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Vivendo pela palavra – Encarnação (parte 2)

Introdução:

O nascimento de Jesus aconteceu entre os anos seis e quatro antes de nossa era, podemos conhecer este período pelas informações históricas dos evangelhos.

O evangelista Lucas é o que mais se aproxima de um historiador, em seus relatos temos vários dados, que cruzados com o que conhecemos historicamente permitem definir alguns períodos em que o evento pode ter acontecido.

Vemos no verso abaixo, que César Augusto era o imperador de Roma, Quirino o governador da Síria e vemos também em Mateus que Herodes, o Grande, era o governador da Judéia, o que permite estabelecer a data mais provável para o nascimento de Jesus no ano IV a.C.

Lucas 2,1-5: “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade. José também subiu da Galiléia, da cidade de Nazaré, para a Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém, por ser ele da casa e família de Davi, a fim de alistar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida”.

Mateus 2,1: “Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, em dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do Oriente a Jerusalém”.

A encarnação é uma novidade do Novo Testamento? Vejamos as promessas da encarnação conforme o relato bíblico:

Na criação: quando Deus expulsa Adão e Eva do Jardim do Éden, ele promete à mulher o seu descendente:

Gênesis 3,15: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Período pré-abraâmico: Jó, iluminado pelo Espírito vislumbra no presente o Deus redentor, e no futuro a encarnação do Verbo.

Jó 19,25: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra”.

Uma análise do texto hebraico do Velho Testamento não deixa dúvidas:

– Redentor: Este verbo redimir tem Deus como sujeito, e significa salvar pessoas da morte.

– Por fim: mais tarde, subsequente, último (referindo-se a tempo);

– Se levantará: será constituído, será estabelecido, será confirmado.

Período abraâmico: Deus estabelece sua aliança com Abraão e depois com Isaque prometendo a ambos a vinda do descendente, que levará a salvação a todos os povos.

Observe que a palavra descendência nestes versos sugere claramente uma pessoa singular, caso contrário seria “seus descendentes”. Na versão King James, e também na Almeida RC está escrito: “sua semente”.

Gênesis 17,7: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência no decurso das suas gerações, aliança perpétua, para ser o teu Deus e da tua descendência”. (Abraão)

Gênesis 28,14: “A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra”. (Isaque)

Período mosaico: Deus promete a Moisés a vinda de Jesus, a maioria absoluta dos comentaristas bíblicos concorda com esta interpretação neste verso abaixo.

Deuteronômio 18,18-19: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. De todo aquele que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, disso lhe pedirei contas”.

Período davídico: Esta promessa feita a Davi não se refere a Salomão, pois o trono será estabelecido eternamente, somente Deus o Verbo é Filho e eterno.

1 Crônicas 17, 11: “Há de ser que, quando teus dias se cumprirem, e tiveres de ir para junto de teus pais, então, farei levantar depois de ti o teu descendente, que será dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. Esse me edificará casa; e eu estabelecerei o seu trono para sempre”.

Período dos profetas: Vemos ao longo da história bíblica, as profecias a respeito da encarnação se tornando cada vez mais claras, mais objetivas, Isaías e Miquéias entre outros, vislumbram em suas profecias os sinais visíveis e reveladores da encarnação:

Isaías 7,14: “Portanto, o Senhor mesmo vos dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho e lhe chamará Emanuel”.

Isaías 9,6: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Miquéias 5,2: “E tu, Belém-Efrata, pequena demais para figurar como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”.

Nos evangelhos: Vemos nos sinóticos a encarnação do ponto de vista do nascimento de Jesus, e no evangelho de João, a encarnação do ponto de vista de Deus fazendo-se carne.

Lucas 1,34-35: “Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum? Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

João 1, 1 4: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”.

Encarnação no Credo Apostólico

“Creio em Deus Pai, Todo poderoso, Criador do Céu e da terra. Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido (por Deus) por obra (através) do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria”.

O credo testifica com ênfase o nascimento virginal, Jesus Cristo é verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Nele Deus criou um novo homem, outro Adão, de forma que a humanidade pudesse ter um novo princípio.

A velha humanidade, procedente de Adão, nasce para o pecado e a morte. A nova humanidade, restrita aos filhos de Deus, é nascida novamente em Jesus Cristo, e nasce para a justiça e a vida eterna.

Desde o princípio de seu ministério, Jesus declara que uma nova vida e uma nova era começam nele e com ele.

Encarnação na Confissão de Fé de Westminster:

O Filho de Deus, a Segunda Pessoa da Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai e igual a ele, quando chegou o cumprimento do tempo, tomou sobre si a natureza humana com todas as suas propriedades essenciais e enfermidades comuns, contudo sem pecado, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria e da substância dela.

As duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas – a Divindade e a humanidade – foram inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão composição ou confusão; essa pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem.

Encarnação no breve Catecismo de Westminster:

PERGUNTA 22: Como Cristo, sendo o Filho de Deus, se fez homem? RESPOSTA: Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando um verdadeiro corpo, e uma alma racional, sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da virgem Maria, e nascido dela, mas sem pecado.

Por que o nascimento virginal?

O nascimento virginal é uma necessidade para uma nova criação e uma nova humanidade. O milagre do novo nascimento depende da encarnação, pois sem a encarnação não existiria a salvação, eis o porquê da encarnação.

Encarnação (Gordon Clark): Encarnação é o nascimento de uma pessoa pré-existente.

Adão, como o primeiro homem, é considerado o representante (cabeça federal) da raça humana, pelo pecado de Adão todo ser humano nasce em pecado.

Isto é absolutamente necessário, pois se Adão conseguisse a perfeita obediência, toda sua posteridade também seria beneficiária desta obediência, mas…

Romanos 3,23: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”.

Jesus é o Cordeiro, oferecido por Deus, que veio ao mundo para ser sacrificado em benefício dos eleitos, para tal fim ele deveria ser perfeito e sem mácula:

– Nascendo de uma virgem, Jesus não trazia em si o pecado de Adão.

– Pelo decreto divino ele seria um ente santo, livre do pecado original.

Lucas 1,35: “Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”.

– Ele recebeu de Deus o Espírito sem medida, pelo qual ele realiza todos os seus milagres.

João 3,34: “Pois o enviado de Deus fala as palavras dele, porque Deus não dá o Espírito por medida”.

– Além de tudo isto, pela sua natureza divina, Jesus possuía a perfeição moral que nenhum homem possui.

Hebreus 4,15: “Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”.

Por tudo isto, não basta crer que Jesus não cometeu pecado, ele era impecável, não havia em Jesus mácula alguma, não existia para ele a possibilidade de pecado.

Mas, para aquisição da redenção Jesus, que era impecável, foi feito pecado para que nele fosse cumprida a justiça de Deus.

2 Coríntios 5,21: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus”.

A união hipostática: Este é o nome dado à união das naturezas de Cristo em uma única Pessoa, esta união somente se tornou possível pela encarnação.

É importante ter em mente que o Verbo tomou sobre si a natureza humana de forma permanente, e desde então, Cristo é uma pessoa com duas naturezas conscientes: Divina e humana, convivendo em perfeita harmonia sem mistura ou confusão.

Pela encarnação, Deus, em Cristo, inseriu no contexto da Trindade Divina, uma alma humana e um corpo ressurreto de forma permanente e definitiva. Vemos abaixo as duas naturezas de Cristo, em Gálatas a natureza humana, em Colossences a natureza divina.

Gálatas 4,4: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Colossences 2,9: “Porquanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da Divindade”.

O NASCIMENTO VIRGINAL (Don Fortner):

“Aquele bebê nascido em Belém é o próprio Deus eterno. Embora Ele fosse dependente do leite do seio de Sua mãe para viver, Ele é o Deus que formou os seios que O amamentavam. Embora Maria O segurasse em seus braços, Ele é o Deus que sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder. Embora Ele tenha aprendido a andar e falar, e tenha crescido como qualquer outra criança, Ele é o Deus onisciente e onipotente. Embora Ele tenha vivido como um homem em obediência deliberada, voluntária e perfeita à lei, Ele é o Deus que deu a lei a Moisés. Embora Ele tenha morrido sob a penalidade da lei como um homem em lugar de pecadores, aquele homem que morreu é Deus!”

Sobre o autor

Hélio Clemente

Meu nome é Helio Clemente: Tenho 66 anos, sou engenheiro, brasileiro, divorciado, graduado pela USP em 1967. Não defendo ou divulgo nenhuma denominação em particular, cristianismo é somente o evangelho, e o evangelho é toda a Escritura, desde o Gênesis até o Apocalipse.

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