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TEORIA DA EXPIAÇÃO

TEORIA DA EXPIAÇÃO

Helio Clemente (2019)

A mudança introduzida pela expiação é no relacionamento de Deus com os seus eleitos e a mudança efetuada, pelo Espírito, nesses pecadores escolhidos; a relação de Deus com os pecadores réprobos não se altera com a expiação.

A causa da expiação está na perfeição e equilíbrio de todos os atributos divinos, dessa forma, sem o cumprimento cabal da justiça de Deus, a misericórdia não poderia ser aplicada. Por esse motivo, a expiação se faz necessária antes da aplicação da misericórdia, pois Deus, sendo perfeitamente santo, não poderia aplicar sua misericórdia sem a satisfação plena de sua justiça.

Não é correto dizer que a expiação tem sua causa, ou na justiça ou no amor de Deus separadamente, mas ela encontra sua razão no equilíbrio perfeito de todas as qualidades e atributos divinos.

A expiação não é um ato arbitrário ou contingente, mas uma necessidade absoluta determinada nos Decretos Eternos, cuja origem se encontra na perfeição moral de Deus, que o leva a odiar o pecado, colocando-se em contraposição ao pecado e ao pecador. A opinião do teólogo A. A. Hodge, abaixo, ilustra esse fato com muita propriedade e serve também contra a afirmação da universalidade do sacrifício de Cristo.

A. A. Hodge: “Esse sacrifício seria sumamente irrelevante se fosse algo menos que absolutamente necessário, em relação ao fim destinado a ser atingido – isso é, a menos que fosse realmente o único meio possível de salvação do pecador. Certamente Deus não teria feito do Seu Filho um sacrifício de brinquedo, para satisfazer um capricho da vontade”.

Da necessidade da queda: Dessa forma, a simples possibilidade de pecado inabilitaria o mediador para realizar uma tarefa de proporções infinitas: O cumprimento perfeito da lei e a propiciação cabal da ira de Deus. Por esse motivo, Adão jamais seria o perfeito representante da raça humana, daí a necessidade da queda e de um redentor moralmente perfeito: impecável e imutável.

A justiça vindicativa de Deus é uma de suas perfeições e não pode ser ignorada ao se considerar as raízes da vontade divina.

Mateus 10,28: “Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo”.

A expiação vicária

Essa é a principal consideração a respeito da expiação, o sentido vicário faz toda a diferença entre o cristianismo bíblico e o humanismo que permeia a moderna igreja evangélica.

Pelo pecado de Adão, todos os homens pecaram e caíram juntamente com ele. Por esse pecado o homem deve a Deus uma reparação, que somente pode ser realizada através da penalidade do sofrimento infindável no inferno. Todavia, Deus, em seu infinito amor, indicou um substituto, de sua mesma essência, capaz de tomar o lugar do homem e prover, de forma cabal e definitiva, a propiciação de sua ira.

A expiação feita por Cristo é vicária, tanto pelo fato de ser decidida por Deus, quanto pelo fato da voluntariedade do mediador.

Como pode ser feita uma expiação?

Ela pode ser pessoal, quando o ofensor toma a iniciativa da reparação, ou vicária quando o ofendido toma da iniciativa da reparação. No caso da expiação pessoal – o livre arbítrio – onde o pecador se arrepende de seus pecados e consegue a fé por seus próprios méritos o que acontece?

Essa situação exclui a misericórdia divina, cria para com Deus a obrigação de perdoar o homem e cria para o homem a necessidade da ação expiatória contínua, motivos pelos quais não redundaria em redenção, pois ninguém pode criar obrigações para Deus; e também, estaria sempre sujeita a fracassar e a ser retomada a qualquer momento.

Ao contrário, a expiação vicária provém de Deus e leva à redenção e à vida eterna de forma permanente e irreversível, porém, aqui está o grande motivo de rejeição dessa doutrina: Essa redenção vicária é somente para os eleitos de Deus e o religioso formal pretende ser, inutilmente, o moto de sua própria salvação.

João 1,29: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!”.

A natureza da expiação:

Com relação à natureza da expiação realizada por Cristo, é preciso deixar claro dois aspectos a ela referentes:

1 – A expiação foi uma obra de representação

A expiação é uma obra de representação, que existe desde toda eternidade na mente de Deus e no relacionamento das pessoas da trindade divina. Cristo é o cabeça federal de seus representados, assim como Adão é o cabeça federal da humanidade caída. Existe uma união legal e visceral entre Cristo e os eleitos, que precede à criação do mundo (ver união mística).

A relação de filiação entre o Pai e o Verbo é auto existente e eterna, dentro dessa relação também está presente todo o povo que lhe foi dado por Deus. Essa é uma relação eterna dentro da economia da Trindade, pela qual está estabelecida uma unidade legal entre o mediador e seu povo, sem a qual a expiação não teria validade.

Charles H. Spurgeon: “Mas Deus, desde o princípio, escolheu seu povo; quando o espaço era sem limites, ainda não nascido; quando a quietude universal reinava, e nenhuma voz ou suspiro quebrava a solenidade do silêncio; quando não havia nem começo, nem gesto, nem tempo, nada, apenas Deus; aí estava o princípio: e o princípio era o Verbo, e no princípio o povo de Deus era um com o Verbo, e no princípio ele os escolheu para a vida eterna”.

– Antes da fundação do mundo os eleitos foram escolhidos “em Cristo”.

Efésios 1,4-6: “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado”.

– Como representante de seu povo, a graça está predestinada aos eleitos “nele” antes dos tempos eternos.

2 Timóteo 1,9: “Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos”.

– Por essa ligação de representação a vida eterna pertence aos eleitos, e somente a eles, de forma definitiva e imutável.

Tito 1,2: “Na esperança da vida eterna que o Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos”.

Quando Cristo encarnou, ele já era o Filho de Deus e o representante de seu povo, tudo o que ele fez em sua vida de perfeita obediência e em sua morte vicária foi em lugar (em substituição) de seu povo. Essa representação é a base legal da expiação, tudo o que Cristo fez, em seu tabernáculo terreno, ele fez como representante dos eleitos de Deus. Por essa representação, toda sua obediência, todo seu sofrimento, toda sua justiça pode ser imputada a seu povo, pois, perante Deus, Cristo e seu povo estão unidos eternamente no concerto existente no pacto da salvação.

2 – A expiação foi uma obra substitutiva

A redenção adquirida por Cristo, somente tem valor efetivo a partir do momento em que é uma obra substitutiva: Toda a obediência e sofrimento de Cristo foi em substituição aos eleitos. Jesus Cristo é o Verbo Divino, ele não foi um simples exemplo de vida, ele não sofreu pelos homens para que houvesse ainda algo a ser feito.

Ele cumpriu, uma vez por todas, a expiação pelo pecado, a redenção dos eleitos e ao mesmo tempo toda a satisfação de Deus em lugar do seu povo, de forma que nada resta a fazer, por esse motivo, ele diz, com propriedade absoluta:

“Está consumado!”.

Hebreus 7,27: “Que não tem necessidade, como os sumos sacerdotes, de oferecer todos os dias sacrifícios, primeiro, por seus próprios pecados, depois, pelos do povo; porque fez isso uma vez por todas, quando a si mesmo se ofereceu”.

A obra redentora de Cristo não foi em benefício do seu povo, mas em lugar de seu povo. Ele substituiu o seu povo como réu perante Deus, dessa forma, tornou-se responsável legal por eles e tomou para si a responsabilidade de satisfazer a justiça divina em lugar deles. Essa tarefa é determinada na eternidade para ser realizada na plenitude do tempo.

Para tanto, o Verbo foi encarnado em semelhança de carne pecaminosa, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, para que em todas as coisas fosse semelhante aos seus irmãos na carne, excluído o pecado.

Gálatas 4,4-5: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos”.

É de suma importância que o termo “nascido sob a lei” seja corretamente definido: Jesus não era portador do pecado original como todos os filhos de Adão. Todavia, sendo o supremo legislador, colocou a si mesmo como servo, debaixo da lei, afim de cumprir uma finalidade específica: Para se tornar o perfeito representante daqueles que lhe foram dados por Deus.

Filipenses 2,6: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus”.

Esse é o milagre da encarnação, a humanidade de Cristo não poderia ter sido criada imediatamente por Deus, nesse caso ele não seria em semelhança com os homens. Somente a encarnação poderia fazer de Cristo o perfeito mediador: um com o seu povo. Cristo substituiu os eleitos, recebendo em si o castigo devido a todos eles, que apesar de permanecerem pecadores, são santificados pela justiça de Cristo.

Hebreus 2,11: “Pois, tanto o que santifica como os que são santificados, todos vêm de um só. Por isso, é que ele não se envergonha de lhes chamar irmãos”.

Obs.: Santificados = Separados.

3 – A expiação foi uma obra legal

Deus é fundamentalmente santo, justo e verdadeiro acima de todas as coisas, portanto Ele odeia o pecado, pois o pecado não pode ser visto apenas como quebra da lei, mas como rompimento da relação com Deus. Dessa forma, qualquer pecado representa uma ofensa contra o Ser infinito, devendo ser punido com a resposta correspondente: O sofrimento infindável no inferno de fogo, pois a santidade e a justiça de Deus exigem a penalidade legal do pecado.

Salmo 89,14: “Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e verdade te precedem”.

Pelas perfeições de Deus manifestas em sua santidade e justiça o pecado deve ser punido, o castigo legal deve ser aplicado. Sendo o representante de seu povo, Cristo deveria receber, no lugar deles, a punição legal devida ao pecado de todos eles, ele teria que sofrer, de forma vicária, a maldição da lei para possibilitar a justificação dos eleitos.

Ezequiel 18,4: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.

Dessa forma, o sofrimento e a obediência de Cristo foram devidos à punição pelos pecados de seu povo e constituíram satisfação à justiça divina. Não somente a sua morte, mas a vida toda de Cristo foi sofrimento não por acaso, mas por imposição de Deus como penalidade pelo pecado. Cristo a tudo suportou e carregou o peso do pecado de todo o seu povo.

Isaías 53,7: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca”.

Todos os sofrimentos e humilhações sofridas por Cristo foram devidas aos pecados de seu povo e impostas pelo Pai como penalidade judicial. É de suma importância observar que, ao mesmo tempo em que essa penalidade foi imposta, também foi assumida de forma voluntária por Cristo no eterno concerto da Trindade. Ao nascer sob a lei, Cristo se torna obrigado a toda a punição devida à lei, fazendo-se pecado e maldição e carregando no madeiro todos os pecados de seu povo.

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

4 – A expiação foi uma obra sacrificial

A expiação foi uma obra sacrificial, Cristo amou seu povo que lhe foi dado por Deus, e entregou a si mesmo como oferta e sacrifício. Dessa forma, propiciou a ira que pesava sobre os eleitos possibilitando sua redenção, desde a fundação do mundo.

Efésios 5,2: “E andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave”.

Isaías 53,10: “Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos”.

O sacrifício de Cristo é fruto de um concerto, ou pacto, eternamente existente na concepção da Trindade divina, onde cabe a ele a redenção dos eleitos do Pai. O pacto estabelecido entre os membros da Trindade, se manifesta na “plenitude dos tempos”, mas é resultado da aliança eterna na economia da Trindade, motivo pelo qual o sacrifício de Cristo tem validade eterna.

Romanos 3,25: “A quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

A prontidão de Cristo para o sacrifício também é eterna, isso pode ser visto no livro de Provérbios e também pode ser associada com a sua voluntariedade conforme o apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses abaixo: Ele se humilhou, se tornou obediente – nenhum verbo no modo passivo.

Provérbios 8,30-31: “Então, eu estava com ele e era seu arquiteto, dia após dia, eu era as suas delícias, folgando perante ele em todo o tempo; regozijando-me no seu mundo habitável e achando as minhas delícias com os filhos dos homens”.

Filipenses 2,8: “E a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz”.

Que o sacrifício de Cristo é voluntário e voltado à execução da vontade de Deus, pode-se constatar em sua própria declaração ao entrar no mundo, como é visto no livro de Hebreus. É notável também o encerramento da velha aliança de ofertas e sacrifícios animais substituídos definitivamente pela aliança da graça.

Hebreus 10,5-7: “Por isso, ao entrar no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quisesse; antes, um corpo me formaste; não te deleitaste com holocaustos e ofertas pelo pecado. Então, eu disse: Eis aqui estou (no rolo do livro está escrito a meu respeito), para fazer, ó Deus, a tua vontade”.

A tudo isso ele se entregou de forma sacrificial e voluntária aguardando a glorificação que lhe era devida, quando ascendeu aos céus e foi recebido pelo Pai em glória.

Salmo 110,1: “Disse o SENHOR (YAHWEH) ao meu senhor (Adonai): Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos debaixo dos teus pés”.

Os resultados da expiação

– A glorificação de Cristo, como o único e suficiente mediador entre Deus e os homens. Ele foi glorificado junto ao Pai, sendo a única origem de todas as bênçãos salvadoras para os pecadores;

– A aquisição da plenitude dos dons e graças que são conferidos ao povo de Deus. Basicamente a fé e o arrependimento para a vida, que procedem da justificação;

– Concessão dos dons do Espírito Santo para a formação do corpo de Cristo, que é a Igreja (Igreja de Deus ou Igreja Universal).

A expiação é limitada (particular)

– A expiação é plenamente eficaz e definitiva, mas somente para os eleitos de Deus, ela não tem efeito algum para aqueles pecadores reprovados no Decreto da predestinação.

O sacrifício de Cristo seria suficiente para salvar toda a humanidade, se fosse essa a intenção de Deus, pois ele tem valor infinito. A expiação é limitada pelo Decreto de Deus, que determinou a salvação de alguns homens e anjos e destinou os outros à condenação eterna.

Confissão de Fé de Westminster:

 Capítulo III, Seção III – Eleitos e não eleitos: Pelo Decreto de Deus e para manifestação da sua glória, alguns homens e alguns anjos são predestinados para a vida eterna e outros preordenados para a morte eterna.

Capítulo III, Seção IV – O número dos predestinados: Esses homens e esses anjos, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; o seu número é tão certo e definido, que não pode ser nem aumentado nem diminuído.

Confissão de fé Batista (1664 d.C.)

Capítulo 1, seção XXI – Cristo Jesus, por sua morte, produziu a salvação e a reconciliação somente para os eleitos; os quais são aqueles a quem Deus o Pai lhe deu.

A intercessão de cristo

A obra intercessória de Cristo está fundamentada em sua exaltação, que significa a consumação e aceitação de sua expiação. A intercessão permanente de Cristo é vital e necessária; não é possível para o homem pecador aproximar-se de Deus por si mesmo, existe a necessidade permanente de um mediador, para intermediar e se interpor na comunhão do homem com Deus.

Por que é necessário um mediador?

Porque todos ofendem (ofendemos) a Deus todos os dias de sua vida terrena.

1 João 2,1: “Filhinhos meus, essas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo”.

François Turretin

A consideração de nossa indignidade: visto que somos tais que não podemos nos aproximar de Deus por nós mesmos (daquele que é um fogo consumidor), era necessário que um Mediador se interpusesse para nosso auxílio para assegurar o nosso acesso a Deus, para que pudéssemos vir com confiança ao trono de graça. E, porque ofendemos Deus todos os dias, necessitamos de um advogado para interceder por nós diariamente”.

Turretin, nessa sua consideração, é bastante generoso para com o homem; não existe no mundo todo, alguém que ofenda a Deus apenas uma vez em um dia todo.

Hebreus 4,14-15: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Essa intercessão de Cristo é efetiva, pois não existe hierarquia entre os membros da Trindade e a intercessão de Cristo não é algo criado ou surgido em um determinado momento, é uma função existente eternamente no consenso entre os membros da Trindade Divina. 

E depois, essa intercessão é um ato judicial, pois a expiação, que é devida à intercessão, é real e já foi realizada, dessa forma, não cabe mais acusação alguma aos eleitos de Deus redimidos por Cristo, o que leva à plena eficácia da intercessão.

Romanos 8,33: “Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica”.

A intercessão de Cristo não é algo como um pedido ao Pai e também não é uma imposição, essa intercessão é fruto do consenso, existente na eternidade, plenamente eficaz pela perfeita interação entre as pessoas da Trindade (*). Dessa forma, através desse entendimento, toda a intercessão de Cristo é feita exatamente de acordo com a vontade do Pai e conforme o consenso do Espírito, que aplica de forma eficaz aos eleitos (e somente a eles) o resultado dessa intercessão.

(*) – A triunidade intelectual de Deus: Uma mente única, de uma única natureza e propósito, pertencente a uma única essência e simultaneamente própria a três individualidades oniscientes, imutáveis e eternas que constituem um único Ser – Deus.

Hebreus 2,17: “Por isso mesmo, convinha que, em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer propiciação pelos pecados do povo”.

O pedido de intercessão através da oração

Nesse ponto, se torna necessário um parêntese para melhor explicação da amplitude dessa intercessão. Nota-se aqui, que todas as ações da divindade são eternas, imutáveis e perfeitamente interligadas, por esse motivo, o Espírito intercede na oração dos crentes verdadeiros, para que ela seja realizada de acordo com a vontade de Deus.

Romanos 8,26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis”.

François Turretin

“A intercessão atribuída a Cristo não anula sua glória, porque não é de súplica nem segundo a maneira de um pedido (como aquela dos homens orando por si próprios), mas sim uma petição eficaz, conforme o modo de jurisdição (um ato judicial), pela qual Cristo repetidamente expõe a Deus seu sangue outrora vertido, o qual, por sua virtude e eficácia, faz com que nossos pecados sejam perdoados e que o dom da perseverança se nos seja outorgado. Isso prova uma economia de ofício, contudo, não diminui a glória dele. Por isso, Paulo reivindica essas duas coisas para Cristo: o estar esse assentado à destra e a sua intercessão por nós, a fim de indicar que ambas pertencem a ele devidamente: a primeira lhe pertence enquanto Rei (estar assentado); a segunda (intercessão), enquanto Sacerdote”.

Romanos 8,34: “Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

A intercessão de Cristo pelos filhos de Deus inclui o envio do Espírito Santo ao seu povo, de forma que a perseverança dos regenerados seja efetivamente preservada pela operação contínua do Espírito.

João 14,26: “Mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”.

João 15,26: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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