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Doutrina da salvação

SALVAÇÃO DE INFANTES E INCAPAZES

SALVAÇÃO DE INFANTES E INCAPAZES

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Por: Helio Clemente

 

Este é um assunto sobre o qual não existe uma clara definição na Escritura, todavia é um tema que surge com frequência e sobre o qual convém algum esclarecimento. É preciso ser cuidadoso ao tratar de temas que não recebem revelação direta na bíblia, por outro lado, a Confissão de Fé de Westminster afirma que existem coisas passíveis de serem deduzidas através da revelação.

Um fato primeiro a ser avaliado é o pecado original, todos os homens carregam em si o pecado original desde a sua concepção. No salmo cinquenta e um, Davi afirma, sem margem à dúvida, a pecaminosidade do homem desde sua concepção, onde se chega à conclusão que o infante é gerado e nascido em pecado. Esta afirmação é completamente contrária à idéia prevalecente da inocência dos infantes.

Salmo 51,5: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe”.

Isaías afirma a mesma coisa a respeito da pecaminosidade inata do ser humano. É preciso notar em ambos os exemplos, que Davi fala em relação a si mesmo, ele que era um homem conforme o coração de Deus, e Isaías fala em relação ao povo hebreu, o povo escolhido por Deus.

Isaías 48,8: “Tu nem as ouviste, nem as conheceste, nem tampouco antecipadamente se te abriram os ouvidos, porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno”.

No caso dos adultos, Paulo diz que a possibilidade do conhecimento torna o homem indesculpável, mas, a semelhança com Deus garante, justamente, a todos os homens, a possibilidade inata do conhecimento de Deus, que torna a todos, que já são pecadores pela queda, indesculpáveis perante Ele.

Romanos 1,20: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis”.

No livro de Samuel, quando morre seu primeiro filho com Bate Seba, Davi interrompe o jejum e se consola afirmando que verá novamente a criança na glória.

2 Samuel 12,23: “Porém, agora que é morta, por que jejuaria eu? Poderei eu fazê-la voltar? Eu irei a ela, porém ela não voltará para mim”.

Nesse texto, Davi dá a entender claramente que espera encontrar seu filho no céu, não há dúvida quanto a isso. Davi foi um homem conforme o coração de Deus e falava pelo Espírito. Desta forma, este verso sugere claramente que os infantes podem receber a graça de Deus.

Está visto, acima, que os infantes não são inocentes, pois trazem em si o pecado original.

O apóstolo Paulo, apresenta uma idéia do pensamento de Deus com relação às crianças ainda no ventre da mãe.

Romanos 9,13: “Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”.

A versão King James traz uma tradução mais explícita: “Odiei Esaú”.

Apesar disso, pode-se observar que Esaú teve a oportunidade de crescer, tornar-se adulto, receber muitas bênçãos terrenas até se encher da medida de sua própria iniquidade, como diz a Escritura.

Como esta não é uma doutrina revelada diretamente, é preciso ser breve em sua apreciação, para tanto, é possível supor duas situações:

1 –    O infante é salvo: Ele não tem condição de escolher pela sua salvação, pois que é incapaz, neste caso ele foi salvo exclusivamente pela graça de Deus.

Pode-se ilustrar este caso no exemplo de João Batista que recebeu o dom do Espírito ainda no ventre materno sem jamais ter recebido a pregação da Palavra.

Lucas 1,41: “Ouvindo esta a saudação de Maria, a criança lhe estremeceu no ventre; então, Isabel ficou possuída do Espírito Santo”.

Outro caso é o de Jeremias que foi constituído profeta no ventre de sua mãe.

Jeremias 1,5: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta às nações”.

2 –    O infante é condenado: Neste caso ele carrega em si o pecado de Adão, e apesar de incapaz, nasceu em pecado e merece a condenação, mas nada fez de si mesmo para isso, a única conclusão possível é que foi predestinado a essa condenação.

Este caso pode ser ilustrado com o exemplo claríssimo de Esaú e Jacó, ambos no ventre materno, nada de bom ou de mal haviam realizado e Deus amou a Jacó, mas odiou Esaú.

Em ambos os casos, prevalece a doutrina da predestinação, não existe outra possibilidade dada à incapacidade do feto ou da criança; esta situação é um duro teste para os defensores do livre-arbítrio, pois os infantes e incapazes não tem como exercer o suposto livre-arbítrio de forma alguma.

No entanto, têm uma alma, serão fatalmente salvos ou serão condenados, nada decidiram, aceitaram ou recusaram, isto é evidente pela sua própria e declarada incapacidade, assim sendo, a soberania de Deus prevalece na salvação ou condenação. O que se deve aprender com isso, é que, como estes infantes, todos os homens continuam crianças crescidas: Incapazes e pecadores. Sem o milagre da eleição, da graça de Deus e da justiça perfeita de Cristo, todos caminham cegamente para a destruição e a morte eterna.

Incapazes: No livro de Isaías temos uma passagem que dá margem à salvação de incapazes – loucos – que serão salvos pela graça de Deus, caminharão pelo
“Caminho Santo” independente de sua capacidade ou mérito.

Isaías 35,8: “E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco”.

Tirando a fundamentação na soberania de Deus, a igreja fica reduzida ao evangelho social, a pregação perde sua centralização em Cristo para se tornar ética e moral, voltada para a satisfação e decisão do homem. Ao contrário, a doutrina reformada é solidamente firmada nos Decretos Eternos e traz ao homem propósito, gratidão e maturidade sob a autoridade suprema de Deus.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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