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ROMANOS 5,1

ROMANOS 5,1 – A FÉ CONFORME CALVINO

INSTITUTAS, VOLUME III

A FÉ É SÓLIDA CONFIANÇA NAS PROMESSAS DIVINAS E FIRME APROPRIAÇÃO DA SALVAÇÃO QUE DEUS NOS PROPICIA

Comentários e revisão do texto por Helio Clemente

Vejamos abaixo o que diz Calvino a respeito da segurança da salvação:

Aqui se revolve o principal gonzo da fé, a saber, que não julguemos que as

promessas de misericórdia que o Senhor nos oferece são verdadeiras somente fora de nós; ao contrário, que antes as façamos nossas, abraçando-as interiormente.

Romanos 5,1: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Desta admissão, afinal, nasce aquela confiança que, na Carta aos Romanos Paulo chama “paz”. Ora esta paz consiste numa segurança que acalma e tranquiliza a consciência diante do tribunal de Deus, segurança sem a qual, necessariamente, se sentiria sacudida e quase dilacerada por tumultuada perturbação, caso permita esquecer-se de Deus e de si mesma, adormecendo por um momento.

E, de fato, apenas por um momento, porque não desfruta por longo tempo desse mísero esquecimento, sem que seja lancinada pela lembrança do juízo divino que a cada passo se apresenta aos olhos da alma.

Em suma, não há nenhum outro verdadeiramente fiel senão aquele que, persuadido por sólida convicção de que Deus é seu Pai propício e benévolo, por sua benignidade lhe promete todas as coisas; e aquele que, confiando nas promessas da divina benevolência para consigo, antecipa infalível expectativa de salvação.

Como o Apóstolo assinala nestas palavras:

Hebreus 3,5-6: “E Moisés era fiel, em toda a casa de Deus, como servo, para testemunho das coisas que haviam de ser anunciadas; Cristo, porém, como Filho, em sua casa; a qual casa somos nós, se guardarmos firme, até ao fim, a ousadia e a exultação da esperança”.

Porque, ao expressar-se assim, declara que ninguém espera no Senhor como deve senão aquele que se gloria confiadamente de que é herdeiro do reino celeste.

Afirmo que ninguém é fiel senão aquele que, imbuído na certeza de sua salvação, zomba confiadamente do Diabo e da morte, como somos ensinados dessa magnífica exclamação sentenciosa de Paulo:

Romanos 8,38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Assim, o mesmo Apóstolo não julga que os olhos de nossa mente possam ser iluminados de outro modo, a não ser que divisemos claramente qual seja a esperança da herança eterna para a qual fomos chamados:

Efésios 1,17-18: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele, iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos”.

E esta é a doutrina que ensina a cada passo: Que somente compreendemos realmente a bondade de Deus quando estamos plenamente seguros dela.

Todavia, diz ainda Calvino na sequência deste pensamento:

Nós, de fato, enquanto ensinamos que a fé deve ser certa e segura, não imaginamos alguma certeza que jamais possa ser tangida por alguma dúvida, nem uma segurança que não possa ser atingida por alguma inquietude; senão que, antes, dizemos que os fiéis têm perpétuo conflito com sua própria desconfiança.

Tão longe está de que coloquemos sua consciência em algum plácido repouso, o qual não seja absolutamente importunado por nenhuma perturbação!

A segurança da salvação não é observada em um dado momento, mas ao longo de toda a vida do eleito:

Mas, por outro lado, de qualquer maneira que sejam afligidos, negamos que os eleitos decaiam e se apartem daquela segura confiança que conceberam da misericórdia de Deus.

Nenhum exemplo de fé é mais insigne ou memorável do que aquele que a Escritura propõe em Davi, especialmente se visualizarmos todo o curso de sua vida.

Contudo, ele mesmo com frequência se queixa de estar muito longe de desfrutar perenemente da paz de espírito. Bastará citar alguns de seus numerosos testemunhos.

Salmo 42,5: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu”.

Enquanto censura os conturbados sentimentos de sua alma, que outra coisa censura senão sua própria incredulidade?

Certamente que aquela consternação era evidente sinal de desconfiança de si mesmo, como se julgasse abandonado por Deus. Confissão ainda mais ampla se lê em outro lugar:

Salmo 31,22: “Eu disse na minha pressa: estou excluído da tua presença. Não obstante, ouviste a minha súplice voz, quando clamei por teu socorro”.

Davi a si mesmo se acusa de desânimo e se confessa seguidamente sujeito a muitos sobressaltos. Entrementes, não apenas se desagrada a si próprio nessas falhas, mas aspira e se esforça em corrigi-las.

Conclusão:

Assim como Davi reconhece suas falhas e se esforça em corrigi-las, vemos que sua desconfiança está situada apenas em si mesmo, ele jamais colocou em dúvida a fidelidade e o poder de Deus.

Da mesma forma devemos fazer: Não procuremos em nós mesmos a santidade ou a perfeição que não existem nem são exigidas por Deus, mas lembremo-nos que, entre todas suas falhas, Davi era um homem conforme o coração de Deus.

Naquele último e terrível dia, Cristo não estará procurando perfeição ou santidade nos homens, mas somente a fé, pois ele mesmo é o autor e consumador desta fé:

Lucas 18,8: “Digo-vos que, depressa, lhes fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do Homem, achará, porventura, fé na terra?”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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