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Vivendo pela palavra – Confissão (parte2)

“EU PEQUEI” – (SPURGEON)

CONFISSÃO DE PECADO:

O reconhecimento do pecado é absolutamente necessário à salvação. A menos que haja uma verdadeira e sincera confissão de pecados com a clara intenção de mudança de vida, a pessoa não recebeu a graça de Deus.

Não existe nenhuma promessa de achar clemência no sangue do Redentor sem o reconhecimento do pecado e o abandono da justiça própria. Há muitos que fazem uma confissão diante de Deus e não recebem nenhuma bênção, porque a confissão deles não demonstra ter sido fruto do trabalho do Espírito Santo.

O Pecador Endurecido – Faraó: “Eu pequei”.

Êxodo 9,27: “Então, Faraó mandou chamar a Moisés e a Arão e lhes disse: Esta vez pequei; o SENHOR é justo, porém eu e o meu povo somos ímpios”.

Porque esta confissão nos lábios deste tirano? Porque ele se curvou? É preciso ver em que condições foi feita sua confissão. Esta confissão foi feita debaixo de grandes catástrofes enviadas por Deus, Faraó estava apavorado.

Êxodo 9,28: “Orai ao SENHOR; pois já bastam estes grandes trovões e a chuva de pedras. Eu vos deixarei ir, e não ficareis mais aqui”.

Agora, diz Faraó, enquanto o trovão estava rolando no céu, enquanto o fogo então incendiava o solo e enquanto o granizo descia em grande quantidade, ele diz, “eu pequei”.

Quantos rebeldes endurecidos a bordo de navios, quando estão vagando ao sabor da tempestade, curvam seus joelhos e clamam: “eu pequei!” Que valor tem esta confissão?

O arrependimento que nasceu na tempestade morreu na calmaria. Muitos homens empalidecem quando ouvem o trovão ressoando; enquanto as vigas da sua casa tremem, e lembram-se de Deus, mas quando o sol novamente brilha e as negras nuvens se vão, o pecado vem novamente sobre o homem e ele se torna pior que antes.

Êxodo 9,34: “Tendo visto Faraó que cessaram as chuvas, as pedras e os trovões, tornou a pecar e endureceu o coração, ele e os seus oficiais”.

O Homem Dúbio – Balaão: “Eu pequei”.

Números 22,34: “Então, Balaão disse ao Anjo do SENHOR: Pequei, porque não soube que estavas neste caminho para te opores a mim; agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei”.

“Eu pequei”, disse Balaão; mas, apesar disto, ele se foi com seu pecado. Algumas vezes falava com tamanha eloquência que nenhum outro homem poderia se igualar a ele; outras vezes ele exibia a mais sórdida cobiça que pode desgraçar a natureza humana.

Balaão está no cume da colina, e lá embaixo está o povo de Israel; ele é ordenado a os amaldiçoar, e ele diz: “Como amaldiçoarei a quem Deus não amaldiçoou?

Parece que aquele homem tem esperança, mas quando desce da colina, vai dar o mais diabólico conselho ao rei de Moabe: “Você não pode vencer este povo na batalha, porque Deus está com eles; tente instigá-los contra Deus”.

Números 25,1: “Habitando Israel em Sitim, começou o povo a prostituir-se com as filhas dos moabitas. Estas convidaram o povo aos sacrifícios dos seus deuses; e o povo comeu e inclinou-se aos deuses delas”.

Balaão era um homem de duas mentes, um homem que foi por todo o caminho com duas disposições, Balaão ofereceu sacrifícios a Deus no altar de Baal.

É inútil dizer: “eu pequei” e continuar pecando, e assim muitos fazem: ofertam na igreja, no seu escritório defraudam o necessitado e usam de artifícios para ficarem ricos.

O Homem Insincero – Saul : “Eu pequei”.

Aqui está homem insincero, que não tem nenhum ponto positivo em seu caráter, mas que é sempre modelado pelas circunstâncias, conforme seu pensamento volátil.

1 Samuel 15,24: “Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do SENHOR e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz”.

Saul era assim. Samuel o reprovou e ele disse: “eu pequei”. Mas ele não queria realmente dizer aquilo, porque se você ler o verso inteiro vai vê-lo dizendo: “porque eu temi o povo”, o que era uma desculpa mentirosa.

Saul nunca temeu ninguém; ele sempre estava bastante pronto para fazer sua própria vontade. Pouco depois, ele sustentou outra desculpa, ao afirmar que havia trazido bois e cordeiros para oferecer a Deus, ambas as desculpas eram falsas.

A característica dominante no caráter de Saul era sua insinceridade, um dia ele manda buscar a Davi da cama dele, para matá-lo, outra vez ele declara “tão certo como vive o Senhor, ele (Davi) não morrerá”.

Jeremias 5,2: “Embora digam: Tão certo como vive o SENHOR, certamente, juram falso”.

O Penitente Duvidoso – Acã: “Eu pequei”.

Acã roubou despojos da cidade de Jericó, ele foi descoberto através de sorte e levado a morte. Ele representa aqueles cujo caráter é questionável; aqueles que se arrependem aparentemente, mas verdadeiramente ninguém pode assegurar.

Josué 7,20: “Respondeu Acã a Josué e disse: Verdadeiramente, pequei contra o SENHOR, Deus de Israel, e fiz assim e assim”.

Mas, o texto de uma antiga tradução judaica diz assim: “Josué disse a Acã: hoje o Senhor te perturbará a ti”.

Um comentário de John Gill sobre este texto que diz: “Ele disse este dia, o que implica que ele só seria perturbado nesta vida, mas que Deus teria misericórdia da sua alma por ter ele feito uma confissão completa do seu pecado”.

Observe como Josué falou de forma compassiva com ele.

Josué 7,19: “Então, disse Josué a Acã: Filho meu, dá glória ao SENHOR, Deus de Israel, e a ele rende louvores; e declara-me, agora, o que fizeste; não mo ocultes”.

Acã fez então uma confissão completa:

Josué 7,21: “Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata, por baixo”.

Nem todos os comentaristas bíblicos concordam com John Gill, alguns deles consideram a confissão insuficiente, de forma que o caso de Acã é de um arrependimento duvidoso.

O Arrependimento Desesperado – Judas: “Eu pequei”.

Desesperado significa: sem esperança – aqui está o pior tipo de arrependimento; nem é justo chamar isto de arrependimento porque não havia intenção de mudança de vida, Jesus não foi procurado, o Espírito de Deus não estava nele, isto deve ser chamado remorso, Judas confessou seu pecado, e então saiu e enforcou-se.

Mateus 27,3-4: “Então, Judas, o que o traiu, vendo que Jesus fora condenado, tocado de remorso, devolveu as trinta moedas de prata aos principais sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo sangue inocente. Eles, porém, responderam: Que nos importa? Isso é contigo”.

Este é o arrependimento do homem que vê a morte face a face e que diz:

“Eu pequei, não há nenhuma esperança para mim; eu blasfemei contra Deus na sua face; eu o desafiei; meu dia de graça passou; eu sei que estou perdido!”

Benjamim Keach, um grande pregador inglês conta o seguinte caso:

Havia um homem que tinha sido crente professo, mas tinha se apartado da confissão, e tinha cometido pecados terríveis. Quando ele estava para morrer, Keach foi vê-lo, mas ele não podia ficar com ele mais do que cinco minutos por visita, porque ele dizia:

“Vão embora; é inútil sua visita para mim; eu pequei contra o Espírito Santo; eu sou igual a Esaú; eu vendi meu direito de nascimento, e apesar de buscá-lo com lágrimas, eu nunca o acharei novamente”.

O homem natural vive a sua vida toda em pecado, mas na hora da morte a consciência do desespero surge de forma brutal, louvado seja Deus pela certeza que infunde a seus filhos, a morte não representa tristeza para o cristão, pois ele sabe que Cristo espera pela sua alma, que seus pecados foram lavados no sangue do Redentor. O que diz o apóstolo?

Filipenses 1,23: “Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor”.

O Arrependimento do filho de Deus – O filho pródigo: “eu pequei”.

Mas, não vamos terminar nossa palestra no desespero, vejamos agora uma confissão abençoada, uma confissão provinda de Deus.

Filipenses 2,13: “Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade”.

Aqui está uma confissão abençoada, que prova que o confessor adquiriu um caráter regenerado: “Pai, pequei”. Aqui está o filho pródigo; ele saiu de uma boa casa e de um pai amoroso, e gastou todo seu dinheiro com prostitutas, e agora ele não tem mais nada.

Ele vai para seus antigos companheiros e lhes pede ajuda, eles o tratam com desprezo.

Então o filho de um rico proprietário de terras tem que sair para alimentar porcos; e ele era judeu, este era o pior emprego para o qual ele podia ser contratado, nem a comida dos porcos lhe era dada, lá estava ele, na imundície do chiqueiro. De repente, o chamado de Deus: um pensamento surge em sua mente.

Lucas 15,18: “Levantar-me-ei, e irei ter com o meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores”.

E ele volta, sem recursos, maltrapilho, mendigando pelo caminho, de cidade em cidade, sozinho, afinal ele chega e vê a casa do seu pai, falta-lhe coragem, ele quase volta novamente, ele fica lá parado sem ânimo para ir adiante.

Mas, seu pai o vê, corre até ele, e enquanto ele ainda está pensando em fugir, os braços do seu pai estão ao redor do seu pescoço, e ele o beija, como um pai amoroso.

Lucas 15,20: “E, levantando-se, foi para seu pai. Vinha ele ainda longe, quando seu pai o avistou, e, compadecido dele, correndo, o abraçou, e beijou”.

E então, quando ele ia dizer: “Trata-me como um dos teus empregados”, seu pai o interrompe.

Lucas 15,22-24: “O pai, porém, disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, vesti-o, ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés; trazei também e matai o novilho cevado. Comamos e regozijemo-nos, porque este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. E começaram a regozijar-se”.

Que recepção preciosa para um pecador: “Seu pai o avistou”. Havia olhos de misericórdia: “Tragam a melhor roupa”. Havia atos de misericórdia, misericórdia imerecida, somente a graça do pai estava sobre o filho pródigo.

Há muitos que têm fugido por muito tempo, Deus diz: Retorne! Venha para a casa do seu Pai, e tão certo quanto Ele é Deus, Ele manterá sua palavra: “O que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”.

Mas quem vem a Cristo? Aquele que quer? Somente aqueles que o Pai chama e dá a Cristo vem a ele, ninguém mais pode vir a Cristo.

João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.

Os filhos de Deus vêm a Cristo porque são chamados, desta forma nunca serão desprezados, pois aquele que não foi chamado somente vai a si mesmo. O filho pródigo, mesmo longe do Pai, obedece ao seu chamado e vai para Ele.

Todo aquele que anseia pela graça de Deus a receberá, aquele que anseia pela sua justiça própria vai ficar como o irmão mais velho, do lado de fora do banquete.

João 6,44-45: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia. Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim”.

O pecador confesso – o bom malfeitor: “Eu pequei”.

Temos ainda mais um caso de arrependimento sincero, o ladrão na cruz, ao lado de Jesus, confessa seus pecados, admite sua culpa, não pede por sua vida, acredita no reino de Deus e na divindade de Jesus, ele diz:

Lucas 23,39-42: “Um dos malfeitores crucificados blasfemava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós também. Respondendo-lhe, porém, o outro, repreendeu-o, dizendo: Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino”.

Ele se humilhou, reconheceu o seu pecado com sinceridade, não pediu pela sua vida, acreditou no reino de Deus e reconheceu a divindade de Jesus, nem mesmo os apóstolos, antes da ressurreição, foram capazes de uma confissão tão ampla.

Jesus não titubeou, e concedeu a ele o perdão imediato e eterno, respondeu-lhe prontamente e prometeu a ele mais do que esperava. Por que este perdão imediato?

Lucas 23,43: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso”.

Quantas pessoas religiosas podem expressar com tanta sinceridade esta confissão do malfeitor? Somente aqueles que, como o ladrão, se admitem pecadores, Jesus veio para salvar o perdido, os justos salvarão a si mesmos, se isto for possível.

Lucas 19,10: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido”.

Quando o malfeitor clamou por Jesus, não levou em consideração nenhum mérito próprio, nenhuma justiça que não fosse proveniente de Cristo.

Veja a diferença entre a resposta de Jesus para o ladrão confesso e a resposta para os religiosos, que se consideram justos e colocam diante dele suas próprias obras.

Estas pessoas religiosas, no Dia do Juízo, colocarão diante de Cristo as suas obras, obras realmente fabulosas, são pessoas distinguidas na comunidade religiosa, mas, o que são estas obras diante da justiça perfeita de Cristo?

Mateus 7,22: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?”.

Estes religiosos, pretensamente justos e dignos, receberão de Jesus uma resposta surpreendente para eles: A condenação eterna, sem chance e sem apelação.

Mateus 7,23: “Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade”.

Por que isto?

Deus conhece os seus filhos a quem chamou.

O que é a sinceridade da confissão? O que é invocar o nome de Cristo e ser salvo?

– Todo aquele que invoca o nome de Cristo, reconhecendo a soberania de Deus e a incapacidade do homem, é porque recebeu o chamado: Será atendido.

– Todo aquele que invoca o nome de Cristo, apresentando suas próprias obras não foi chamado, está definitivamente condenado.

Romanos 10,13: “Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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