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Cristologia

UNIÃO MÍSTICA

UNIÃO MÍSTICA

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Por: Helio Clemente

 

A união mística significa o relacionamento íntimo e eterno de Cristo com o eleito; assim como Adão foi o representante federal da humanidade na queda, Cristo é o representante federal dos eleitos de Deus, posição esta que foi assumida por ele no Decreto da Redenção. É preciso, porém, salientar a diferença entre a ligação de toda a humanidade que caiu pelo pecado de Adão e a união mística:

A união mística é somente entre os eleitos justificados e Cristo, ela não é universal como a queda.

Em primeiro lugar, a união mística não é própria de pessoas “iniciadas” ou de atividades esotéricas, não envolve mistério ou confusão entre a pessoa de Cristo com o seu povo. Todavia, não é uma simples associação ou irmandade semelhante à que existe nas sociedades secretas ou abertas provenientes de organizações humanas.

Gálatas 2,20: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.

Esta união determina a posição legal dos eleitos justificados na mesma base em que Cristo tem a sua posição junto a Deus e vivifica e preserva a vida espiritual destes eleitos, na fonte da vida em Cristo, através da operação do seu Espírito Santo. Esta união continua no mundo do porvir, onde os eleitos ressurretos terão, então, o mesmo estado da natureza humana glorificada de Cristo.

1 João 4,13: “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele, em nós: em que nos deu do seu Espírito”.

É de extrema importância ressaltar que esta união mística não muda a essência humana dos crentes tornando-os participantes da essência ou subsistência da divindade, os homens serão homens eternamente, Jesus Cristo será o Deus Homem (teantropo) na pessoa do Verbo Divino eternamente, e Deus será eternamente Deus na trindade divina, a natureza divina de Cristo é imutável.

Esta declaração abaixo, de A. A. Hodge, define com muita precisão e profundidade a extensão desta união entre o crente e Cristo.

  1. A. Hodge – União Mística: “É união legal ou federal, de modo que todas as obrigações legais ou federais estão sobre Cristo, e nos recebemos o benefício de todos os seus merecimentos legais ou federais”.

A realização do cristianismo pode ser resumida em duas afirmações: Cristo por seu povo e Cristo no seu povo. Cristo morreu por seu povo na cruz, revelando a eterna oposição da santidade de Deus ao pecado do homem. Por outro lado, Cristo está no seu povo através de seu Santo Espírito restaurando em cada um a imagem de Deus perdida na queda, e não só isso, mas permanecendo nos eleitos justificados como a fonte eterna da regeneração e santificação.

Mateus 28,20: “Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”.

  1. H. Strong: “O cristianismo se resume em dois fatos: Cristo por nós, e Cristo em nós – Cristo por nós na cruz, revelando a eterna oposição da santidade ao pecado… e Cristo em nós através do seu Espírito, renovando em nós a imagem perdida de Deus e permanecendo em nós como a fonte inteiramente suficiente de pureza e poder. Eis aqui os dois focos da elipse cristã: Cristo por nós, o qual nos redimiu da maldição da lei fazendo-se maldição por nós, e Cristo em nós, a esperança da glória que o apóstolo chama o mistério do evangelho”.

Desta forma, todos os crentes estão unidos a Cristo a partir deste Decreto da Eleição desde a eternidade, a ligação do crente a Cristo durante sua vida terrena é uma manifestação temporal desta união, pois, a eleição precede, em ordem lógica, o Decreto da Redenção. Desta forma, vê-se que todos aqueles que foram salvos antes da vinda de Cristo, já estavam unidos a ele desde a eternidade.

João 15,5: “Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer”.

Esta união é a origem da diferença entre a graça comum e a graça especial, a graça comum é própria a todas as coisas e criaturas no universo, mas a graça especial somente pode ser concedida àqueles que estão unidos a Cristo pela eleição eterna.

Esta união primordial explica a justificação, quando Cristo morreu pelos seus eleitos eles já estavam ligados a ele desde a eternidade, ele já era o representante federal de todo o seu povo que lhe foi dado por Deus antes da criação do mundo.

Esta união permanente antes da existência do mundo também explica a filiação eterna do Verbo, ele é o Filho eternamente, pois desde a eternidade ele está ligado a seu povo em caráter visceral, permanente e inalienável, por isto ele pode dizer: “Eu lhes dou a vida eterna”.

João 10,28: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão”.

A teologia luterana, assim como os arminianos e católicos, atribuem esta ligação e a continuidade dela ao esforço humano, negando, desta forma, tanto os efeitos universais da queda como os decretos divinos e a suficiência do sacrifício de Cristo.

Adão era o representante federal da humanidade, isto era necessário, pois caso ele cumprisse a Aliança de Obras, seus efeitos salvadores seriam transmitidos a todos os seus descendentes por imputação desta união. Pelo mesmo motivo, a queda também se propagou em toda sua descendência, por geração ordinária, da mesma forma como teria sido a salvação, se obtida.

Cristo é o representante federal de seu povo, que lhe foi dado por Deus, desta forma, os efeitos redentores da sua obra se transmitem de forma eficaz e irresistível a todos aqueles que foram escolhidos para a salvação e somente estes.

A operação da união mística: Esta é a ação eficaz e silenciosa do Espírito na vida dos crentes justificados pela graça; ele recebe de Cristo todas as bênçãos da redenção e as aplica em seu povo, que vêm a constituir a Igreja de Deus, onde Cristo é o cabeça e o Espírito o operador e preservador da salvação, que desta forma é eterna e inalienável para aqueles a quem foi destinada na eternidade.

João 16,14: “Ele (o Espírito) me glorificará, porque há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar”.

Esta união é considerada orgânica, isto significa que não é uma atribuição aleatória, sendo aplicada ora em um crente, ora em outro, também não é uma relação temporal, ora conseguida ora perdida, mas é uma relação decidida na eternidade e permanente entre Cristo e aqueles que são seus, constituindo um corpo orgânico único, que se constitui no reino de Deus: A união de todos os salvos, em todas as épocas da história da humanidade, em torno de Cristo.

Hebreus 2,14-15: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida”.

Apesar de ser uma união orgânica entre todos os verdadeiros cristãos, deve-se lembrar que esta união não se refere à igreja local, mas à Igreja (ou reino) de Deus, da qual somente fazem parte os eleitos em todos os tempos. Também não se pode esquecer que esta é uma união pessoal, todo verdadeiro crente foi escolhido antes da fundação do mundo e está ligado a Cristo de forma eterna e pessoal.

João 10,14: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim”.

Gálatas 2,20: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim”.

Adoção: No ato da justificação o cristão é imediatamente perdoado de seus pecados e adotado como filho de Deus, e após isto ele jamais perderá a condição de filho, isto somente é possível pela união previamente existente entre Cristo e o crente – a união mística que procede da eternidade. Não houvera esta união prévia e a adoção não seria possível sem ferir a justiça divina.

Efésios 1,5: “Nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade”.   

Este verso é muito claro a respeito da adoção, ela se torna possível
“por meio de Jesus”, desta forma, pode-se ver que a adoção somente se viabiliza porque o eleito já está unido a Cristo que é o Filho eterno, de outra forma a justiça de Deus seria violada, coisa impossível de acontecer.

Isto é um fato completamente racional que torna inviável o arminianismo, pois a heresia do livre-arbítrio nega a união eterna entre Cristo e os eleitos, retirando definitivamente a legitimidade da adoção e tornando-a injusta, sujeitando a salvação a perdas e ganhos ao longo do tempo tornando-a inconstante e totalmente impossível.

João 8,35: “O escravo não fica sempre na casa; o filho, sim, para sempre”.  

Por outro lado, a manutenção desta união não depende do esforço do crente, mas da operação do Espírito que mantém todo o corpo unido (a Igreja de Deus) de forma orgânica e provê a união pessoal pela habitação no crente. A Confissão de Fé de Westminster é muito clara com relação a este artigo, limitando a comunhão dos crentes à Igreja Universal, que é a união dos eleitos de Deus.

CFW – Capítulo XXV, Seção I – A igreja de Deus: A Igreja Católica ou Universal, que é invisível, consta do número total dos eleitos que já foram, dos que agora são e dos que ainda serão reunidos em um só corpo sob Cristo, seu cabeça; ela é a esposa, o corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todas as coisas.

Efésios 1,22-23: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas”.

A igreja de Deus é católica, ou seja, universal, um corpo único constando de seus eleitos de toda a raça e nacionalidade que existem, existiram ou existirão em todos os lugares e em todos os tempos. Nenhuma denominação, raça ou nação tem a exclusividade da igreja, somente Deus conhece seus eleitos.

1 Coríntios 3,16: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”.

Todos os homens, pela queda, estão mortos em seus delitos e pecados, o que possibilita esta união é a vivificação em Cristo dos eleitos que são justificados por Deus. Esta união não traz ao homem a capacidade de perseverar nela pelos seus próprios méritos, pelo contrário, ele somente permanece unido a Cristo pela ação contínua e efetiva do Espírito durante toda sua vida terrena.

Aqueles que apostatam são os receberam uma iluminação temporal e foram abandonados pelo Espírito, estes nunca estiveram, de fato, unidos eternamente a Cristo, a união mística é visceral e inalienável, jamais será perdida.

Mateus 7,22-23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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