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Filosofia

TALES DE MILETO

FILOSOFIA – TALES DE MILETO

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Baseado no livro História da Filosofia de G. Reale e D. Antisseri

Revisão livre e observações por: Helio Clemente

Tales de Mileto foi um matemático e pensador grego a quem se atribui o início da filosofia grega. Tales, que viveu em Mileto, na Jônia, provavelmente nas últimas décadas do séc. VII e na primeira metade do séc. VI a.C. Além de filósofo, foi cientista e politico sensato. Não se tem conhecimento de que tenha escrito livros. So conhecemos seu pensamento através da tradição

oral indireta.

Tales foi o iniciador da filosofia da physis, pois foi o primeiro a afirmar a existência de um principio originário único, causa de todas as coisas que existem, sustentando que tal principio era a agua.

(Não a água como a tomamos hoje, que seria apenas uma manifestação secundária, mas a água como componente primário de todos os elementos).

Essa proposição é importantíssima, como logo veremos, podendo com boa dose de razão ser qualificada como “a primeira proposta filosófica daquilo que se costuma chamar de civilização ocidental”. A compreensão exata dessa proposição fará compreender a grande revolução operada por Tales, que levou à criação da filosofia.

“Principio” (archi) – Este não é um termo usado por Tales (talvez tenha sido introduzido por seu discípulo Anaximandro), mas é certamente o termo que indica, melhor que qualquer outro,

o conceito daquele “quid” do qua1 todas as coisas derivam. Como nota Aristóteles em sua exposição sobre o pensamento de Tales e dos primeiros físicos.

Aristóteles: “O principio é aquilo do qual derivam originariamente e no qual se resolvem por último todos os seres, uma realidade que permanece idêntica no transmutar-se de suas alterações. Ou seja, uma realidade que continua a existir de maneira imutável, mesmo através do processo gerador de todas as coisas”.

O “principio” é, portanto:

  1. a) A fonte e a origem de todas as coisas;
  2. b) A destinação final ou termo último de todas as coisas;
  3. c) o sustentáculo permanente de todas as coisas (a “substância”, podemos dizer, usando um termo posterior).

(Vemos pelas definições acima, que o princípio, para os primeiros filósofos gregos, era material e deveria fazer parte de todas as coisas criadas).

Em suma, o “principio” pode ser definido como aquilo do qual provém, aquilo no qual se concluem e aquilo pelo qual existe e subsistem todas as coisas.

Os primeiros filósofos (talvez o próprio Tales) denominaram esse principio com o termo physis, que indica natureza, não no sentido moderno do termo, mas no sentido originário de realidade primeira e fundamental.

Assim, os filósofos que, a partir de Tales até o fim do séc. V a.C. indagaram a respeito da physis foram denominados “Físicos ou Naturalistas”. Portanto, somente recuperando a acepção arcaica do termo e captando adequadamente as peculiaridades que a diferenciam da acepção moderna seria possível entender o horizonte espiritual desses primeiros pensadores.

Todavia, resta ainda esclarecer o sentido da identificaqiio do “principio” com a “água” e as suas implicações.

A tradição indireta diz que Tales deduziu sua convicção da constatação de que a nutrição de todas as coisas é úmida, que as sementes e os germes de todas as coisas tem natureza úmida, e de que, portanto, a secura total é a morte. Assim como a vida está ligada à umidade e esta pressupõe a água, então a água é a fonte última da vida e de todas as coisas.

Tudo vem da água, tudo sustenta sua vida com água e tudo termina na água. Tales, portanto, fundamenta suas asserções sobre o raciocínio puro, sobre o logos; apresenta uma forma de conhecimento motivado com argumentações racionais precisas.

De resto, a que nível de racionalidade Tales já se elevara, tanto em geral como em particular, pode ser demonstrado pelo fato de que ele havia pesquisado os fenômenos do céu a ponto de predizer (para estupefação de seus concidadãos) um eclipse (talvez o de 585 a.C.).

Ao seu nome está ligado também um célebre teorema de geometria. Mas não se deve acreditar que a água de Tales seja o elemento físico-químico que hoje bebemos. A agua de Tales deve ser pensada de modo totalizante, ou seja, como a physis líquida originária da qual tudo deriva e da qual a água que bebemos é apenas uma de suas tantas manifestações. Tales era um “naturalista” no sentido antigo do termo e não um “materialista” no sentido

moderno e contemporâneo.

Com efeito, sua “água” coincidia com o divino. Desse modo, introduz-se nova concepção de Deus: trata-se de uma concepção na qual predomina a razão, e destina-se, enquanto tal, a eliminar de pronto, todos os deuses do politeísmo fantástico-político dos gregos. Ao afirmar posteriormente que “tudo está cheio de deuses”, Tales queria dizer que tudo é permeado pelo princípio originário. E como o principio originário é vida, tudo é vivo e tudo tem alma (pampsiquismo).

O exemplo do imã que atrai o ferro era apresentado por ele como prova da animação universal das coisas (a força do imã é a manifestação de sua alma, ou seja, precisamente, de sua vida). Com Tales, o logos humano rumou com segurança pelo caminho da conquista da realidade em seu todo (a questão do principio de todas as coisas) e algumas de suas partes constituem o objeto das “ciências particulares”, como hoje as chamamos.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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