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Comentários Bíblicos

SALMOS – Vol. 3

Prefácio à Tradução Brasileira
O professor Émile G. Leónard em longas e amáveis conversas pessoais tentou orientar-me no rigor da pesquisa histórica: conversas à mesa do hotel-residência em que fui tantas vezes seu comensal; ou na residência pastoral de Santos onde minha mulher e eu hospedávamos a ele e a Mme. Leónard; ou nas tertúlias da Sociedade de Estudos Históricos da velha Faculdade de Filosofia, rua Maria Antônia, onde ele conseguiu reunir jovens professores mais tarde famosos na USP; pastores como J. C. Motta e eu; “leigos” protestantes como Odilon Nogueira de Mattos (então secretário da Faculdade), e um ou outro de seus alunos na USP que nascia.
Foi com ele, ao longo dessa graduação informal, que aprendi a ver a História, não como bola de cristal que prevê o futuro, mas como roteiro para entender o presente.
Foi também ele que então me abriu os olhos para a importância, já então, do movimento pentecostal no Brasil; dinâmico e popular, o pentecostalismo alastrava-se com seus dois grupos maiores, a Congregação Cristã do Brasil e as Assembléias de Deus.
Leónard entendia que na sociedade brasileira processava-se desde o século XIX até esses dias uma reforma na religião. Reforma não idêntica à européia do século XVI em sua manifestação social, mas com extraordinárias semelhanças: aqui, como lá (e especialmente na França), a Reforma era abraçada por integrantes da pequena “nobreza” e pequena classe média tanto rural como urbana; aqui, como lá, a reforma brotava em bolsões de piedade católica romana “leiga”. Diversamente de lá, aqui nobreza e clero não aderiram à reforma apesar da simpatia de alguns e da neutralidade quase cúmplice de D. Pedro II; quem aderiu foram damas, como Da. Maria Antônia, filha de barão; as filhas do Comendador Barros, latifundiário e magnata do café; duas senhoras da parentela de Honório Hermeto, a gente Paranaguá, de Correntes, Piauí e outros. Casos importantes, mas isolados. E nem aderiram vigários e padres, exceto um tanto tarde: José Manuel da Conceição teve a simpatia de alguns deles, mas veio só, ficou só e morreu só.
Padres (alguns, e de valor) vieram depois, quando as igrejas-de-reforma já estavam estruturadas no modelo missionário. Aqui, como lá, a reforma nasceu com a Bíblia e teve características discretas de reavivamento espiritual sem baralheira. Mas aqui, como lá, a emotividade, quando intensa, deu em iluminismo, como no caso do primeiro cisma, o do Dr. Miguel Vieira Ferreira na Igreja do Rio.
O galicismo do professor repontava, parecia-me então, em observações que diplomaticamente fazia à ausência em nós de conhecimento direto de Calvino; e quando eu lhe objetava com Westminster e Hodge o professor sugeria que “talvez” houvesse ali traços de escolástica calvinista, e não devíamos “também” cultivar Calvino propriamente dito?  E mais de uma vez o historiador do protestantismo brasileiro me afirmava que às “denominações” tradicionais, e particularmente à presbiteriana, poderia caber a missão histórica de oferecer estrutura bíblica não-sectária aos nossos iluministas; pois assim o movimento deles que com dinamismo atingia grupos menos privilegiados da sociedade brasileira teria solidez para enfrentar a história.
Mais tarde ao ler sua Histoire du Protestantisme creio que o entendi melhor e afinal, na teologia apologética de F. Turretini (que foi básico na elaboração da Teologia de Princeton, a qual modelou nossos primeiros missionários), vi mais claramente a distinção entre escolástica calvinista (valiosa) e João Calvino (inestimável).
Tentei aplicar as conclusões do sábio francês (e presbítero regente) à ação eclesiástica.
Propus à comissão do Centenário que convidássemos também os pentecostais para nossa campanha; a Congregação Cristã, originária de uma igreja presbiteriana italiana de Chicago e com traços de calvinismo, escusou-se; mas vieram Assembléias de Deus, para espanto de nossa gente e proveito nosso e deles.

Tentei também administrar uma tradução da Institutio, ou de sua tradução em francês quinhentista feita pelo próprio Calvino; não fui bem sucedido e os poucos de nós gue queriam (e querem) ir a Calvino tiveram de continuar com a excelente tradução castelhana, ou com o próprio tradutor-Calvino (edição Belles Lettres, 1936); quanto a mim, fui feliz: o francês quinhentista da tradução feita por Calvino é límpido, cristalino e elegante; mais tarde comprei em antiquário de Amsterdã a edição latina de 1561 na qual, vez por outra, caminho aos esbarrões, com o velho Santos Saraiva à mão. (A tradução norte americana a que tínhamos acesso era bastante pedregosa.)
Mas Calvino continuava pouco acessível ao entendimento e à instrução espiritual do público de língua portuguesa.
Participei da criação do Seminário José Manuel da Conceição com seu curso de mestrado teológico; ali se fez uma escola de teologia reformada calviniana.
E o grande público continuava jejuno do gênio da Reforma que foi João Calvino.
Ora pois. Eis que a providência Divina chama o rev. Valter Graciano Martins para traduzir Calvino, e dá-lhe um grupo dedicado de companheiros para editar suas traduções. Começa pelos Comentários, e faz bem: neles estão o Calvino-reformador; o Calvino-pastor; o Calvino-teólogo; o Calvino-exegeta e, sempre, como em quanto escreveu, o Calvino-artista da palavra escrita, com sua limpidez gaulesa. Calvino escrevia com naturalidade, sem preciosismos provincianos e sem arrevezamentos e obscuridade.
A tradução é feita de uma boa tradução inglesa; quando o sentido pode ser melhor entendido em francês, ou em latim, esse tradutor coloca ao pé da página o texto francês ou, se necessário, o latino; o rev. Valter Graciano Martins mantém essas notas.
Graciano dá-nos Calvino simples, natural: sua tradução não é um labirinto, é clara fonte; descobrimos encantados que ler Calvino em português é, além do mais, agradável.
Quanto ao Comentário dos Salmos, não vejo necessidade de alongar-me pois também temos neste volume o prefácio à tradução inglesa, suficiente.

Baste-nos anotar um óbvio que alguém poderia não apreender: Calvino escreveu antes que a “Alta Crítica”, tão alérgica a admitir elemento sobrenatural na Revelação Especial de Deus ao Homem, tivesse entulhado o caminho de comentaristas e ensaístas com uma ficção científica às avessas.
Mesmo comentadores eruditos e perfeitamente evangélicos se sentem hoje obrigados a comentar o Velho Testamento com pá na mão para remover o entulho acumulado em quase dois séculos por críticos secularistas, e a leitura acaba sendo cansativa e tediosa; alguém deveria contar-lhes que o rei está nu, e que ficção não é ciência.
Contudo, Calvino dá a atenção devida à tessitura histórica que envolve cada Salmo, quando há dados suficientes; a peculiaridades da língua hebraica, quando é o caso; a velhas traduções, quando pertinente; a contribuição de Pais e Doutores, quando oportuna: Calvino é exegeta competente e erudito; e é crente em Jesus Cristo: sabe que qualquer texto da Palavra de Deus se entende no contexto de toda a Palavra de Deus.
Que o público de língua portuguesa apreciará esta tradução, não há dúvida.
Desejamos que nosso bom tradutor continue, com a graça do Senhor.
São Paulo, Natal de 1998
Boanerges R ibeiro

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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