disso, como viam que as notas e os acordes musicais consistiam em números; e, por fim, como todas as outras coisas, em toda a realidade, pareciam-lhes serem feitas a imagem dos números e que os números fossem aquilo que é primeiro em toda a realidade, pensaram que os elementos do numero fossem elementos de todas as coisas, e que todo o universo fosse harmonia e numero.”

À primeira vista, essa teoria pode causar estupefação. Na realidade, a descoberta de que em todas as coisas existe regularidade matemática, ou seja, numérica, deve ter produzido uma impressão tão extraordinária a ponto de levar à mudança de perspectiva da qual falamos, e que marcou uma etapa fundamental no desenvolvimento espiritual do Ocidente.

No entanto, deve ter sido determinante para isso a descoberta de que os sons e a física, à qual os Pitagóricos dedicavam grande atenção como meio de purificação e catarse, são traduzíveis em determinações numéricas, ou seja, em números:

A diversidade dos sons produzidos pelos martelos que batem na bigorna depende da diversidade de peso dos martelos (que é determinável segundo um numero), ao passo que a diversidade dos sons das cordas de um instrumento musical depende da diversidade de comprimento e espessura das cordas (que são analogamente determináveis segundo números). Além disso, os Pitagóricos descobriram as relações harmônicas de oitava, de quinta e de quarta, bem como as leis numéricas que as governam.

Não menos importante deve ter sido a descoberta da incidência determinante do numero nos fenômenos do universo: são leis numéricas que determinam os anos, as estações, os meses, os dias, e assim por diante. Mais uma vez, são leis numéricas precisas que determinam os tempos da incubação do feto nos animais, os ciclos do desenvolvimento biológico e vários fenômenos da vida.

E compreensível que, impelidos pela euforia dessas descobertas, os Pitagóricos tenham sido levados a encontrar também correspondências inexistentes entre o número e fenômenos de vários tipos. Para alguns Pitagóricos, por exemplo, a justiça, enquanto tem como característica ser uma espécie de contrapartida ou de equidade, devia coincidir com o numero 4 ou com o numero 9 (ou seja, 2 x 2 ou 3 x 3, o quadrado do primeiro numero par ou o quadrado do primeiro numero impar); a inteligência e a ciência, enquanto têm o caráter de persistência e imobilidade, deviam coincidir com o numero 1, ao passo que a opinião

mutável, que oscila em direções opostas, devia coincidir com o numero 2, e assim por diante.

De qualquer modo, é muito claro o processo pelo qua1 os Pitagóricos chegaram a por o número como principio de todas as coisas. Entretanto, o homem contemporâneo talvez tenha dificuldade para compreender profundamente o sentido dessa doutrina, caso não procure recuperar o sentido arcaico do “numero”.

Para nós, o número é uma abstração mental; para o antigo modo de pensar (até Aristóteles), porém, o número era  coisa real e até mesmo a mais real das coisas – e precisamente enquanto tal é que veio a ser considerado o “Principio” constitutivo das coisas. Assim, para eles o número não era um aspecto que mentalmente abstraímos das coisas, mas sim a própria realidade, a physis (Princípio) das próprias coisas.

A ciência pitagórica era cultivada como meio para alcançar um fim. O fim consistia na pratica de um tipo de vida apto a purificar e a libertar a alma do corpo. Pitágoras parece ter sido o primeiro filósofo a sustentar a doutrina da metempsicose, ou seja, a doutrina segundo a qua1 a alma, devido a uma culpa originária, é obrigada a reencarnar-se em sucessivas existências corpóreas (e não apenas em forma humana, mas também em formas animais) para expiar aquela culpa. Os testemunhos antigos registram, entre outras coisas, que ele dizia recordar-se de suas vidas anteriores.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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