Aviso

Somos um site cristão, em conformidade com os padrões reformados, não concordamos obrigatoriamente com as opiniões emitidas nos livros postados, todavia, sabemos que um cristianismo saudável somente pode ser exercido através do conhecimento. Desta forma, sigamos o conselho do apóstolo: “Julgai todas as coisas, retende o que é bom”. Louvado seja Deus!

ESTATÍSTICAS

vivendopelapalavra.com
Na internet desde Outubro/2011
Total de visitas até julho de 2020:
1.277.431
Total de páginas visitadas até julho de 2020:
3.924.272

Mais baixados

Outros

TEORIA DA LINGUAGEM – REALISMO – N. GEISLER

TEORIA DA LINGUAGEM – O REALISMO – NORMAN GEISLER

vivendopelapalavra.com

Revisão e diagramação por: Helio Clemente

REALISMO: UMA ALTERNATIVA AO ESSENCIALISMO E AO

CONVENCIONALISMO

A visão convencionalista de significado a linguagem é claramente uma reação exagerada ao essencialismo platônico. Entretanto, existe uma terceira alternativa que evita tanto a rigidez do essencialismo quanto o relativismo do convencionalismo: o Realismo.

O Realismo defende que o significado e objetivo, mesmo que os símbolos sejam culturalmente relativos, pois o significado transcende os nossos símbolos e os meios linguísticos que temos para expressa-los. O significado e objetivo são absolutos, não porque uma expressão linguística especifica o seja, mas porque existe uma Mente absoluta, Deus, que o comunicou as mentes finitas (os seres humanos) por intermédio de um meio comum, mas análogo, de linguagem humana que utiliza princípios transcendentes de lógica, que são comuns tanto a Deus quanto aos seres humanos.

Uma Estrutura para Compreender o Significado do Significado

As tradicionais seis causas nos ajudarão a explicar este tópico. Na tradição de Aristóteles, os filósofos escolásticos distinguiam seis diferentes causas para as coisas:

(1) causa eficiente — aquela pela qual algo vem à existência;

(2) causa final — aquela para a qual algo vem à existência;

(3) causa formal — aquela da qual algo vem à existência;

(4) causa material — aquela a partir da qual algo vem à existência;

(5) causa exemplar — aquela depois da qual algo vem à existência;

(6) causa instrumental — aquela através da qual algo vem à existência.

Por exemplo, uma cadeira de madeira tem o carpinteiro como sua causa eficiente, o proporcionar um assento para alguém como sua causa final, a sua estrutura como uma cadeira como sua causa formal, a madeira como sua causa material, seu projeto (escrito) como sua causa exemplar, e as ferramentas do carpinteiro como a sua causa instrumental.

Gramatica de superfície: é aqui definida como aquela que é obvia em uma estrutura linguística, enquanto que gramatica de profundidade e aquela que esta oculta por detrás dela.

O Significado E Encontrado na Causa Formal

A aplicação destas seis causas ao significado de um texto escrito nos leva a seguinte analise:

(1) O escritor e a causa eficiente do significado de um texto.

(2) O objetivo do escritor e a causa final do seu significado.

(3) A escrita e a causa formal do seu significado.

(4) As palavras são a causa material do seu significado.

(5) As ideias do autor são a causa exemplar do seu significado.

(6) As leis do pensamento são a causa instrumental do seu significado.

O significado (a causa formal) de uma expressão inteligível, como a escrita, não e encontrado no “significador”; ele e a causa eficiente do significado.

A causa formal do significado esta na escrita em si.

O objeto a ser significado e encontrado nos sinais que o representam; o significado verbal e encontrado na própria estrutura e na gramatica das frases, no texto literário em si (causa formal), e não no seu proposito (causa final). Observe que o significado não e encontrado nas palavras individuais (causa material).

As palavras em si mesmas não tem um significado real, mas somente um significado potencial. Elas tem o seu uso em uma frase, que e a menor das unidades de significado. Retornando a um exemplo anterior, a palavra inglesa bark (“latir”, ou “casca de uma arvore”) não tem um significado inerente, mas vários usos diferentes (em frases) que tem um significado, tal como o exemplo abaixo a respeito da palavra pena (em português):

(1) A ave de grande porte perdeu uma pena.

(2) A pena pela desobediência a lei corresponde a dois anos de detenção.

Segundo este ponto de vista, as palavras são apenas partes de um todo (do todo da frase), a qual e a única que detém o sentido. De maneira similar, os pigmentos sozinhos não tem beleza por si mesma, mas somente quando formam um belo conjunto em um quadro. O sentido, portanto, e somente encontrado no texto como um todo, e não em partes dele, de maneira independente.

Significado: O significado de um texto não esta fora do próprio texto (na mente do autor), por debaixo do texto (na mente de algum místico), ou por detrás do texto (em alguma intenção não expressa pelo autor); antes, ele e encontrado no texto (no significado expressado pelo autor).

Da mesma forma, a beleza de uma tela não esta fora, nem debaixo, nem por detrás dela. Todo o significado textual esta no texto. As frases (no contexto do seu paragrafo, e no contexto da obra como um todo) são a causa formal do sentido. Elas são a forma que da o sentido a todas as partes (palavras, pontuação etc.).

A Unidade de Significado: Como o significado da Bíblia vem, em ultima instancia, de uma Mente objetiva (Deus) e se encontra em um texto objetivo que utiliza termos com o mesmo tanto para Deus quanto para os seres humanos, temos somente um significado para um texto bíblico — aquele que foi dado pelo autor.

Obviamente, pode haver muitas implicações e aplicações — na verdade, este significado pode ser expresso de varias formas na mesma língua. Isto se torna possível porque existe um emissor objetivo de um significado, um meio objetivo para a transmissão deste significado (lógico), e um meio comum de transmissão (linguagem) entre o emissor e o receptor que e capaz de expressar este significado. Este significado objetivo e encontrado na causa formal (linguagem), que proporciona a estrutura ou forma do significado.

Assim, o significado da revelação de Deus, esteja ela na Bíblia ou na natureza, é encontrado em uma expressão objetiva do emissor, Deus, o idealizador do significado. Assim, mesmo que a visão do sentido único seja correta ao afirmar somente um significado para um texto, existe, entretanto, um sentido pleno em termos de implicações e aplicações.

Por exemplo, Einstein sabia que E = m x c² (energia e igual a massa multiplicada pela velocidade da luz ao quadrado), da mesma forma que um estudante secundarista normal hoje também sabe. Todavia, Einstein conhecia muito mais as implicações e aplicações disto do que o estudante da escola media.

De maneira similar, Deus, visto ter Ele inspirado o texto bíblico, conhece infinitamente mais a respeito do tópico e enxerga mais implicações e aplicações em uma afirmação bíblica do que o seu autor humano consegue enxergar.

2 Timóteo 3,16: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”.

Mas Ele não afirma um significado que vai além daquele que o autor humano do texto mencionou, pois tudo o que a Bíblia diz, Deus diz; tudo o que ela afirma ser verdadeiro, Deus afirma ser verdadeiro. Tanto o autor divino da Bíblia quanto o humano afirmam um significado único e idêntico em um texto único e idêntico. Não existem dois textos, e não ha dois significados para o texto.

A Objetividade do Significado: As línguas humanas variam, mas o significado não. O mesmo significado objetivo pode ser expresso em linguagem largamente diversificada.

Ao contrario do Essencialismo, que insiste em uma correlação de um-a-um entre o significado e a expressão, e ao contrario do Convencionalismo, que argumenta em direção da existência de uma correlação de muitos-para-um entre o significado e a expressão, o realismo afirma que existe uma correlação de um-para-muitos. Ou seja, um significado pode ser expresso de muitas maneiras diferentes, em diversos idiomas, e ate mesmo na mesma língua.

Assim, a linguagem pode mudar e, na verdade, muda, mas o sentido que ela expressa nao muda.

O uso de uma palavra se modifica com o passar do tempo, mas o significado.

Daquela palavra em uma frase não muda. Por exemplo, na versão inglesa da Bíblia King James Verso, de 1611, a palavra let (2 Ts 2,7) significava “impedir”. (No inglês moderno, ela significa o contrario, “permitir”.) Mas na New King James Version (1982), quando esta palavra foi traduzida, utilizou-se a palavra “restrain” (impedir) para substituir a palavra “let” da antiga King James Version (1611). O uso das palavras se modifica com o tempo, mas o seu significado não.

Outro exemplo do mesmo ponto e o significado matemático. Se escrevermos “dois mais dois é igual a quatro” ou “2 + 2 = 4” o significado e o mesmo, ainda que o modo de expressar seja diferente. Além disso, o significado e objetivo, ainda que o modo de ele ser expresso seja relativo.

CONCLUSAO

A objetividade da verdade que o Cristianismo abrange esta baseada na premissa de que o significado é objetivo. Esta objetividade no significado é rejeitada por muitos dos linguistas contemporâneos; a teoria convencionalista predominante do significado é uma forma de relativismo semântico.

Entretanto, além de ser uma reação exagerada ao essencialismo platônico, o convencionalismo é autodestrutivo, pois, como já vimos a teoria do convencionalismo ao afirmar que “todo significado é relativo” se apresenta como uma afirmação não relativa, ou seja, uma falácia auto destrutiva.

“Todo o significado e relativo” é uma afirmação provida de um significado que precisa ser aplicada a todas as afirmações providas de um significado; ela é uma afirmação não convencional alegando que todas as afirmações são convencionais. Dessa forma, ela se auto destrói, pois no próprio processo de se auto expressar ele acaba fazendo uso de uma teoria do significado que contraria o que ele alega ser verdadeiro para “todas as afirmações providas de significado”.

Os usos dos símbolos e das palavras mudam, mas o significado corretamente expressado por eles nas frases e no sentido em que foram utilizados não mudam.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

comente

Clique aqui para enviar um comentário