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Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

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Cristologia

REDENÇÃO OBRA DE CRISTO – HELIO

redenção: a obra de cristo

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Por: Helio Clemente

 

a justificação

Pelo pecado de Adão, todos os seus descendentes por geração ordinária são corrompidos e incapazes de conseguir a própria salvação, o homem natural é rebelde e se opõe voluntariamente a Deus.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

O pecado de Adão foi contra o Ser infinito de Deus, o homem finito, por seus méritos e obras, jamais conseguiria, pela sua justiça própria, quitar a dívida com o Ser infinito. Por essa impossibilidade do homem, a única forma de quitação da dívida era pelo mesmo Deus ofendido, que realizou a salvação através de Jesus Cristo, o Salvador e Senhor que Ele proveu aos seus escolhidos.

Esta salvação é absolutamente eficaz para os eleitos: antes de morrer Jesus disse: está consumado! Esta palavra, no grego clássico, define uma posição legal e era carimbada nas promissórias depois de quitadas, representa, de fato, um termo legal para a quitação definitiva de uma dívida.

2 Coríntios 5,17: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; {criatura; ou criação} as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”.

Ninguém será justificado por sua piedade ou justiça própria, todos os eleitos, e somente eles, são justificados pela graça de Deus através do sacrifício substitutivo de Cristo, pelo qual eles são considerados justos, mesmo sendo pecadores, pois lhes é imputada a justiça perfeita de Cristo.

Romanos 5,1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.

A liberdade

A morte de Jesus foi vicária (assumida voluntariamente) e sacrificial (substitutiva), todos os eleitos foram redimidos pela morte de Jesus e nada mais é necessário além de receber a justificação pela exclusiva graça de Deus. Cristo libertou seu povo da maldição da lei, pois pela lei vem o conhecimento do pecado, pela graça, a salvação.

É certo que todo aquele que cumpre rigorosamente toda a lei de forma perfeita será justificado pelas obras da lei, mas nenhum homem jamais será capaz de cumprir rigorosamente a lei, pois todo aquele que tropeça em um ponto, tropeça em toda a lei. Somente Cristo, em sua vida de perfeita obediência cumpriu, em lugar dos eleitos,  toda a obediência que Adão não foi capaz de cumprir, libertando, desta forma, todo o seu povo da maldição da lei.

Efésios 2,5: “Estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, — pela graça sois salvos”.

O homem natural é inimigo de Deus, mesmo sendo religioso acredita mais em sua justiça própria que na justiça perfeita de Cristo (tome-se como exemplo os fariseus). Quando o homem recebe a justificação ele recebe também o Espírito, nisso consiste o novo nascimento, a transformação do homem através da ação do Espírito, mudando a sua mente para que a partir daquele momento ele receba o arrependimento para a vida e a fé em Cristo, que são os dons de Deus que acompanham este novo nascimento.

João 3,6-8: “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito”.

Por esta mudança, o homem, que era inimigo da cruz de Cristo, passa a desejar, de forma natural, o evangelho a os mandamentos de Cristo, sentindo grande prazer em se submeter à soberania de Deus e ao senhorio de Cristo.

Por outro lado, julgue cada um a si mesmo quanto ao senhorio de Cristo, não há porque recusar todos os prazeres e coisas criadas por Deus para deleite dos homens: As coisas belas para serem apreciadas, as coisas saborosas para serem degustadas, as coisas refinadas para serem usadas, que sejam sem malícia ou ostentação. Por outro lado, não há porque se entregar a coisas, mesmo aparentemente inocentes, que, todavia, militam contra a consciência e constrangem os irmãos mais fracos.

1 Coríntios 10,23: “Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam”.

Nisto consiste a liberdade cristã, não que o homem esteja livre dos mandamentos ou que tenha a capacidade de cumpri-los, mas que sentirá prazer em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para servir ao evangelho, sabendo que Deus é quem efetua nele tanto o querer como o realizar conforme o beneplácito de sua vontade soberana.

Os ditames da liberdade estão nos preceitos da Escritura e não na tradição da igreja ou nas ordenanças de religiosos formais e legalistas. Da mesma forma que não devemos permanecer voluntariamente aquém dos preceitos bíblicos, também não devemos aceitar imposições além destes preceitos.

Apocalipse 22,18: “Eu, a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro, testifico: Se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará os flagelos escritos neste livro”.

Calvino – Institutas, Volume III: “E de fato é assim. Nossa liberdade não nos foi dada contra nosso próximo fraco, de quem o amor nos constitui servos em todas as coisas; ela nos foi dada, sim, para que, tendo paz com Deus em nossas almas, em paz também vivamos entre os homens. Mas com respeito a fazermos escândalo aos fariseus, aprendemos das palavras do Senhor, com as quais ele ordena que não se deve levá-los em consideração, porque são cegos, guias de cegos. Os discípulos chamaram-lhe a atenção de que estes se haviam ofendido com seu discurso. Então lhes responde que eles deveriam ser ignorados, tampouco se deveria dar atenção que se escandalizassem”.

Mateus 15,12-14: “Então, aproximando-se dele os discípulos, disseram: Sabes que os fariseus, ouvindo a tua palavra, se escandalizaram? Ele, porém, respondeu: Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco”.

Para terminar este breve estudo sobre a liberdade, é importante que seja colocado com muita firmeza que esta liberdade cristã significa, acima de todas as coisas, que a consciência jamais se sujeite aos preceitos e tradições humanas em detrimento da Escritura.

Somente a Escritura é a norma de fé e vida do cristão e nada se pode sobrepor a ela, nem as leis do país onde vive nem as tradições ou conveniências dos homens ou da igreja.

Calvino – Institutas, Livro III: As funções da liberdade cristã: 

1 – “A primeira função da liberdade cristã, que as consciências dos fiéis, enquanto buscam diante de Deus confiança de sua justificação, se erguem acima da lei e esquecem toda justiça provinda dela. Ora, como já foi demonstrado em outro lugar, uma vez que a lei a ninguém faz justo, ou somos excluídos de toda esperança de justificação, ou temos de ser libertados dela, de tal sorte que não haja nenhuma consideração pelas obras humanas”. 

2 – “A segunda função da liberdade cristã, que depende da primeira, é que as consciências guardem a lei não como se coagidas pela necessidade da lei, mas, ao contrário, livres do jugo da própria lei, obedeçam espontaneamente à vontade de Deus”.

3 – “A terceira função da doutrina da liberdade cristã é que não tenhamos por obrigação diante de Deus nenhuma das coisas externas que de si são indiferentes; de modo que seja permitido usá-las ou deixar de usá-las, indiferentemente”.

Esta terceira função, tratada por Calvino, é de extrema importância; os crentes não podem e não devem ser constrangidos por coisas que não são proibidas ou previstas na Escritura, tais como: Comida, bebida, vestuário, cabelos, prática de esportes e atividades afins, profissões militares ou policiais, uso de armas para defesa própria, namoro, cinema, internet e muitos outros.

1 Timóteo 4,4: “Pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável”.

Vemos hoje, na igreja evangélica, muito das obras supererrogatórias da igreja católica, mas, cabe a cada um estabelecer o limite às suas atividades conforme a Escritura. Para isto, voltamos sempre ao ponto inicial, sem o conhecimento da Palavra ninguém consegue estabelecer limites para suas atividades, o conhecimento é o fundamento da liberdade cristã, a ponto de Jesus estabelecer que a vida eterna é o conhecimento de Deus.

O conhecimento é o fundamento da liberdade cristã:

João 17,3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Calvino comenta de maneira um tanto irônica sobre este aspecto da liberdade cristã, mas de forma extremamente didática, como se pode ver abaixo:

Calvino – Institutas, Livro III: “Se alguém começa a duvidar se porventura lhe é lícito usar linho nos lençóis, camisas, lenços, guardanapos, depois não estará seguro se pode usar cânhamo; e por fim começará inclusive a duvidar se é lícito usar estopa; pois consigo revolverá se porventura pode jantar sem guardanapos, ou se pode prescindir de lenços. Se a alguém parecer ilícito alimento um pouco mais refinado, por fim nem pão ordinário e iguarias comuns comerá tranquilo diante de Deus, enquanto vem à mente que pode sustentar o corpo com víveres ainda mais baratos. Se nutre escrúpulo de beber vinho mais suave, a seguir nem vinho estragado beberá com boa paz de consciência; por fim, nem ousará tocar em água mais doce e mais limpa que outras. Finalmente, chegará a tal ponto que, como se diz, julgará ser ilícito caminhar por sobre uma palha atravessada no caminho”.

Confissão de Fé de Westminster – Capítulo XX, Seção I – Liberdade em Cristo:

A liberdade que Cristo, sob o evangelho, comprou para os crentes consiste em serem eles libertos do delito do pecado, da ira condenatória de Deus, da maldição
da lei moral (1) e em serem livres do poder deste mundo, do cativeiro de Satanás, do domínio do pecado (2), do mal das aflições, do aguilhão da morte, da vitória da sepultura e da condenação eterna: como também em terem livre acesso a Deus, em lhe prestarem obediência, não movidos de um medo servil, mas de amor filial e espírito voluntário (3).

1 – Tito 2,14: “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade e purificar, para si mesmo, um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras”.

2 – Gálatas 1,4: “O qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai”.

3 – Hebreus 10,22: “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”.

Comentários do autor a este capítulo da CFW:

Liberdade em Cristo

Esta liberdade cristã, não significa que o homem adquire a capacidade de exercer o seu livre-arbítrio para agir em concordância com a lei de Deus. A livre agência do homem será sempre voltada para sua natureza depravada, somente a presença e operação contínua do Espírito de Deus torna o homem capaz de pensar e agir conforme os preceitos divinos.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

A lei restringe as ações dos homens e indica o castigo, não existe intenção salvífica na lei, mas apenas de coerção e punição. Já o crente, justificado pela graça, é liberto de todos os seus pecados e da maldição da lei, visto que esta foi plenamente cumprida em e por Cristo, sendo extinta a culpa pelos pecados passados, presentes e futuros do seu povo eleito. Nisso consiste a liberdade cristã.

Romanos 8,33-34: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

Calvino – Institutas, Livro III: “Além disso, o conhecimento desta liberdade nos é sumamente necessário, o qual, se estiver ausente, nossa consciência não desfrutará de nenhum descanso, e não haverá fim para as superstições. Muitos hoje nos têm por néscios visto que defendemos ser lícito comer carne, e porque afirmamos que é livre observar certos dias e o uso de vestes e outras coisas afins; mas isto encerra maior importância do que vulgarmente se crê”.

Neste capítulo foram usadas muitas das citações de Calvino, mas ele é realmente genial no tratamento desta questão, desta forma, veja abaixo mais uma vez a conclusão deste capítulo da liberdade cristã conforme Calvino:

Calvino – Institutas, Livro III: “Vemos, pois, em suma, qual é o propósito desta liberdade, a saber: que usemos as dádivas de Deus para o propósito a que nos foram dadas por ele, com nenhum escrúpulo de consciência, com nenhuma perturbação de espírito, mercê de cuja confiança nossas almas não só tenham paz com ele, mas também reconheçam sua liberalidade para conosco. Pois aqui estão compreendidas todas as cerimônias de espontânea observação, para que as consciências não sejam constrangidas a observá-las pelo impulso da necessidade; ao contrário, lembrem que, pela benevolência de Deus, seu uso lhes foi concedido para edificação dos demais”.

Romanos 14,22: A fé que tens, tem-na para ti mesmo perante Deus. Bem-aventurado é aquele que não se condena naquilo que aprova”.

O grande problema da moderna igreja evangélica é que ela aprendeu com a igreja romana que proibir é bem mais fácil que ensinar. O retorno a Roma está em andamento.

A PROPICIAÇÃO

A propiciação é algo que se faz para aplacar a ira de alguém ofendido, no caso de Deus, o homem finito jamais poderia fazer algo para aplacar a ira do Ser infinito, somente Deus poderia fazê-lo: Jesus, sendo perfeito homem e perfeito Deus realizou em lugar dos eleitos a propiciação da ira de Deus.

Expiação x propiciação:

Expiação e propiciação são termos relativos, mas conceitualmente diferentes, a expiação diz respeito à culpa, ou ao pecado, com relação ao homem pecador enquanto a propiciação diz respeito à justiça de Deus, satisfeita pelo seu Filho Eterno.

Charles Hodge: “A expiação e a propiciação são termos correlatos. O pecador, ou a sua culpa, é expiado; Deus, ou a justiça, é propiciado. A culpa, pela natureza de Deus, tem que ser visitada com castigo, o qual é a expressão do desagrado de Deus contra o pecado. A culpa é expiada, na descrição bíblica, coberta por satisfação, isto é, por castigo vicário (substitutivo)”.

A expiação do pecado e a satisfação da justiça divina torna Deus propício ao pecador. Todavia, isto não significa que Deus passa a amar o homem após estes fatos, pois Deus é imutável, ele amou aos seus enquanto eram ainda pecadores. A expiação do pecado e a propiciação da justiça divina somente fazem com que o amor de Deus aos seus eleitos se torne compatível com a lei moral, que é imutável ao longo dos séculos.

Romanos 5,8: “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.

Este é um fato primordial na crucificação, Jesus não morreu pelos homens ou por seus pecados, restando, então, parte da obra a se feita, mas Jesus morreu em lugar do seu povo, nada mais é necessário a este povo, e ao mesmo tempo, nada vai tornar possível a salvação daqueles que não foram eleitos:

Jesus morreu em lugar dos pecadores eleitos, e somente deles, para propiciação da ira de Deus, possibilitando desta forma a justificação destes pecadores pela graça divina.

O sacrifício de Jesus foi substitutivo, sendo único, perfeito e plenamente suficiente para a quitação de todos os pecados de seu povo. Nesta afirmação está implícito que o homem em nada contribui para a salvação, sendo a justiça de Cristo imputada ao crente pela graça de Deus.

Romanos 3,25: “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

O fato de que a justiça de Cristo é imputada somente ao seu povo não é devido à falta de suficiência de seu sacrifício, pois Jesus é perfeito Deus e seu sacrifício tem valor infinito, a limitação da ação salvadora deste sacrifício não é quantitativa, mas qualitativa, de acordo com o Decreto de Deus, que escolheu os seus eleitos antes da fundação do mundo.

Efésios 1,4-5: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.

A reconciliação

Como já foi dito, nenhum homem é capaz de prover a reconciliação e satisfazer o caráter santo e perfeito de Deus, somente Cristo pôde fazer isto em lugar dos eleitos, reconciliando-os definitivamente com o Pai.

Isaías 53,5: “Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados”.

Nota: A palavra “traspassado” conforme o léxico hebraico do Dr Strongs pode ser traduzida por: “deixou-se profanar”, o que revela o penoso trabalho da pessoa divina na cruz do calvário. Além desta profanação por iníquos, a pessoa de Jesus, que é o Verbo, suportou a ira e o abandono de Deus no momento de sua morte, o abandono é voltado à natureza humana, mas quem sofre é a pessoa e não a natureza, esta é a obra da reconciliação divina na cruz de Cristo.

Reconciliação significa paz, o homem natural está em constante revolta contra Deus e contra tudo que o representa nesta terra, somente através do sacrifício de Cristo a justiça de Deus é satisfeita e a misericórdia pode ser aplicada, trazendo a reconciliação e a paz eterna para os seus eleitos, que se tornam deste forma, filhos adotivos de Deus.

Romanos 5,1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. 

A NOVA VIDA

Deus prova seu amor a seus filhos, pois o pecador, que está morto em seus delitos e pecados recebe, pela justificação divina, a possibilidade de vida através do novo nascimento, pelo Espírito, independente de sua capacidade ou justiça própria. Isto somente se torna possível pelo trabalho de Cristo: Através de sua vida de perfeita obediência e de seu sacrifício vicário em lugar do seu povo ele propiciou de forma definitiva a ira de Deus, abrindo as portas para a justificação e o novo nascimento do pecador.

Deus é perfeitamente santo e justo, desta forma, a sua misericórdia jamais é aplicada sem que sua justiça seja satisfeita previamente de forma plena e cabal, por este motivo, a nova vida somente se torna possível em e através de Cristo, que cumpriu todos os requerimentos da justiça divina em lugar dos eleitos de Deus.

Efésios 2,5-6: “E estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, – pela graça sois salvos, e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”.

O PERDÃO

Todo homem é culpado perante Deus, nenhuma pessoa merece receber o perdão por nada que seja próprio dela mesma. O perdão somente é dado pela da graça de Deus em Cristo. Ninguém consegue ajudar, cooperar, aceitar ou rejeitar a graça divina, o perdão só é dado pelo cumprimento da justiça de Deus através do sacrifício e ressurreição de Jesus.

Este perdão de Deus não é dado diretamente ao pecador, de forma que o inocente, mas o eleito de Deus recebe a imputação da justiça perfeita de Cristo, ainda que continue carregando em si o peso do pecado original e dos pecados factuais que são inevitáveis.

1 João 1,8-10: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”.

Por este mesmo motivo, o perdão de Deus é perfeito e eterno, fosse o homem perdoado e teria que ser perdoado minuto a minuto, não conseguindo reter este perdão por nem um instante, todavia, sendo imputada a ele a justiça perfeita de Cristo este perdão é eterno apesar do homem continuar pecador.

O pecador eleito está destinado eternamente à salvação, mas a justificação acontece em um momento de sua vida terrena pela graça de Deus em Cristo, o novo nascimento, a partir do qual, pela ação do Espírito, o pecado não irá mais escravizar o cristão, que mesmo incapaz de evitar completamente o pecado nesta vida terrena, passa a evitá-lo e odiá-lo.

Atos 10,43: “Dele todos os profetas dão testemunho de que, por meio de seu nome, todo aquele que nele crê recebe remissão de pecados”.

A ESPERANÇA

Esta é a maior maravilha do cristianismo: A esperança. Todo aquele que acredita verdadeiramente em Cristo não vive em tristeza, não se queixa, não se aborrece, mas espera em Cristo e em novidade de vida, pois a esperança do cristão não está nesta vida terrena, mas na vida eterna em Cristo, seu único Senhor e Salvador.

1 Coríntios 15,19: “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens”.

Existem muitas definições para a esperança, porém a que melhor se enquadra na perspectiva divina é: ‘A ausência do medo’. Enquanto o homem depende de sua justiça própria e dos favores de outros homens, ele vive inseguro e temeroso, isso é inevitável pela falibilidade do próprio homem, somente quando se confia na graça de Deus e unicamente em Cristo para a salvação, o medo se vai e a esperança toma o seu lugar.

1 Pedro 1,3: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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