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Doutrina

Uma Refutação Bíblica ao Dispensacionalismo – PINK

PREFÁCIO À EDIÇÃO BRASILEIRA
O dispensacionalismo foi um movimento que surgiu em meados do
século 19, na Inglaterra, como reação ao estado de frieza e liberalismo em que se encontrava a igreja oficial. Começou com reuniões de estudo bíblico em que uma nova maneira de interpretar as Escrituras foi desenvolvida. Partindo do texto de 2 Timóteo 2.15, e entendendo em sentido literal o verbo grego orthotomeo, ali empregado, como faz a Versão Inglesa King James, o movimento julgou encontrar neste texto a chave para a “correta” interpretação da Bíblia, ao traduzir aquele verbo como “dividir corretamente” e não “manejar corretamente” a palavra da verdade (com o sentido figurado de ensinar, expor ou interpretar corretamente), como temos em nossas versões em português.
Foi assim que esse movimento passou a “dividir” em “dispensações” o
modo como Deus tem administrado o seu plano para a salvação do homem
ao longo da história, dispensações estas não só diferentes mas até mesmo
separadas entre si, como se fossem compartimentos estanques. Entendeu-se que, em cada uma, Deus tratou ou trata os homens de um modo
peculiarmente diferente, inclusive no que diz respeito à salvação. Foram
nomeadas sete dessas dispensações, sendo as mais importantes a da Lei, que vai do Sinai (quando a lei foi dada através de Moisés) até a rejeição de Cristo pelos judeus, e a da Graça, que compreende o período subseqüente e atual, que vai da oferta do evangelho aos gentios (estabelecimento da Igreja) até a dispensação do reino (milênio), que será a última, segundo esse modo de entender a Bíblia.
Esse movimento teve grande divulgação na América do Norte por
meio das conferências de John N. Darby, um dos seus fundadores e principais expoentes. Também se tornou popular com a criação de institutos bíblicos e alguns seminários, principalmente os que não tinham filiação denominacional, grandemente influenciados com esse novo modo de interpretar as Escrituras.
Mas foi especialmente com a publicação da Bíblia de Referência de Scofield, em 1909, com suas notas explicativas de rodapé, que ele se tornou conhecido em quase todo o mundo. Praticamente todas as denominações foram influenciadas por esse novo modo de interpretar, inclusive as de tradição reformada.
O mesmo fato aconteceu no Brasil, também impulsionado pela criação
de institutos bíblicos interdenominacionais, pela publicação de livros de
orientação dispensacionalista, pelas conferências proféticas e escatológicas que se tornaram populares, especialmente nas últimas décadas, e também pela publicação da Bíblia de Referências de Scofield, em português.
Além de dividir a história do trato de Deus com a humanidade em sete
dispensações, a hermenêutica dispensacionalista se caracteriza também, dentre outros, pelos seguintes pontos: 1) uma dicotomia rígida entre Israel e a Igreja;
2) uma interpretação literalista das Escrituras, especialmente com respeito a profecias;
3) uma distinção contrastante entre lei e graça. e 4) uma distinção contrastante entre reino terreno e reino espiritual. As implicações mais graves desse modo de interpretação estão nas áreas da eclesiologia e da soteriologia, embora, de um modo geral, apenas as implicações escatológicas sejam as mais conhecidas e enfatizadas no Brasil.
Nas duas últimas décadas essa posição tradicional do dispensacionalismo vem sofrendo mudanças por parte de alguns dispensacionalistas, particularmente nos Estados Unidos da América, os quais, em diálogo com reformados, têm se aproximado bastante da posição aliancista (ou pactual) esposada em nossas confissões. Essas mudanças dizem respeito principalmente às questões relacionadas com os conceitos de lei, graça e reino.
Novos rótulos para representar essa tendência foram cunhados, como, por
exemplo, “dispensacionalismo progressivo” e “neodispensacionalismo”. Mas essas mudanças, embora significativas e salutares, ainda são tímidas e não contam com o apoio maciço da maioria dos dispensacionalistas.
Estas considerações são feitas neste prefácio para situar o leitor no
contexto em que Arthur W. Pink escreveu este livro. Sua preocupação é com as Escrituras e o seu correto entendimento. Tendo vivido entre 1886 a 1952, seu quadro de referência nesta obra é o do dispensacionalismo clássico, ou tradicional. Pink foi pastor, teólogo e expositor das Escrituras. Como tal, queria que elas fossem corretamente entendidas e aplicadas. Escreveu este livro para combater o dispensacionalismo dos seus dias e para mostrar que há unidade e coerência nas Escrituras. A obra continua atual e relevante, pois o dispensacionalismo clássico ainda é aquele que predomina na maioria dos círculos evangélicos de nossos dias.
Para Pink, a Bíblia ensina que Deus tem apenas um povo a que chama
de seu, apenas um modo de salvá-lo, apenas um propósito final para ele, sem distinção de etnias, classes ou épocas. E toda a Bíblia (Antigo e Novo
Testamento) se aplica a esse único povo e a todo ele, em todos os tempos e
lugares. Com uma exegese cuidadosa e coerente ele expõe as diferentes
passagens das Escrituras que mostram isso. Ao mesmo tempo em que expõe as falácias da hermenêutica dispensacionalista, apresenta a harmonia e a coerência que há entre as passagens do Antigo e do Novo Testamento, especialmente aquelas que apresentam profecias no Antigo e seu cumprimento no Novo. Seu propósito é mostrar a unidade de toda a
revelação divina e o aspecto progressivo que nela se encontra.
A preocupação do autor não é apenas apologética, mas também pastoral. Nesta obra não há apenas argumentação teológico-exegética convincente, mas ensinos homiléticos de um pastor que ama a Deus e o povo que esse Deus escolheu. É uma leitura agradável, instrutiva e confortadora. O leitor se beneficiará com o tempo gasto nestas páginas.
Rev. João Alves dos Santos


Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 72 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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